Unidade de Saúde em Mãe Luíza é fechada com problemas de infiltração

Salas, já com infiltrações e paredes com mofo, também foram alagadas; Pacientes tiveram que voltar para casa sem atendimento médico devido à interdição

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Marcelo Lima

Repórter

Se a tormenta de servidores e pacientes da Unidade de Saúde Aparecida, em Mãe Luíza, era a insegurança nos primeiros meses do ano, agora a chuva se transformou na protagonista dos problemas. Quem buscou atendimento nesta quinta-feira (29) se deparou com o seguinte aviso assinado direção: “Informamos que hoje não haverá atendimento nesta unidade. Por causa das fortes chuvas, as salas estão alagadas”.

Uma das pessoas que recorreu à unidade foi o morador do bairro Robson Oliveira Mendes, de 21 anos. Ele queria um remédio para a mulher que estava com dor de dente. “O pessoal disse que só amanhã. É um absurdo, né. Não tem nem palavra para dizer. É Tanta coisa que não dá pra tu anotar aí”, revoltou-se.

A unidade de saúde foi aberta hoje pela manhã por volta das 7h30. Mesmo com as salas alagadas, alguns pacientes insistiram no atendimento. Mas logo em seguida as atividades foram suspensas. Na sala do arquivo, pedaços de papelão foram colocados no chão para absorver a água, que escorre até pela instalação elétrica. Uma das paredes dessa sala estava rachada.

Na antiga sala do curativo, a camada de tinta está largando e a parede úmida. Por sinal, não é mais realizado procedimento de curativos na sala, apenas teste do pezinho e procedimentos que exponham menos o paciente naquele ambiente.

No consultório quatro, infiltrações e ar condicionado colaboram para o aparecimento de fungos na parede. “Todo dia essa parede é limpa, mas fica assim”, disse uma funcionária que não quis se identificar. Nos corredores, muitas lâmpadas estão apagadas porque são afetadas pelas infiltrações.

Na manhã de hoje, o piso de muitas salas ainda estava molhado apesar da limpeza feita por profissionais. Aliás, muitas salas não possuem chave. Segundo funcionários, elas são abertas com empurrões. Na sala da direção, as paredes estão deterioradas com ferragem exposta. “Esse banheiro não pode usar porque as fezes saem no outro”, acrescentou uma funcionária.

A sala da vacinação é a única ilesa dos problemas. Segundo funcionários, outra especificidade da unidade é que muitas paredes são de gesso, completadas em pontos estruturais decisivos por concreto. Na entrada do prédio, uma dessas paredes balança com um simples toque.

Ninguém soube informar quando a unidade de saúde passou por uma reforma. Na gestão de Micarla de Sousa, a estrutura foi apenas pintada de verde. Uma das administradoras disse que não poderia dar entrevistas. Em uma das paredes molhadas, ficam as placas de inauguração da unidade, em 1988, e de uma reforma realizada em 1999 na gestão Wilma de Faria.

Enquanto as chuvas não chegavam, os bandidos atrapalhavam o funcionamento da unidade de saúde. Do início do ano até este mês, os servidores da Aparecida já contabilizam quatro ocorrências policiais, entre invasões de bandidos encapuzados procurando inimigos até assalto a uma enfermeira. Depois da última invasão, que quase gerou confronto entre seguranças e bandidos, a unidade ficou quase uma semana fechada à espera de providências de segurança no início deste mês.

Secretário responde

O secretário municipal de Saúde, Cipriano Maia, disse que ainda não havia sido notificado sobre o fechamento da unidade na manhã de hoje. O chefe da pasta disse também que essa situação não é extraordinária. “Numa chuva como essa deve ter alagado em várias unidades. Eu não tive conhecimento, mas o setor de manutenção da secretária deve ter sido notificado para tomar as medidas de praxe nesse caso”, declarou.

De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), o volume das chuvas nos últimos dois dias é considerado normal. Em Natal choveu 38.8 milímetros ontem. Hoje, até o período da manhã, havia caído 22 milímetros de chuva.

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