Um círculo vicioso – Walter Gomes

Pode ser dito que a lógica dos governantes brasileiros é a política do espetáculo. Quase sempre tem sido assim. As…

Pode ser dito que a lógica dos governantes brasileiros é a política do espetáculo. Quase sempre tem sido assim. As exceções foram raras. Uma delas, na primeira fase do período de José Sarney. Vice de Tancredo Neves, que conquistara, via colégio eleitoral fechado, o mandato presidencial nos estertores da ditadura militar, o maranhense foi discreto. Seguiu o ensinamento do catecismo da prudência. E, por isso, liderou, sem sobressaltos, a transição do regime discricionário para a democracia da Nova República.

Depois de Sarney veio o barulhento Fernando Collor. Após a queda do ‘caçador de marajás’, o comedido Itamar Franco assumiu. Na segunda eleição direta após substituição dos fardados por paisanos, Fernando Henrique Cardoso venceu. Em cumplicidade com o Legislativo, conseguiu emendar a carta constitucional. O sociólogo foi o primeiro beneficiário do instituto da reeleição.

Após os oito anos de Cardoso, Lula da Silva, duas vezes derrotado por ele, chegou ao poder. Com a pompa dos cultores do deslumbramento, iluminou o palco da espetaculosidade nos dois mandatos conquistados nas urnas. Poderoso e popular, elegeu a então tímida e desconhecida Dilma Rousseff, vocação para a autocracia revelada na passagem pelo Ministério de Minas e Energia e pela Casa Civil.

“Ruim de serviço”, como afirma, repetidamente, um ex-ministro dela de volta ao Parlamento, tem no marketing a costura da fantasia de administradora. No social, fortaleceu os programas criados pelo tucano e aprimorados por Lula. Na política, a Presidente é aprendiz com a arrogância de ensinar aos mestres da arte. Até Lula, que a inventou, perdeu a paciência com os erros praticados pela afilhada, agora dona de si.

A última da senhora Rousseff, após a escancarada divisão do PMDB, confirma duas de suas virtudes (?) nas relações com correligionários: indelicadeza e insensibilidade política.

Referiu-se assim á sigla que lhe dá (ou dava) sustentação parlamentar:

“Não depende dele a continuidade do meu projeto de elevar a prosperidade do povo brasileiro.”

– A pré-campanha eleitoral informa: o senador Randolfe Rodrigues desiste da candidatura ao Palácio do Planalto. Talvez entre no embate para o governo do Amapá. Luciana Genro assume a liderança da chapa federal do PSOL. A ex-deputada é filha do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, petista postulante ao segundo mandato.

– Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha assume, segunda-feira, a presidência do Superior Tribunal Militar. O ministro Fernando Martins, a vice.

– Na sua pesquisa mensal divulgada ontem, a Federação Brasileira dos Bancos reduz de 1,8% para 1,4% a estimativa média para o PIB de 2014. No levantamento, cai também o índice do Produto Interno Bruto para o próximo ano. Passa de 2,2% para 1,7%.

– O governador de São Paulo divide o seu palanque no estado com os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). O favoritismo carimba a campanha de reeleição do tucano Geraldo Alckmin.

– Bahia, com quase 10,2 milhões de eleitores, muda de tendência para o governo estadual. Paulo Souto (DEM) tem elástica maioria sobre Rui Costa, candidato do PT, há oito anos no poder regional. Quem comanda a mudança, iniciada quando se elegeu prefeito de Salvador em 2012, sob a bandeira dos democratas, é Antonio Carlos Magalhães, neto. Geddel Vieira Lima, na dianteira para o Senado, representa o PMDB na coligação que apoia Aécio Neves. Dilma Rousseff lidera, porém, as intenções de voto.

– Sexta-feira (20), convenção nacional do PT para oficializar a recandidatura de Dilma Rousseff. Na mesma data, homologação da aliança com o PMDB, sigla que indicou, só os deuses da política sabem como, Michel Temer para compor a chapa do poder federal.

– Que seja agradável seu fim de semana, e até terça. Como é de praxe, Joaquim Pinheiro assina a coluna de segunda-feira.

– Para refletir: “Prega bem quem vive bem” (Miguel de Cervantes, escritor espanhol).

Compartilhar:
    Publicidade