UFRN na dúvida se libera ou não o uso da maconha para sua ‘galera intelectual’

“Lamento que um episódio como esse ocorra em caráter oficial e com o selo institucional”, destaca juiz federal

tyuu67u5u56uCarolina Souza

acw.souza@gmail.com

O polêmico debate sobre a legalização da maconha, que já alcançou a pauta dos políticos em Brasília, chega à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) através da realização do ‘V Ciclo de Debates Antiproibicionistas – Drogas, diversidade e globalização: a legalização que queremos’, que se estenderá de hoje até sexta-feira (14). Um dos temas a serem discutidos entre a comunidade acadêmica é a mesa redonda ‘O uso da cannabis no setor II da UFRN’, assunto que causou estranheza em diversas pessoas e autoridades.

Apesar de a discussão se arrastar há anos entre intelectuais e mesmo nas ruas, o debate sobre a liberação do uso da cannabis – nome técnico da erva popularmente conhecida como maconha – ainda choca algumas pessoas, principalmente quando relacionado a um ambiente acadêmico. Marco Bruno Miranda, juiz federal e professor da UFRN, utilizou sua conta em uma rede social para expressar sua indignação com a proposição do debate.

“Não compreendo, sinceramente, como uma instituição se presta a discutir com os infratores da lei a própria infração. Questionar a lei é legítimo, desde que ela seja cumprida até que revogada. É um princípio de convivência democrática”, disse, destacando o fato de que no Brasil não é permitido consumo, comercialização ou distribuição da maconha.

Ainda segundo a opinião do juiz federal, no Brasil não é difícil encontrar quem invoque até “supostas justificativas morais” para simplesmente descumprir a lei “ou utilize os argumentos mais diversos para tanto”. “Não é por acaso que a corrupção e a violência são generalizadas. Só lamento, como professor da UFRN, que um episódio lamentável como esse ocorra em caráter oficial e com o selo institucional”, finaliza.

A reportagem escutou a professora Janeusa Trindade, pró-reitora de Assuntos Estudantis da UFRN, que irá compor a mesa redonda sobre o uso da maconha no setor II da universidade. Segundo ela, a proposição de tal tema não significa dizer que a universidade esteja em um processo de aceitação ou liberação do uso da maconha.

“Nós temos que obedecer a normas nacionais. Essa mesa redonda é apenas um debate sobre a possível legalização da maconha. Como devemos proceder a conscientização dos alunos em relação à proibição, descriminalização ou legalização da maconha. É um debate. Jamais iremos descumprir a lei. A Universidade segue as normas federais”, destacou Janeusa Trindade.

Em 2013, o Uruguai tornou-se o primeiro país do mundo a legalizar completamente a produção e a venda de maconha. Nos Estados Unidos, os estados de Washington e Colorado também podem consumir o produto legalmente para fins recreativos a partir deste ano.

Em fevereiro deste ano, o deputado Eurico Júnior (PV-RJ) protocolou na Câmara dos Deputados um projeto de lei que propõe a legalização e regulamentação do cultivo e da comercialização da maconha no Brasil. A proposta autoriza a plantação em residências, além da produção para uso medicinal e recreativo. A matéria também cria mecanismos para o poder público monitorar a produção da erva. O texto apresentado pelo deputado ainda aguarda definição sobre as comissões nas quais precisará tramitar antes de ser submetido ao plenário.

Legalizar x Descriminalizar

A legalização é diferente da descriminalização da maconha. Legalizar a droga é retirar do seu uso qualquer sanção, ou seja, o consumo, a comercialização, a distribuição da maconha seriam permitidos. Na prática, é como ocorre com o álcool e o cigarro. Por outro lado, descriminalizar é desvincular o drogado ou o usuário da Justiça e da polícia. Na prática, ao invés de um usuário ir para a cadeia, ele passaria a fazer um tratamento médico.

Arte-MACONHA

Compartilhar:
    • Raymundo Almeida

      Uma pena que uma universidade federal cheque a esse ponto. Vergonha!

    • gigi

      ridículo mesmo!! pra que perder tempo com debate sobre algo ilegal??? gestão da ufrn, que liiixo genteeeeeeeee!!! que merda, janeuza!!

    • francisco nunes de araujo

      Aproveita,e libera todo tipo de droga,a humanidade tá indo ladeira a baixo mesmo.

    • Dalton Carvalho

      Desta forma, vou preferir colocar meu filho em uma universidade particular. Não vou aceitar meu filho maconheiro, opinião minha e de toda a família. Se quer se sociabilizar fazendo fumaça, vá ser índio!

    • Glaucia M. Fernandes

      Vergonha e tristeza ver uma universidade federal chegar a esse ponto… Agora, veja só, se liberar o consumo, logo vai ter que liberar a venda, porque vão acabar dizendo “é injusto que os consumidores não tenham onde comprar”… Será q vão fazer licitação pra fornecimento, heim, srs. doutores da mesa redonda? Usem seus doutorados e cargos com salários altíssimos para fazer algo que engrandeça a universidade e não pra decair!

    • Bruno Silva

      Primeiramente gostaria de destacar a ignorância das pessoas que não sabem o que falam a respeito da Cannabis, é fácil falar mal a respeito de um assunto de que não se conhece, procure saber de onde a Cannabis vem, depois estude o real motivo que ela foi criminalizada, e após isso faça uma balança entre seus benefícios e malefícios, de fato a ideia não é liberar geral, mas discutir uma forma correta para regulamentar, acho tão injusto falar mal da Cannabis que alivia dores e deixa as pessoas mais calmas em relação ao uso do álcool, agora se voltássemos para os anos 30 quando o álcool era proibido quem consumisse ou portasse uma quantidade de bebida era preso como um criminoso, ah vocês que não aceitam a Cannabis digam me como é ir a um casamento sem álcool ou até mesmo uma formatura, ou em seus churrascos de final de semana, Maconha para uso pessoal e recreativo não pode, mas café, açúcar, remédios, álcool e tabaco que realmente causam morte e danos sérios isso pode? Antes de se debater um assunto o correto é buscar informação, do contrário é senso comum pois não tem como falar sobre algo desconhecido, pra quem ainda tem medo ou é burro experimente ler a última edição da Revista SuperInteressante que se trata de um rico material feito exclusivamente sobre a Cannabis, ae sim poderemos discutir, quem se trata com a erva sagrada não precisa de psiquiatra, e esse é o principal motivo pra que eles não aprovem a lei, terão menos pacientes se drogando com remédios químicos que vão dopa los do que com uma planta natural que Deus criou e que nasce na terra e não em um laboratório que vai render milhões, pesquisem antes de falar ok?

    • Alex Moura

      O engraçado é que os pais induzem os filhos a beberem desde cedo, transitam em todo lugar com seus cigarros na boca, sem se importarem com quem está ao redor, nem ao menos pesquisam sobre a maconha, a grande maioria nem sabe como ela é, e vem aqui com moralismo adquirido pela mídia… Vão ler um pouco, estudar sobre a história da proibição da cannabis sativa e abrir essas mentes!