Um time em agonia – Alex Medeiros

Esse negócio de amarrar o amor na chuteira e confiar na garra das arquibancadas, como ilustra a musiquinha do banco…

Esse negócio de amarrar o amor na chuteira e confiar na garra das arquibancadas, como ilustra a musiquinha do banco Itaú e como estimulou a mídia pacheca no cântico à capela do Hino Nacional, não está funcionando bem na realidade dos nervos.

A seleção brasileira que jogou contra o Chile foi a mais desequilibrada no aspecto psicológico já vista numa copa. E olha que o espírito auto-ajuda de Felipão e Parreira e uma psicóloga plantonista na delegação eram tidos como a força maior do grupo.

Pois não é que na partida das oitavas, contra o velho freguês dos Andes, faltou exatamente aos jogadores da seleção mostrar a tal força que Fernanda Takai canta na TV a cada break comercial. O que foi aquilo? O time parecia borrado nos calções.

Na verdade, acho que já entrou borrado na alma. Não foi normal Neymar descer do ônibus e danar-se a cantarolar alto o som que ouvia no headphone assim que viu a imprensa. Lembrou o medroso assobiando no escuro para espantar alma penada.

A agência de notícias Reuters publicou um fato praticamente ignorado por grande parte da mídia brasileira. O zagueiro Thiago Silva implorou, com olhos mareados, para Scolari não escalá-lo nas cobranças de pênaltis. Gente, o cara é o capitão do time.

O goleiro Julio Cesar já estava chorando antes do juiz apitar o final da prorrogação. E ele é um dos jogadores mais experientes do grupo. O Brasil só jogou o primeiro tempo, graças às boas atuações de Neymar e Luiz Gustavo. E à garra incansável de Marcelo.

Por nervosismo ou por medo após tomar um tostão na coxa, Neymar desapareceu no segundo tempo e na prorrogação. Sua ausência provoca no Brasil o mesmo que ocorre na Argentina quando Messi não pega na bola. O adversário tomou conta do jogo.

E era só o Chile, ainda nas oitavas, convém repetir e lembrar. A seleção da família Scolari é um amontoado de meninos chorões, tremendo com medo de errar a lição de casa. E falta no gramado a referência madura que tantas vezes reclamei aqui.

Em 100 anos de seleção e 84 de Copa do Mundo, é a primeira vez que o Brasil atua com um menino de 22 anos sendo o carregador de piano e o responsável pelo êxito ou fracasso de uma jornada que tem 200 milhões de olhos cobrando produtividade.

A carga emocional nas costas do time é também culpa da imprensa pacheca, que a partir do ano passado decidiu entender que a Copa das Confederações era um torneio exemplar para definir os rumos do grupo. E achou que a seleção estava pronta.

O técnico Felipão embarcou também no ufanismo de véspera e uma nação inteira, que somente de quatro em quatro se descobre patriótica, tratou de fazer o resto do estrago. O que se viu sábado foi uma seleção esgotada no equilíbrio emocional, em pânico.

A deficiência no meio de campo (que está virando uma marca do futebol tupiniquim) continuou do mesmo jeito. O buraco aberto pela má fase de Paulinho lembra a cratera de Mãe Luíza. Tapa num dia e abre de novo no outro. Foi assim contra o Chile.

A entrada definitiva de Fernandinho como dono da vaga foi cantada em prosa e verso, aí o rapaz não deu conta do recado e foi substituído por William, que nada resolveu também. Homens de criação, só há dois, um apagado em campo e outro no banco.

Oscar vive uma crise de criatividade, como os compositores de esquerda que pararam de produzir coisas boas na democracia. Está longe de repetir o que fez no Chelsea. E seu reserva imediato, Hernanes, tem sido uma incógnita a provocar apenas palpites.

Contra a Colômbia, na sexta que vem, o nervosismo do sábado passado pode não encontrar a sorte das duas bolas na trave de Julio Cesar. Tudo bem que o time de James Rodriguez não tem tradição em copas, mas no momento joga o melhor futebol.

O Brasil não terá o volante Luiz Gustavo e ainda corre o risco de não contar com Neymar. É fácil calcular o sufoco sem os dois mais produtivos do time. O melhor a fazer, além de cantar a ridícula musiquinha do “com muito orgulho”, é rezar.

Rezar para que o sofrimento contra o Chile não tenha sido uma agonia adiada. (AM)

Convenção

Apesar do predomínio das bandeiras vermelhas do PCdoB (maioria) e PT, a convenção do PSD foi uma festa ao clássico estilo republicano dos EUA, com serpentinas de balões em azul, vermelho e branco e a presença dos familiares do candidato.

Convenção II

Robinson Faria esteve todo o tempo no palanque acompanhado da esposa, dos filhos, genro e nora. Foi festejado pela multidão o tempo inteiro e principalmente nos discursos das lideranças de esquerda, como Fátima Bezerra, George Câmara e Mineiro.

Acordão

Praticamente todos os oradores – e foram mais de duas dezenas – utilizaram o termo “acordão” e criticaram a extensa aliança do PMDB e PSB. Robinson concentrou seu discurso no duo “sonho e resistência” e citou Mandela na vitória sobre o medo.

 Ficha limpa

Um dos discursos mais duros da convenção foi o do deputado José Dias, que pregou o voto nos candidatos da aliança com Robinson e Fátima Bezerra “porque são todos fichas limpas”, numa clara alusão aos processos contra nomes do PMDB e PSB.

Betinho

Os filiados do PP foram em peso para a Zona Norte e o deputado federal Betinho Rosado discursou e pediu o voto em Robinson, Fátima Bezerra e Dilma Rousseff. Dias antes, setores do PT resistiram à aliança com o seu partido, que é da base de Dilma.

Costa Rica

Robinson repetiu no meio do discurso o episódio que já foi revelado aqui na coluna, na semana passada. Durante a convenção nacional do PSD, a presidente Dilma desejou-lhe sucesso e disse “lembre-se da Costa Rica, que é a grande surpresa da Copa”.

Mossoró

Milhares de pessoas com camisas amarelas sugeriam até o clima de Copa do Mundo, mas eram seguidores do prefeito Silveira Jr., de Mossoró, que comandou a maior caravana da festa e fez um discurso duro em favor da chapa Robinson/Fátima.

Oficial

A partir dessa semana, as coligações e candidatos avulsos deverão adquirir o registro oficial na Justiça Eleitoral, abrir contas bancárias específicas para a campanha e ter CNPJ para anular o caráter pessoal das chapas. Só depois é que a luta começa.

Vai feder

Tem repórter de veículo nacional em Natal e não é para fazer matéria sobre o legado da Copa. Nos primeiros contatos com pessoas locais, o jornalista indagou sobre fatos que antecederam algumas licitações publicitárias. E perguntou sobre medalhões.

Prejuízo

Representantes do comércio em todo o Brasil começam a fazer as contas e a reclamar do mês da Copa. As vendas caíram em diversas sedes. Os turistas vieram para ver jogos, beber e comer. A festa só foi boa mesmo para hotéis, bares e restaurantes.

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