Uma viagem musical IV – Berilo de Castro, médico (berilodecastro@hotmail.com.br)

Continuando a minha saudosa e memorável viagem musical, recordo com encantamento da bela, romântica e inesquecível voz de Maysa Figueira…

Continuando a minha saudosa e memorável viagem musical, recordo com encantamento da bela, romântica e inesquecível voz de Maysa Figueira Monjardim Matarazzo (Maysa Matarazzo: São Paulo/1936- Niterói/RJ-1977).

Nasceu em São Paulo, oriunda de uma família tradicional do Espírito Santo, que depois mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 1937, transferiu-se para Bauru/ SP, e logo depois para a capital, São Paulo. Herdara do pai a veia boêmia. Casou-se aos dezessete anos com o rico empresário de nobre família italo-brasileira, André Matarazzo, dezessete anos mais velho. Da união nasceu Jaime Monjardim Matarazzo (filho único), hoje diretor e produtor artístico da TV Globo.

Em 1959, a sua união matrimonial chegava ao fim, tendo como motivos principais e maiores a oposição a sua carreira musical e ao comportamento boêmio que a caracterizava.

O uso do álcool e de moderadores de apetite (anfetaminas), deixavam o seu temperamento instável, o que fazia cometer escândalos em hotéis, aviões e em seus shows.

Voz com viés melancólico, com exaltação do tema do amor-romântico, dor-de-cotovelo, “fossa”. Foi a principal intérprete da genial compositora/cantora, Adileia Silva da Rocha (Dolores Duran: 1930-1959); com o mérito de ter interpretado da forma mais bonita e dramática a sua mais bela canção: “A Noite do Meu Bem”: “Hoje eu quero a rosa mais linda que houver/ E a primeira estrela que vier/ Para enfeitar a noite do meu bem…/ Ah, como este bem demorou a chegar/ Eu já nem sei se terei no olhar/ Toda ternura que eu quero lhe dar”… Interpretou com muita maestria e arte dramática outras belas canções como: “Solidão”, “Fim de Caso”, “Manhã de Carnaval”, “Samba em Prelúdio”, “Bom dia Tristeza”, “Alguém me Disse”. Postou-se também como excelente compositora, chegando a compor vinte e seis belas canções, entre elas: “Meu Mundo Caiu”, “Tarde Triste”, “Agonia”, “Adeus” e “Ouça”, o seu maior sucesso, cuja letra, dizia a própria Maysa, era um recado para o marido André Matarazzo: “Ouça, vá viver a sua vida com outro bem/ Que hoje eu já cansei / De pra você não ser ninguém”…

Tinha momentos de depressões terríveis , que a levaram ao isolamento na sua casa em Maricá/ Niterói, por onde passou por várias tentativas de suicídio. No final da tarde do dia 22 de janeiro do ano de 1977, após o casamento do seu filho Jayme Monjardim, voltando do Rio para Maricá, sofreu um acidente automobilístico na Ponte Rio-Niterói, vindo a falecer. Apagava-se naquele momento o brilho, a luz de um dos maiores mitos, de uma das maiores estrelas romântica da música brasileira.

* * *

Abelim Maria da Cunha (Ângela Maria: a “Sapoti”). Nascida em Conceição de Macabu/RJ, em 1929, de família humilde, pai pastor de igreja evangélica e a mãe dona-de-casa. Desde cedo já cantava no coral de uma Igreja Batista.

Iniciou a sua carreira artística como cantora no “Pescando Estrelas”, um programa de calouros. Em 1951, gravou o seu primeiro disco, consagrando-se como grande intérprete do gênero samba-canção (surgido na década de 1930), ao lado de outras grandes estrelas, como Maysa, Nora Ney e Dolores Duran.

Possui uma vasta discografia, onde se destacam: “Babalu”, “Cinderela”, “Meu Primeiro Amor”, “Tango Pra Tereza”, “Ave Maria no Morro”, “Ronda” (de Paulo Vanzolini: 1924-2013): “De noite eu rondo a cidade/ A te procurar sem encontrar./ No meio de olhares, espio/ Por todos os bares, você não está”…

Na vida profissional, foi diversas vezes ludibriada pelos seus auxiliares/empresários, ficando muitas vezes em situação de penúria e desespero financeiro.

Pessoalmente, enfrentou problemas difíceis por não poder ter filhos (seu grande e maior sonho). Teve vários companheiros/maridos, com os quais enfrentou situações de difíceis convivências, sofrendo humilhações e até agressões físicas.

Em 1979, com 51 anos, a sua vida mudou para melhor, ao encontrar a sua cara metade, seu príncipe encantado,o jovem Gabriel, de 18 anos de idade. Eles namoraram por 33 anos, e em 13 de maio do ano de 2012, no dia do seu aniversário de 84 anos, ela pediu o namorado, de 51 anos, em casamento.

Em 2012, em uma bela noite de sexta-feira, no Teatro Riachuelo/Natal, fui assistir o seu show, em um dueto com o cantor Aguinaldo Timóteo (excelente voz e boçal. Nem tudo é perfeito!). Percebi, naquele momento do show, que a sua voz já se mostrava cansada e muito curta, sem força para atingir seus inigualáveis agudos.

Diabética, com perda total da acuidade visual em um olho, declarada por ela própria no show. Se mostrava uma figura cansada no palco.

Foi uma noite muito bonita pela sua presença, porém triste, lamentável por antever ser aquele momento provavelmente a sua última apresentação em Natal. Lamentável, muito lamentável! Sentiremos saudades, nossa “Sapoti”!

Compartilhar: