Wilma usar passe livre é ridículo e Fátima quis reforma da previdência

"Essa é a maior crítica que faço aos políticos do Estado: o extremo oportunismo."

Lailson Almeida: “Wilma é vice em Natal e o prefeito vetou duas vezes o passe livre”. Foto: José Aldenir
Lailson Almeida: “Wilma é vice em Natal e o prefeito vetou duas vezes o passe livre”. Foto: José Aldenir

Ciro Marques

Repórter de Política

 

Oportunista, feio e ridículo de um lado, absurdo e fraudulenta do outro. Foi assim que o candidato ao Senado Federal pelo PSOL, Lailson Almeida, classificou, respectivamente, as atitudes das duas concorrentes, Wilma de Faria (PSB) e Fátima Bezerra (PT). Uma apresentou como proposta de campanha o passe livre, apesar de jamais tê-lo defendido em Natal. E a outra foi favorável a reforma da previdência social, que terminou por causar grandes prejuízos aos aposentados.

“Essa é a maior crítica que faço aos políticos do Estado: o extremo oportunismo. A candidata Wilma de Faria está sendo extremamente oportunista e fazendo aquilo que chamamos de uma ‘coisa feia’. Vou usar até essa expressão. Ela está fazendo uma ‘coisa feia’, porque está se apropriando indevidamente das lutas sociais, inclusive, utilizando imagens das manifestações. Isso é muito expõe e ridiculariza o fazer político”, criticou Lailson Almeida.

A reclamação do parlamentar não é por acaso e se baseia na postura de Wilma diante do passe livre em Natal, onde ela é vice-prefeita. Lailson relembrou que a matéria foi inicialmente defendida pelos vereadores “de esquerda” (Marcos Antônio e Sandro Pimentel do PSOL e Amanda Gurgel do PSTU) e foi aprovada três vezes na Câmara Municipal de Natal. Contudo, o prefeito Carlos Eduardo, aliado de Wilma, já vetou a medida duas vezes e, apesar do último texto ter sido sancionado por ele, o passe livre ainda aguarda ser implantado na Capital.

“Wilma é vice-prefeita de Natal, e o prefeito, que é o seu companheiro, o seu correligionário, em duas oportunidades, vetou o projeto passe livre. E criou um arremedo que, nem de longe, pode ser considerado passe livre. É uma vergonha, inclusive, que vamos continuar denunciando”, afirmou Lailson Almeida.

“Então, como é que pode ela, agora, vai para a televisão defender o passe livre? É algo, absolutamente, ridículo. Ridículo! É uma coisa feia dos políticos tradicionais do Rio Grande do Norte essa coisa de se apropriar das bandeiras sabe que são simpáticas a amplos setores da sociedade”, ressaltou Lailson Almeida. “Wilma se apropria da luta social que, inclusive, seus partidários sempre foram a favor da repressão, até criando o marco legal que criminaliza isso”, acrescentou.

FÁTIMA BEZERRA

E antes que possa ser classificado com um simpatizante da candidatura de Fátima Bezerra, Lailson Almeida tratou de falar também da adversária petista. “Fátima votou sim pela reforma da previdência, que prejudicou direito dos servidores. Direitos conquistados duramente, relacionados à aposentadoria. Taxou os aposentados de forma, absolutamente, absurda. Com essa reforma, abriu as portas para uma verdadeira fraude, que é a previdência privada do servidor. Então, essa cidadã dizer hoje que não tem nada a ver com isso”, criticou.

“E tem um detalhe gravíssimo que a reforma da previdência ela foi fraudada. Foi aprovada com compra de votos como ficou, obviamente, comprovado no processo que teve a conclusão, inclusive, com a condenação dos responsáveis. Isso tem que ser dito, tem que ser evidenciado. E é contra essa política que nos estamos lutando e que nossa candidatura está nas ruas”, afirmou Lailson Almeida, se referindo ao Mensalão, que levou ex-dirigentes do PT para a prisão.

“Processo eleitoral é antidemocrático e precisa ser reformado”

Com menos de 1% das intenções de voto segundo pesquisa da Consult, divulgada nesta quarta-feira, Lailson Almeida poderia até pensar que já perdeu a disputa e, por isso, a decisão de “atacar” as duas principais adversárias, Wilma e Fátima. No entanto, se engana quem pensa assim. Lailson está motivado, apesar das dificuldades enfrentadas na campanha.

“Em nenhum momento nós temos uma posição de pessimismo. Temos que deixar claro isso. Nós temos uma posição otimista porque temos um cenário que é favorável, um cenário novo que até então nunca tinha se estabelecido, porque a sociedade quer mudança. A questão é como dialogar e buscar esse apoio. Essa é a grande tarefa e o grande desafio da nossa candidatura”, garantiu Almeida.

O candidato do PSOL, no entanto, ressaltou a necessidade de uma mudança completa na política brasileira. “Não dá mais para continuar com esse modelo. Ele exauriu-se. Inclusive, houve até aquelas palavras de ordem, dizendo que o congresso não os representa. Então, temos uma reforma política que tem que ser discutida, mas não tem como ser com um congresso como este que está aí, que não representa a sociedade. A reforma política tem que ser um movimento, eminentemente, de mobilização social e isso é fato”, acrescentou o candidato.

Segundo Lailson, o modelo atual não permite a concorrência igualitária entre os candidatos. “É antidemocrático, porque privilegia setores e prejudica outros. É injusto. Porque, veja só, enquanto duas candidatas ao senado tem seis, quatro minutos, nós temos 42 segundos. Isso é uma demonstração clara de que não é democrático esse processo”, analisou.

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