Uso de antiácidos em pessoas com azia pode reduzir riscos de câncer em 40%

A melhor maneira de evitar os riscos - tanto de azia, quanto do uso de antiácidos por longo prazo - é tentar resolver a causa

Pessoas com uma história de azia frequente, também conhecida como refluxo ácido, apresentam um risco 78% maior de desenvolver câncer nas cordas vocais ou na garganta. Foto: Divulgação
Pessoas com uma história de azia frequente, também conhecida como refluxo ácido, apresentam um risco 78% maior de desenvolver câncer nas cordas vocais ou na garganta. Foto: Divulgação

A azia pode aumentar o risco de uma pessoa desenvolver um câncer de garganta, mas parece que o uso de antiácidos pode ter um efeito protetor, segundo um estudo publicado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention.

De acordo com a pesquisa, pessoas com uma história de azia frequente, também conhecida como refluxo ácido, apresentam um risco 78% maior de desenvolver câncer nas cordas vocais ou na garganta. Mas, segundo os pesquisadores, as pessoas com azia frequente que tomam antiácidos podem reduzir o risco de desenvolver esses tipos de câncer em até 41%.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados de 631 pessoas que faziam parte de um estudo em Boston. Nesse universo, 468 tinham câncer de garganta e 163 tinham câncer de cordas vocais. Esses dados foram comparados com o grupo controle de 1.234 pessoas sem histórico de câncer. Os pesquisadores analisaram o histórico familiar de câncer, a história de tabagismo e a história de uso de álcool dos participantes do estudo, bem como a presença de antígenos e de outras proteínas virais que podem pode causar alguns tipos de câncer de cabeça e de pescoço.

Os pesquisadores descobriram que o risco aumentado de câncer de garganta e de cordas vocais foi maior entre as pessoas que experimentaram azia frequente, mesmo quando eles não tinham histórico de fumar ou de beber. Além disso, medicamentos ou remédios caseiros não têm um efeito protetor contra o aumento do risco de câncer.

“Estudos adicionais ainda são necessários para validar os efeitos preventivos dos antiácidos entre os pacientes com azia frequente. Mas a identificação do refluxo gástrico como fator de risco para o câncer de garganta e de cordas vocais, no entanto, já pode ter implicações em termos de estratificação de risco e de identificação de pacientes de alto risco”, afirma o gastroenterologista Silvio Gabor (CRM-SP 47.042)

O tratamento da azia é feito com mudanças comportamentais, como perda de peso, fracionamento de dieta, não deitar de estômago cheio, evitar alimentos irritantes de mucosa e parar de fumar. A elevação da cama em 30º, fazendo com que a cabeça fique mais alta que os pés, pode acalmar os sintomas.

“Antiácidos só devem ser usados por curtos períodos de tempo. E, claro, a melhor maneira de evitar todos estes riscos – tanto de azia, quanto do uso de antiácidos por longo prazo – é tentar resolver a causa da azia”, orienta o médico, que também é professor assistente de Cirurgia Geral e do Trauma da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA).

 

A cirurgia para tratar a doença do refluxo

A cirurgia é uma opção para tratar pacientes com hérnia de hiato (HH) e doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Pacientes com DRGE complicada por esôfago de Barret, metaplasia ou displasia, com asma ou pneumonia de repetição ou aqueles que não querem fazer uso de medicamentos para controle do refluxo por tempo prolongado (apesar de ficarem assintomáticos com esses medicamentos) podem ter no tratamento cirúrgico uma boa opção.

“A cirurgia (cardipolastia hiatal ou fundoplicatura) consiste no ajustamento do hiato diafragmático alargado ao esôfago e a criação de uma válvula anti-refluxo. Entre as muitas possibilidades descritas, atualmente, a que tem se mostrado mais eficiente é a rotação do fundo gástrico (porção mais alta do estômago) por trás do esôfago e a sua sutura anterior, fazendo com que esse fundo ‘abrace’ o esôfago”, explica Silvio Gabor.

A laparoscopia é considerada a melhor maneira de se operar nos dias atuais, por apresentar menor agressão cirúrgica e proporcionar uma recuperação mais rápida e menos dolorosa. No pós-operatório, o paciente deve restringir sua dieta a líquidos e pastosos por um período que varia de 20 a 30 dias, dependendo da evolução de cada um. Isso deve ser feito para que não se “force” a sutura, que no caso de se arrebentar, pode ser causa de retorno da HH e DRGE.

“Muitos pacientes sentem entalo nas primeiras vezes em que se alimentam, o que reforça a necessidade de alimentação líquida e pastosa no início. Com o passar do tempo e a acomodação da nova posição do estômago, esses sintomas tendem a melhorar. A necessidade de boa mastigação será para sempre, ou haverá sensação de entalo se for deglutido alimento volumoso e mal mastigado (em geral acontece com quem tem pressa na hora de comer). Os resultados dessa cirurgia são muito bons quando bem indicada e quando o paciente segue todas as orientações médicas”, observa o gastroenterologista.

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