Um passo pra lá, dois pra cá

No ritmo de bolero, Lula da Silva, senhor todo-poderoso do PT e decisivo no aconselhamento da afilhada-sucessora, orientou a cúpula…

No ritmo de bolero, Lula da Silva, senhor todo-poderoso do PT e decisivo no aconselhamento da afilhada-sucessora, orientou a cúpula da sigla e a presidente da República a reabrirem “imediatamente” a interlocução com o PMDB. Segunda bancada da base governista na Câmara e a primeira no Senado, além de contabilizar o maior número de prefeitos e vereadores do país, o partido merece ser tratado com as deferências estabelecidas no catecismo da habilidade política.

Foi o que o ex-chefe do governo disse à senhora Rousseff e a Rui Falcão (dirigente nacional do petismo), segundo dois estrelados da corte lulista. Em nenhum momento, porém, citou o líder da bancada de deputados peemedebistas, Eduardo Cunha (*), mas referiu-se a colegas que dialogam com o fluminense. Por exemplo, Eliseu Padilha (RS), Henrique Eduardo Alves (RN), Leonardo Quintão (MG), Osmar Serraglio (PR) e Rose de Freitas (ES).

Propôs ainda atenção “no ponto certo” a Michel Temer (SP), vice de Dilma. Também, a senadores com histórico de influência na agremiação. Entre os lembrados, José Sarney (AP), Renan Calheiros (AL), Eduardo Braga (AM), Luiz Henrique (SC) e Valdir Raupp (RO). Aliás, ontem, Lula retornou telefonema feito na véspera por Raupp, comandante (em exercício) do PMDB nacional.

(*) Há uma estratégia comentada no Planalto que não terá sustentação. Fala-se que a proposta é do chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. O propósito seria isolar Cunha. Em verdade, ele elevou o tom de crítica ao governo e ao PT. Mesmo assim, a manobra não vai adiante. O líder do PMDB na Câmara é bem articulado. Interpreta o sentimento de insatisfação dos aliados, sob os aplausos da oposição oficial. É dele a frase: “Não tem quem me cale.”

 

Em alta tensão

Reação ao bolivariano Nicolás Maduro, herdeiro de Hugo Chávez.

Fernando Henrique Cardoso (foto) foi um dos políticos latino-americanos a assinar carta aberta na qual é referida “a alarmante escalada de violência… e rápida deterioração dos direitos humanos e liberdade de imprensa” na Venezuela.

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Dois outros ex-presidentes sul-americanos – Alejandro Toledo (Peru) e Ricardo Lagos (Chile) – subscreveram o documento, publicado em jornais do continente e, também, da Europa e dos Estados Unidos.

Mais um coautor: Óscar Arias Sanchez, Prêmio Nobel da Paz (1987) que presidiu a Costa Rica, país de tradição democrática banhado pelo mar do Caribe.

 

– Deputados tucanos votam contra o projeto do Marco Civil da Internet. Acompanham o apelidado ‘Blocão’, grupo pluripartidário liderado pelo PMDB. O projeto tranca a pauta da Câmara desde outubro do ano passado.

– Ao chegar a 10,75% ao ano – e vem nova elevação em abril, talvez para fechar em 11% -, a Selic (taxa de referência dos juros) passou de remédio a veneno. Inibe os investimentos.

– Cremado hoje no Recife o corpo de Sérgio Guerra, economista e político pernambucano. Foi senador e deputado (federal e estadual), com o brilho do talento, a habilidade do conciliador e a elegância no trato. Bom orador e frasista, desfalca a difícil campanha ao Planalto do mineiro Aécio Neves, seu amigo e companheiro no PSDB, partido que presidiu.

– Se candidata ao Senado, como parece, a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) vai aguardar a confirmação das urnas sobre o prognóstico das sondagens de intenção de voto. A vice-prefeita de Natal é pule de dez.

-Eduardo Campos ignora as reclamações de Marina Silva e leva adiante as articulações com o PP gaúcho. O presidenciável quer o PSB no palanque de Ana Amélia Lemos, senadora candidata à sucessão do governador (recandidato) Tarso Genro (PT).

– Henrique Eduardo Alves chega dos Estados Unidos, nesta sexta-feira. Amanhã, em Natal, reúne-se com Fernando Bezerra. Conversa, aparentemente definitiva, a respeito da candidatura do ex-senador e ex-ministro ao governo.

– Para refletir: “O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude, a dúvida” (Carl Sagan, cientista estadunidense).

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