Valorização absurda: Venda de peixe cresce até 380% durante a Semana Santa

Cioba lidera procura no Mercado do Peixe, nas Rocas

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Os clientes mais habituados a comprar peixes já perceberam, nesta segunda-feira (14), a elevação sazonal do valor do pescado durante a Semana Santa. Por outro lado, os comerciantes confirmam que a procura se intensificou desde o final da semana passado.

No Mercado do Peixe, no bairro das Rocas, o pescado mais procurado é a cioba. Um quilo dessa espécie varia entre R$ 25 e R$ 27 nas diferentes boxes do mercado. “Há uns dois meses cheguei a comprar de R$ 20 até de R$ 22, o quilo”, disse Raimundo Nonato, militar aposentado que há três anos é consumidor do lugar. Dessa vez, ele vai levar um peixe da mesma família da cioba, o dentão.

O militar conta que sempre dá destaque ao peixe na mesa e o hábito começou ainda na infância. “Primeiro porque eu gosto, depois é uma comida sadia e eu cuido muito da minha alimentação. Sempre comi, até porque fui criado na beira do açude”, explicou. Segundo Raimundo, ele consome pescado pelo menos duas vezes por semana em média.

O militar também explica que aprendeu todas as formas de verificar a qualidade do peixe. “O olho tem que estar bem limpinho. Se apertar as escamas, elas tem que voltar e a guelra deve ser bem vermelhinha”, ensinou.

Nonato mora em Nova Parnamirim e aproveita para passar no Mercado do Peixe sempre que vai à casa de familiares nas Rocas. Esse esforço é feito sobretudo em nome do frescor do produto encontrado no local.

Segundo o comerciante José William Ribeiro, a qualidade procurada pelo militar é a principal responsável pela conservação de uma substância que ganhou fama e ajudou a popularizar o consumo de peixe. “Quanto mais novo o peixe, mais ômega 3 ele tem”, disse. O ômega 3 é um ácido graxo essencial que não é produzido pelo corpo humano, mas muito importante para o bom funcionamento do organismo, principalmente do sistema circulatório.

Além disso, o produto recém-retirado do mar traz consigo outras qualidades gustativas. “A diferença também é que no peixe fresco você sente o sabor dele. No supermercado, o peixe congelado fica meio sem gosto. Aqui, a gente faz filé, posta, deixa o peixe pronto para o consumo”, acrescentou.

No box de José William, as vendas nesse período do ano chegam aumentar até 380%. “Numa semana normal a gente vende uns 250 quilos, mas na Semana Santa chega a 1200 quilos”, disse.

Embora a cioba seja a espécie mais procurada, há alternativas de peixes com carne macia e suculenta. Para ele, a única explicação para a intensa procura desse peixe é a tradição. “É pela fama porque são tantos peixes que tem mais sabor que ele”, disse. Ele citou como alternativas a bicuda, pescada amarela e garoupa. Um quilo de bicuda, por exemplo, pode chegar a R$ 18. O peixe mais barato no box do comerciante é o xaréu por R$ 15, o quilo.

Reforma

O Mercado do Peixe passa por reforma exatamente nesta semana de maior fluxo. Na manhã desta segunda-feira (14), funcionários da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) realizavam serviços de jardinagem e pintura das paredes. Segundo o diretor do Departamento de Feiras e Mercados da secretaria, Jonas Mendes, uma câmara fria que estava sem funcionar foi consertada. A Semsur também possui projeto para aproveitar melhor a paisagem do Rio Potengi e a praça da alimentação localizada no primeiro andar do prédio. Segundo Mendes, há um projeto de construção de um deck pronto na secretaria aguardando licitação.

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