Uma chapa para 2014

Ninguém pode por em dúvida: uma chapa reunindo o PT de Dilma Rousseff e o PMDB de Henrique Alves deve…

Ninguém pode por em dúvida: uma chapa reunindo o PT de Dilma Rousseff e o PMDB de Henrique Alves deve ser, sim, do agrado do ex-presidente Lula. Fernando foi líder de Lula no Senado no seu primeiro governo e Fátima Bezerra é deputada federal, hoje o símbolo mais forte do PT no Rio Grande do Norte. Tê-los juntos, reunindo na cabeça da chapa os dois partidos que dão sustentação ao governo petista, seria a composição capaz de atender ao modelo da união dos fortes contra os fracos.

A fórmula não é mágica. Pelo contrário: é real e possível. E seria redonda e sem arestas se não levasse na sua própria formulação, um fato excludente: a ex-governadora Wilma de Faria. Uma vez de fora, tanto pode se acomodar e disputar uma das oito cadeiras de deputado federal como pode lançar-se à última grande ousadia de sua trajetória política como candidata ao governo e, neste caso, contra um novo acordão de poderosos, ela que tem a posição mais confortável nas pesquisas locais e nacionais.

Mas, como a toda ação corresponde uma reação, a chapa poderosa teria dois caminhos: manter o confronto Wilma versus Fernando ou buscar no Ministério da Previdência o senador Garibaldi Filho, o único nome, segundo as mesmas pesquisas, capaz de enfrentá-la num forte combate e sem favoritos.

A formação da chapa majoritária terá sempre o papel de fulcro definidor dos conjuntos de forças, suas nuances e tonalidades. E os políticos sabem que é assim, daí a cautela quando não anunciam decisões.
Também não é razoável imaginar que as posições e contraposições não são avaliadas por todos eles. Claro que são. Eles sabem o que representa cada peso e o papel de certas fórmulas que mesmo sem fontes declaradas são lançadas à opinião pública como testes. Balões de ensaio que ganha os céus e depois caem no quintal de quem lançou com as informações que desejam ter. E assim projetam todas as reações que imaginavam agora enriquecidas com reações de cada jogada em um tabuleiro invisível.

Mesmo que não saia agora – e não sairá – a chapa majoritária será objeto de muitas sondagens até as águas de março naquele queira-ou-não-queira que está na própria canção de Jobim. Em política a verdade tem seu tempo de maturação. E os políticos são mestres na arte de conhecê-lo nos segredos e minudências de uma tessitura que só eles sabem tecer, fio a fio. Se nada será como antes, como ensina outra canção, nem por isso as mudanças serão assim tão grandes entre personagens sempre tão iguais.

Pode até ser que amanhã o PMDB e o PT lancem a chapa Fernando e Fátima Bezerra, ele para governador e ela senadora. Pode ser este o objetivo: unir dois fortes para evitar o retorno de Wilma a um mandato de senadora, o que a credencia a oito anos de espaço na política. Mas, descartá-la não será tão fácil como publicar a notícia, fazê-la caminhar e chegar a toda parte numa velocidade absoluta. Em política há uma lei que às vezes, de tão forte, muda até o azimute: o privilégio de dispensar privilégio.

 

OCULTAS
Depois de culpar as elites natalenses, a comunicação, as pesquisas e um complô, a governadora Rosalba Ciarlini culpa agora as forças ocultas pelas mazelas que o RM vice hoje. Jânio Quadros começou assim.

ALIÁS
Nas duas últimas pesquisas – a qualitativa da Olsen contratada pelo PMDB e a do Ibope nacional que apontou a governadora como a pior do Brasil – os resultados não foram apontados por pesquisas locais.

SILÊNCIO
O deputado Henrique Alves preferiu esperar a colheita com a ‘Chapa Bezerra’, com Fernando e Fátima para o Governo e Senado. Brasília planta, Brasília colhe. Como quem planta feijão macaça com a chuva.

PECADO – I
O pecado do luxo fez o abade do Mosteiro de São Bento, Dom João Evangelista Kovas, em Olinda, ser convidado a renunciar. Estava destoando da humildade do Papa Francisco ao cometer o pecado do luxo.

LUXO – II
Como se a ordem beneditina não fosse um símbolo de saber e humildade Dom Kovas teria até comprado um tapete persa para decorar seu gabinete. Esqueceu as paredes conventuais têm velhos olhos e ouvidos.

ALIÁS – III
Para assumir interinamente foi indicado como prior Dom Luiz Pedro Soares, monge norte-rio-grandense e terá ao seu lado, como vice-prior, a grande e bela figura humana de outro nome nosso: Dom Policarpo.

CRÍTICAS
Este cronista voltou a ser acusado de anticlerical na reunião do Conselho Episcopal. Esta coluna noticia o que acontece nos escaninhos das sacristias. Com uma fé feita de libertação, nunca a serviço do poder.

FACA
De um rosalbista ressabiado com tanto insucesso diante de um DEM que hoje abandona a governadora à sua própria sorte: ‘É um partido que só serve para os filhos, dando mandatos a uns e empregos a outros’.

COMO?
Os procuradores da Prefeitura culparão esta coluna se tiverem seus salários nivelados ao teto do ministro do Supremo, ou seja, R$ 25 mil. O que temem, afinal? A lei que aplicam contra os salários dos outros?

VINHO
O Tribunal de Contas proibiu a Prefeitura de São Gonçalo de incluir uma garrafa de vinho em cada cesta básica a ser distribuída ao povo. Homens de pouca fé.  Não acreditam que o vinho é o sangue de Cristo.

FESTA
Vem ai mais uma esta, agora uma imposição da Fifa, a toda-poderosa que faz exigências para vender os seus ingressos sem medir consequências: O Fifa Fan Fest. Ou seja: a Farra Fan Fest. Beradeiro só sofre.

BRILHO
Quem brilha nas páginas da Expedição Brasil Gastronômico, um bela edição da Melhoramentos, já nas livrarias, é Jardelino Lucena. Ele fala sobre história e tradição da mesa brasileira e norte-rio-grandense.

ARCA
A Companhia das Letras não deixou de incluir nas obras completas que marcam cem anos de Vinícius de Moraes as letras de A Arca de Noé, ilustrações de Laura Beatriz. Depois do CD e do show, o livro.

POESIA
De Vinícius de Moraes aqueles versos marcantes do poema ‘A Casa’: ‘Era uma casa / muito engraçada / não tinha teto / não tinha nada. / Ninguém podia / entrar nela não / porque na casa / não tinha chão’.

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