Uma relação difícil

Marina Silva desautoriza composições regionais de Eduardo Campos, seu parceiro de chapa para a Presidência da República. Interlocutores dela dizem…

Marina Silva desautoriza composições regionais de Eduardo Campos, seu parceiro de chapa para a Presidência da República. Interlocutores dela dizem que os acordos contrariam os estatutos da Rede Sustentabilidade. Como não conseguiu o registro do partido de sua criação na Corte Eleitoral, a ex-senadora, com passagem pelo PT e PV, aderiu ao PSB.

Há problemas pendentes, além de outros mal resolvidos, na relação de Marina e Eduardo. A acriana evita alianças que possam colocar a pureza (?) dos princípios da Rede no banco dos réus sob a acusação de coligação eleitoreira profana. O pernambucano, de ligações estreitas com o pragmatismo, tem feito ao longo de sua trajetória política alianças que causam repugnância à senhora Silva. O senhor Campos segue o catecismo de Miguel Arraes, seu avô materno que o iniciou na vida pública.

Arraes, um dos líderes da esquerda brasileira de prestigiada referência externa, chegou ao poder pernambucano com o apoio político-financeiro de parte da direita. No plano nacional, colecionou contatos entre estrelas do conservadorismo. Embora deposto e confinado pela ditadura militar – na sequência, exilado na Argélia porque a França lhe negara abrigo -, o cearense de Araripe teve até a morte, no Recife, quatro meses antes de completar 89 anos, respeitosas amizades fardadas.

O neto Arraes ampliou a versatilidade, ao contrário de sua virtual vice, próxima do sectarismo.

Defesa do amigo

Presidente nacional do PT fala ao birô da coluna.

Rui Falcão (foto) não é político do grito, mas, às vezes, surpreende nos comentários a respeito de adversários do Palácio do Planalto e do seu partido.

Quarta-feira, por exemplo, foi assim.

São dele as palavras que seguem:

“A oposição não tem moral para fazer algum tipo de debate ético.”

Explica:

“O PSDB e alguns de seus satélites estão envolvidos no cartel do metrô paulista e outras coisas mais.”

Falcão considera “Um absurdo” a inclusão de seu amigo Alexandre Padilha, “operoso quadro partidário”, no grupo de ligações com o doleiro Alberto Youssef, “como têm feito parlamentares tucanos e do DEM” (*).

Candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Saúde perdeu, aparentemente, o embalo, conforme petistas do estado. Rui Falcão garante que não, “e o futuro próximo mostrará.”

(*) Quem colocou Padilha no bojo do escândalo foi o (ainda) deputado paranaense André Vargas (ex-petista sem filiação partidária) em telefonema gravado pela polícia.

- Às vésperas da convenção nacional do PT, Lula da Silva é um companheiro que assusta dilmistas, comentam oponentes. Na campanha, o ex-presidente será um fantasma a apavorar a oposição, dizem governistas.

- Campanha cerrada de parlamentares do PROS para derrubar o recém-nomeado ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira.

- Se o senador Pedro Simon (PMDB) desistir de fato da reeleição, o deputado Beto Albuquerque (PSB) candidata-se à vaga do gaúcho de 84 anos.

- Dia 20 é a data anunciada para o PP declarar apoio à reeleição da presidente da República. No Rio Grande do Norte, a sigla é liderada pelo deputado Betinho Rosado (ex-DEM).

- O PMDB tem duas datas sublinhadas em sua agenda. A primeira, 14 deste mês, reunião de parlamentares com a cúpula da legenda; a segunda, 10 de junho, convenção para aprovar a chapa ao Palácio do Planalto.

- Joaquim Roriz (PRTB) anuncia candidatura à Câmara Legislativa. Ele foi governador de quatro mandatos do Distrito Federal.

- Verdade que alimenta o pessimismo. A elevação dos juros não detém a inflação. Há um ano, mais ou menos, o Banco Central aumenta o preço do dinheiro.

- Para refletir: “O livro é a única imortalidade” (Rufus Choate, advogado e político estadunidense).

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