Uma questão de ideia fixa – Walter Gomes

Everaldo Pereira comportou-se, ontem, como paciente pastor diante da insistência de Patrícia Poeta, da banca do ‘Jornal Nacional’, da rede…

Everaldo Pereira comportou-se, ontem, como paciente pastor diante da insistência de Patrícia Poeta, da banca do ‘Jornal Nacional’, da rede Globo de televisão.

– Foi ou não foi um toma lá dá cá?

Perguntava a apresentadora ao nervoso e aparentemente ingênuo candidato do PSC à Presidência da República.

Referia-se aos quase R$ 5 milhões repassados pelo PT, em 2010, ao partido de Pereira que aderira ao projeto eleitoral de Dilma Rousseff.

Ele não negou; nem podia. Tratava-se de fato real. Deu razoável explicação: cobertura de despesas da campanha. Como desmentir, se são milionários os gastos eleitorais?

Mas, à beira da irritação, a jornalista persistia na mesma pergunta três ou quatro vezes.

O tempo perdido na implicância poderia ser usado quando Pereira prometeu reduzir o tamanho do Estado brasileiro a partir da privatização da Petrobras, “foco de corrupção e dividas astronômicas.”

Lugar na ribalta

Quem é mesmo o vice de Marina?

Repete-se a pergunta desde que Beto Albuquerque (foto) fora incluído na lista dos possíveis nomes para companheiro de chapa da candidata ao Palácio do Planalto.

Ele não é nenhum desconhecido, embora, até dia desses, pouco citado no noticiário nacional.

Gaúcho de Passo Fundo, formado em Direito, 51 anos, aguerrido no debate, Albuquerque é líder (reconduzido) dos socialistas na Câmara. Cumpre o sexto mandato parlamentar, dois na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Disputava difícil embate para conquistar a vaga de Pedro Simon (PMDB) no Senado. Aos 84 anos, Simon desistiu de concorrer.

Ao lado de Márcio França e Rodrigo Rollemberg compunha o trio de confidências políticas da estima de Eduardo Campos.

França, deputado federal, é candidato a vice do tucano Geraldo Alckmin, favorito a ganhar o quarto mandato no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Rollemberg, senador, é o terceiro colocado na campanha para governador do Distrito Federal.

Direto no alvo

Tem algum sentido o comentário do presidente nacional do PSB.

No Recife, em bate-papo com jornalistas, Roberto Amaral apontou para a candidata da sigla à Presidência da República e falou:

“Antes, Marina era a grande eleitora de Campos. Agora, é o contrário.”

Em seguida, Amaral desmentiu que tenha problemas na relação com a senhora Silva, “como dizem alguns coleguinhas de vocês.”

Hoje, possivelmente não. No passado recente, sim.

Leitura Dinâmica

– Ontem, na estreia do horário eleitoral, Aécio Neves repetiu José Serra e Geraldo Alckmin, quando candidatos ao Executivo da República. Ignorou o único tucano que chegou ao Palácio do Planalto e ali ficou oito anos: Fernando Henrique Cardoso. ‘Esconder’ FHC foi estratégia inconsistente para Serra e Alckmin.

– São 35 as cadeiras do PSB na Câmara. Planeja acrescentar cinco deputados, pelo menos, na eleição de outubro.

– Estabilizou-se a taxa de inadimplência nas operações com cartão de crédito. Deve ficar ao redor de 7% até o fim do ano, avalia o mercado do dinheiro de plástico. Bate recorde, entretanto, o volume de cheques devolvidos, informa a Serasa Experian.

– Dilma Rousseff esteve hoje em Minas Gerais. A presidente recandidata gravou cenas para o programa eleitoral.

– Comentário de um deputado da oposição após inútil visita ao gabinete de diretor de fábrica de veículos: “As montadoras estão fechadas com a presidente Dilma.” Explicação do parlamentar: “São gratas por todos os benefícios que vêm recebendo desde o governo Lula.”

– Wilma de Faria (PSB) e Fátima Bezerra (PT) dependem do próprio prestígio popular no confronto para o Senado. Os candidatos a governador que apoiam não lhes dão voto. Eles é que se beneficiam delas, especialmente na capital.

– Para refletir: “Agradecidos são aqueles que ainda têm algo a pedir” (Dino Segre – o Pitigrilli -, escritor italiano).

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