Um novo diálogo?

A sensação, Senhor Redator, olhando a cena, é que na festa da redemocratização, com a volta das diretas e da…

A sensação, Senhor Redator, olhando a cena, é que na festa da redemocratização, com a volta das diretas e da nova prática política só o PT, forjado nas lutas sindicais, estava consciente do ritmo de atritos e conflitos sociais. No mais das vezes, o que se tem é um modelo de político ainda arraigado ao velho coronelismo do século dezenove, apostando na conquista do governo como a máquina de promover a produzir votos repetindo o milagre bíblico quando Cristo multiplicou os pães e os peixes.

Custa acreditar que nesse começo de século vinte a classe política ainda possa insistir no golpe mágico da massificação. Como se o processo de opinião pública ainda fosse refém das rádios e jornais partidários dividindo entre eles a força das elites econômicas, e convergindo numa mesma direção, o exercício da dominação. O populismo não deixou de ser um desdobramento refinado desse tipo fácil, adestrando a semelhança como uma arma da persuasão e fazendo do líder populista um novo irmão.

Duas marcas açucaradas de coloquialidade saíram das urnas vitoriosas, para citar exemplos do populismo local: ‘Ele é um de nós’, símbolo de Garibaldi Filho que chegava para ser o novo ‘irmão’ o prefeito para salvar a todos naqueles tempos de redemocratização que devolveram aos eleitores das capitais o direito do voto; e, logo depois, ‘Jajá’, timbre de forte e absoluta empatia popular que não só selou a irmandade da massa com o candidato ao governo José Agripino, como fez ser amigo íntimo.

A funcionalidade dos atos retóricos na comunicação de massa está sob o atrito permanente das circunstâncias. O que funcionou com eficiência na conjuntura social e econômica da época, no caso os apelos de Garibaldi e Agripino, poderiam agora não mais produzir a mesma eficácia.

Principalmente numa sociedade que hoje dispõe das redes sociais que transformaram o telefone de cada cidadão em estações emissoras e receptoras de mensagens com absoluta velocidade e capacidade de pulverização.

Acrescente-se ao aparato informático um processo de politização que nas últimas três décadas, de forma lenta e gradual, amalgamando forças coletivas que pareciam dispersas agora confluindo suas insatisfações nas jornadas de junho. Não era a massa, mas o povo que, preservando suas identidades individuais saiu às ruas e mostrou – talvez pela primeira vez na histórica política do país – que a Nação é maior do que o Estado, este como ente sob a tutela dos governantes e aquele sob a força do povo.

É recomendável, pois, que políticos e marqueteiros não abusem da magia na construção das imagens de cada candidato sob o risco da criatura se rebelar contra seu próprio criador. A comunicação não pertence mais aos poucos detentores de veículos. Hoje há milhares de veículos nas mãos de cada eleitor com capacidade de emitir juízos de valor e recebê-los na mesma intensidade. Não é à toa que D. Quixote, como personagem, é bem mais célebre que Cervantes, mesmo sendo este seu criador genial.

 

AVISO – I
O DEM precisa vencer a luta nos tribunais superiores e salvar a prefeita de Mossoró e a governadora sob pena de protagonizar o mais desmoralizante fracasso da história política do Rio Grande do Norte.

CRISE – II
Não ser que a reação do senador José Agripino tenha sido de alívio. Se foi, como será seu discurso na campanha ano que vem? O DEM será uma referência de gestão eficiente ou de fraude à lei eleitoral?

RETRATO – III
É bom não esquecer que o DEM é o partido de Cláudia Regina e Rosalba Ciarlini, ambas afastadas dos mandatos por denúncia do Ministério Público Federal e condenadas pelo Tribunal Regional Eleitoral.

EFEITO – IV
Se confirmadas as decisões locais, em Brasília, pelo TSE, terá caído o argumento de honestidade que alimentava o governo, mesmo diante de um desgaste que chega a ultrapassar o grave patamar de 80%.

PESO – V
Mantida o afastamento da governadora e a posse definitiva de Robinson Faria muda completamente o cenário eleitoral. A candidatura Robinson Faria passará a tirar o sono de alguns dos seus adversários.

ESTILO – VI
Difusa e sem coesão a nota do deputado Henrique Alves. O que tem um julgamento de crime eleitoral com a crise de um governo em crise há três anos, desde a posse? Henrique precisa de um bom redator.

PÍFIO – VII
Pífia a cobertura das rádios e tevês ontem, quando da decisão do TRE. Só este JH em perfeita sintonia com a gravidade do julgamento deu manchete e a FM 96 foi a única a fazer jornalismo de qualidade.

AGOURO?
Agora é a hora de perguntar: ao fazer a previsão de queda da governadora Rosalba Ciarlini muito antes da decisão do TRE, ontem, o deputado Nélter Queiroz falou apenas por intuição ou tinha informações?

ALMOÇO – I
A ex-governadora Wilma de Faria reúne os jornalistas da área política num almoço natalino, amanhã, quinta, às 12h30, no buffet de Renata Mota. Da entrada à sobremesa o cardápio terá gosto de sucessão.

ALIÁS – II
Há no wilmismo, muito dissimuladamente, a desconfiança de que ao lado do DEM não será possível sustentar um discurso de oposição. E talvez esteja ai, hoje, a maior dificuldade da chapa majoritária.

BAGOAS
Nas livrarias a nova edição da revista Bagoas, especializada em estudos sobre a sexualidade. Neste número nove. E partir de agora com a publicação de dossiês temáticos. O primeiro sai sobre o aborto.

SERIDÓ
Moacy Cirne e Abimael Silva lançam sábado, das 9 ao meio dia, no Sebo Vermelho – Av. Rio Branco, 705 – ‘Seridó, Seridós’. Reunião de textos, sonhos, reminiscências nos velhos caminhos da saudade.

NAVARRO
Também sábado, no salão de Nalva Melo Café, na Ribeira, numa tertúlia que vai começar ai por volta das 19h, a jornalista Sheyla Azevedo autografa sua bela biografia ‘Navarro: um anjo feito sereno’.

POESIA
Da poetisa Maria José Gomes versos do poema Elo, do seu livro ‘O Beijo de Eros que acaba de lançar: ‘Vem voando, anjo aberto! / Vem cá perto, / dá-me a boca feito verso. / Tira esse deserto de mim!’.

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