‘Um Presente de Natal’ readapta conto de Rubem Alves em quatro dias

As apresentações acontecem entre os dias 23 e 26, na praça de Mirassol

Conrado Carlos
Editor de Cultura

O natalense acostumado com a peça Um Presente de Natal, encenada desde 1997 para celebrar o nascimento de Cristo e o aniversário da cidade, terá uma surpresa ao ver a nova adaptação do texto de Rubem Alves. Durante quatro dias (entre 23 e 26 de dezembro), sempre a partir das 20h, na praça do Conjunto Mirassol, diante da arvore iluminada, a história de Gaspar, Baltazar e Melekhor, os três reis (nome do conto inspirador) que não se conhecem, mas que se unem para localizar uma estrela brilhante observada numa gruta onde mora um casal e seu filho recém-nascido, ganhará elementos políticos.

“Política no sentido bonito do termo, com esperança, sabedoria e o saber governar. Estamos sem rei. Vivemos um momento político complicado. Hoje não temos a verdade, a juventude está descrente e nosso compromisso é passar algo que conforte as pessoas”, afirma Diana Fontes, idealizadora e diretora da peça que usa temas atuais para fazer uma grande metáfora da narrativa bíblica. O trio de soberanos enfrenta uma encruzilhada com quatro direções: norte, sul, oeste e a estrela no quarto trajeto. Qual escolher? “Esse ano o que nos provocou foi exatamente a pergunta: o que é ser um rei?”.

Diana tem a companhia de Danilo Guanais, roteirista de Um Presente de Natal. A resposta à pergunta instigante, conhecida por todos, surge na mudança de vida que o encontro com a criança provoca nos três – um quer virar poeta, outro, palhaço, e o terceiro, fabricante de brinquedos.

Chegam de navio, cavalo e camelo e saem revigorados, com os pés firmes em direção à essência do ser humano – além de escritor, Rubem Alves é educador, teólogo e psicanalista. Com o custo de R$235 mil, verba conseguida através de leis de incentivo cultural, Diana destaca as abordagens anteriores para valorizar a de 2013.

“Já falamos das Mães de Maio, na Argentina, dos Sem-terra e das Guerras Santas. A peça, mais que reforçar o nascimento de Cristo, quer tratar do legado que ele deixou, que é muito importante. Conceitos de generosidade e fraternidade são  fundamentais nesse período [natalino]de acriançamento, de união, de acreditar, como dizia Rubem Alves”. A redução dos recursos impossibilitou que a peça fosse encenada no interior do Estado, como aconteceu em temporadas anteriores. “Já fomos a Pau dos Ferros, Mossoró, Caicó e outras cidades. E levamos também para os bairros de Natal, com uma carreta servindo de palco”, lembra Diana.

Com uma hora de duração, o espetáculo valoriza os artistas da terra desde a idealização, criação, execução, produção, realização e patrocínio – são mais de 80 colaboradores. No palco, 30 atores ensaiaram por dois meses a história de significados da sabedoria do universo infantil contada através da história dos três reis. “Arte não é cara. Ela é provocadora, transformadora. Por isso, não tem preço. Mas ano que vem, quando comemoraremos os 18 anos da peça, queremos voltar a levá-la para o interior e aos bairros carentes de Natal.”

GBB

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