UMA VIAGEM DE VORTA NO TEMPO

Eita Dotô Marco; parece inté qui foi onte! E ói qui já faiz munto mais de dez ano qui o…

Eita Dotô Marco; parece inté qui foi onte! E ói qui já faiz munto mais de dez ano qui o CANTINHO DO ZÉ POVO tenta fazê ais pessoa surrí ô chorá, todo sábo; chôva ô faça só… E mêrmo assim, dotô; O JORNAL DE HOJE inda tá debutando; nuis seus quinze aninho, infóimando e dando hoje, ais nutiça qui uis ôto só vão dá amenhã… E esse poeta véio matuto, nascido na capitá e criado entre ais macambira, xique xique, caatinguêra, páima tora, fachêro; e qui inda hoje “usa sabunête feito de fôia de maimelêro”, tem um orgúio munto grande de fazê parte dêle. Apôis bem! E eu achei por bem; fazê uma viage de vorta a um passado munto mais distante do que a fundação do nosso O JORNAL DE HOJE, quando num ixistia essa tá de grobalização e tequinologia; munto menos a INTERNET… Quage tudo de apetrecho usado nais casa, era importado; a indústria basilêra andava a passo de tartaruga; uis rádio era a vávula, qui a gente tinha qui isperá o peste isquentá, mode saí o som, no mêi de uma “xiadêra” mais disinfiliz do mundo… Ais nutiça do dia, pelo menos lá in nóis; se sabia atravéis do REPÓRTER ESSO, na incunfundíve voz de Waldir Coelho. Aí veio o adivento do transisto no raidínn de pilha; qui quando surgiu, no Ríi de Janêro, apilidaro logo de “brinco de viado”… O grande pulo do gato, chegô junto cum a televisão. Lá na Maiáda de Roça, no município de São João do Cariry-PB, Inácio de Nêga passô uns cinco ano no Ríi de Janêro, e quando vortô, numa roda lá na Budega de Inácio Batista, contando ais nuvidade; quando dixe qui tinha andado p’ru debaixo do chão (se referindo aos túneis); Chico de Marina me catucô, dizendo:

- Borba (Bob), mais Ináço de Nêga vortô fóimado in mintira; vai mintí assim na baxa da égua!…

Aqui mêrmo, na capitá de todos uis Norte-Riograndense, a gente isperava muntos mêis por uma carta, qui era tudo iscrita in papé fino, mode num pesá munto e num incaricê a dispêsa da postage. O invelope, era invelope aéreo, cum ais borda listradinha de verde e amarelo, o qui gerô até a criação pela mininada da época, de uma divinhação:

- O qui é, o qui é; pintadíin qui nem guiné; fala sem tê bôca e anda sem tê pé ?!

- Carta!

Quando murria uma pessoa, a famía agradicia ais cundolença, num cartãozíin dento dum invelope pequeno, cum uma faixa preta, numa dais ponta. Ais nutícia mais urgente, vinha atravéis de telegrama nacioná, tranrmitido atravéis do véio código MORSE; ô por cabo submarino; atravéis da WESTERN. Quem num se alembra do DKW ; o premêro carro fabricado no Brasil ? O motô era de dois tempo; e a porta diantêra, abria da frente prá tráis… Por causa da zuada do motô, o peste tombém tinha o apilido de “mil e um peido”… Quando era uma muié qui tava sentada no banco da frente, quando ela ia saí, dava um tremendo “lance”, mêrmo sem querê; e prá quem tivesse na frente; como diria meu querido e sardoso Nazir da Meladinha; era uma beleza; via inté quage o céu da bôca… Quando chegava um navíi, a Ribêra ficava in festa; a Quinze de Novembro, cheia de cordão de luz; ais radióla de ficha a todo vapô; uis vendedô de churrasquinho faturando arto; e ais minina, “fazedôra de caridade”, contente qui só pinto in bêra de cêica… A Confeitaria Cisne, o Acácia Bar, o Oásis, o Dia e Noite, onde o pobre do Gasolina (Garçon) só fartava indoidá… E uis forró ?! Na Ribêra, a Central, Anda Luzia, Acapulcro, Francesinha. Onde hoje tá sendo cunstruida a ARENA DAIS DUNA, era O FORRÓ DA CORÉIA, que inspirô o grande e sodoso Elino Julião com um duis seus mais cunhincido sucesso… Na Rua Ocidental de Baixo, tinha o famosíssimo FORRÓ DO CHIMBA MEU BOI… O Beréu de Otávio, era na esquina da Rua da Saudade com a Xavier da Silveira; em frente adonde hoje é a Picanha do Quebra Ôsso… E finalizando esse passeio, tenho a úrtima parada na Pensão Royal, onde hoje é a quadra detrás do MIDWAY, para relembrar quando meu amigo Bené, advogado; na época sordado da puliça prendeu ali um cidadão que estava de pijama listrado, numa cadeira de balanço, dizendo qui tinha isquicido a cartêra in casa.  Só quando chegaro na Delegacia da Ribêra, soube através do espanto do Delegado Cel. Mário Cabral, qui aquêle sinhô de pijama era nada mais nada menos, que o Comendador e Folclorista Luiz da Câmara Cascudo…

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