Umbandistas do RN alegam desconhecimento e ofensas em sentença judicial

Juiz Federal volta atrás e reconhece cultos afros como religiões

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Após inúmeras discussões em redes sociais e na mídia nacional, o juiz da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro, Eugênio Rosa de Araújo, reconsiderou sua sentença em que afirmava que o Candomblé e a Umbanda não eram religiões e nesta semana admitiu seu erro, em uma reformulação do documento judicial. No entanto, para umbandistas e candomblecistas do Rio Grande do Norte, o magistrado foi movido por desconhecimento da história e dos detalhes e características das duas religiões de origem africana.

“Ele afirmou que ambas não eram religiões porque não tinham um livro-base, com a bíblia ou o alcorão, por exemplo, e que também não possuíam hierarquia, o que demonstra desconhecimento e desinformação dele, como um jurista federal. Recebemos essa sentença como uma ofensa e discutimos muito isso com os fiéis das duas religiões em terreiros, casas de umbandas e pais de santos no Estado. Não será um parecer jurídico que vai mudar a nossa fé”, afirmou Macilei Maciel, presidente da Federação de Umbanda e Candomblé do Rio Grande do Norte.

Maciel explicou que, apesar de ambas não possuírem um livro-base, apresentam hierarquia sim e até o próprio Governo Federal as reconhecem como religiões, através da Secretaria da Igualdade Racial (Sepir). E que, tanto o Candomblé como a Umbanda podem ser consideradas integrantes do patrimônio histórico nacional, por suas tradições, vestimentas, alimentos e outros itens característicos.

“Não é um parecer jurídico que vai mudar a nossa visão das duas religiões, que pregam também a caridade entre todos para um mundo melhor. Todos nós temos o livre arbítrio para professarmos a nossa fé e aqui no Estado, além destas, temos também uma terceira vertente, que é a Ciência da Jurema Sagrada, que vem dos índios, muito antes do descobrimento do Brasil, tão antiga quanto a africanidade”, explicou o presidente da Federação.

Discussão teve início com vídeos da internet

Em sua nova sentença, o juiz Eugênio Rosa de Araújo declarou que devido ao forte apoio dado pela mídia e sociedade civil, é inquestionável a crença no culto das duas religiões. No entanto, ele mantém a decisão de indeferir a liminar do Ministério Público Federal (MPF) que pedia a retirada dos vídeos postados em site da internet e que contém ofensas ao Candomblé e à Umbanda, desde o início deste ano.

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