Um jeito de ser – Walter Gomes

Lula da Silva jamais cultivou a humildade. Na época de líder sindical, já mostrava, por atos e palavras, que a…

Lula da Silva jamais cultivou a humildade. Na época de líder sindical, já mostrava, por atos e palavras, que a modéstia não combinava com os seus planos de sucesso. O vencedor, como político e empreendedor, continua o mesmo.

Criou uma legenda partidária, espécie de religião que tem o poder como divindade suprema e o povo como instrumento de conquista. Com o seu carisma, mais do que pelo exemplo, garantiu-lhe ampla base popular, fê-la grande e influente. Propulsionado pelo sucesso do seu fundador, o Partido dos Trabalhadores fincou a bandeira vermelha em todos os marcos do mapa nacional.

Depois de três tentativas, chegou ao Palácio do Planalto. Até o momento da glória de receber a faixa presidencial, fora derrotado por dois adversários chamados Fernando. O primeiro, de sobrenome Collor de Mello, aderiu ao lulismo. Fernando Henrique Cardoso, que o venceu duas vezes consecutivas nas urnas, continua crítico – áspero, às vezes.

O senhor Silva mostrou prestígio e capacidade para transferir votos, após dois mandatos marcados pela ampliação de programas sociais e denúncias de corrupção. Dilma Rousseff, que fizera ministra – de Minas e Energia; Casa Civil, depois -, foi a escolhida. Filiada ao PDT – era brizolista de estandarte na mão -, a afilhada aderiu ao PT, para disputar e vencer.

Ontem, Lula escancarou a falta de recato:

“Não sou humilde de falar que sou um coitadinho. Não sou um coitadinho, não. Eu tenho muita força política no Brasil e vou dedicar essa força para reeleger a Dilma.”

Tempo de decidir

Volta-se a falar em José Serra (foto) para vice de Aécio Neves.

Até segunda-feira, quando o presidenciável tucano promete anunciar o companheiro de chapa, a especulação será ampla e irrestrita.

Tanto o senador Aloysio Nunes Ferreira quanto a jurista Ellen Gracie, inscritos na lista de preferências, consideram “boa solução” político-eleitoral e geográfica.

O problema de Serra – como também o de Marina Silva, a anunciada vice de Eduardo Campos – é a sua vocação para prima-dona.

Receio do futuro

O PIB brasileiro e o custo de vida, segundo estimativa do Banco Central.

Em vez de 2%, como previra há um mês e meio a autoridade econômica, o crescimento do Produto Interno Bruto, neste ano, vai crescer 1,6%.

A inflação poderá bater o teto da meta. Já se aproxima, pois atingiu 6,4%.

- Quarta-feira, a CPMI da Petrobras vota a quebra de sigilo bancário de pessoas envolvidas no escândalo da empresa. Entre elas, os ex-diretores Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa.

- Foi sucesso de público o programa de ontem do PPS, em rede nacional de tevê. Um dos melhores do semestre. Uma atração à parte: o Samba da Mudança.

- Em agosto, chega ao leitor ‘Getúlio (1945-1954): da volta ao poder pelo voto até o suicídio’. Encerra-se assim a trilogia sobre Vargas, assinada por Lira Neto, um dos grandes biógrafos brasileiros da atualidade.

- O senador Antonio Valadares (PSB) adere a Jackson Barreto (PMDB), governador (recandidato) de Sergipe. Barreto, primeiro lugar nas intenções de voto, abre o seu palanque à presidente Dilma Rousseff.

- No Ceará, a possível aliança de oposição PMDB (Eunício Oliveira), PR (Roberto Pessoa) e PSDB (Tasso Jereissati) enerva o poder estadual. Oliveira, para governador; Pessoa, vice; e Jereissati, senador. É chapa de campeões de voto.

- Decidido: o PT do Maranhão nega-se a indicar o vice de Edison Lobão, filho, (PMDB), candidato a governador.

- Uma boa ideia: a Comissão de Relações Exteriores do Senado quer ouvir candidatos ao Executivo federal sobre os planos para a política externa. A partir da próxima semana, serão expedidos convites aos três principais postulantes. Na ordem alfabética: Aécio Neves, Dilma Rousseff e Eduardo Campos.

- Para refletir: ”Quem vive o dia de hoje com medo do amanhã, não vive nem o hoje nem o amanhã” (Philip Morgan, correspondente de jornais brasileiros em Londres).

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