‘Venezuela de Maduro’ cassa visto de trabalho de jornalistas da CNN

Após Nicolás Maduro ameaçar tirar a rede do ar, o canal em espanhol da emissora informou que o governo retirou as permissões de trabalho

Manifestantes venezuelanos escrevem nas ruas de Caracas em protesto contra o presidente Nicolás Maduro (Jorge Silva/Reuters)
Manifestantes venezuelanos escrevem nas ruas de Caracas em protesto contra o presidente Nicolás Maduro (Jorge Silva/Reuters)

Depois da ameaça feita pelo presidente Nicolás Maduro de cortar o sinal da CNN na Venezuela, a rede de televisão americana informou nesta sexta-feira que os vistos de trabalho de seus funcionários foram anulados pelo Ministério de Comunicação e Informação. A CNN, que mantém um canal em espanhol no país, afirmou que o governo chavista retirou a permissão de trabalho da correspondente Osmary Hernández, da apresentadora Patricia Janiot e de sua produtora, e do repórter Rafael Romo.

Maduro havia ordenado na quinta-feira que o ministério enviasse um aviso à emissora sobre a abertura de um processo administrativo. O mandatário acusou o canal de fazer “propaganda de guerra”, ao transmitir informações sobre os protestos contra seu governo, que se espalharam pelo país.

A CNN disse não ter sido notificada sobre o processo e, como se fosse necessário, rechaçou a afirmação de que a cobertura das manifestações tenha o intuito de servir como “propaganda de guerra” contra a administração. A apresentadora Patricia Janiot estava, inclusive, negociando uma entrevista exclusiva com o presidente para o canal. “Nós abordamos ambos os lados da tensa situação que vive a Venezuela, embora o acesso aos funcionários do governo seja muito limitado. Esperamos que o governo reconsidere sua decisão. Mas seguiremos informando sobre a Venezuela da forma justa, acertada e balanceada que nos caracteriza como uma empresa jornalística”, diz um comunicado da emissora.

Constrangimento – A apresentadora afirmou ter sido vítima de “hostilidade” por parte das autoridades no aeroporto internacional de Maiquetía quando deixava a Venezuela, na manhã desta sexta. “Me pediram para passar duas vezes pela máquina de raio X, e mandaram que eu tirasse os sapatos. Disseram que havia uma marca escura no salto, que podia indicar a presença de droga ou explosivos”.

Ela disse ter sido encaminhada, junto com sua produtora, a um escritório da polícia antinarcóticos, onde os funcionários fizeram cortes com navalha no calçado. “Quando minha produtora insistiu em me acompanhar à sala de interrogatório, o oficial militar disse: ‘Vão juntas, porque talvez vocês sejam um casal’, o que me pareceu um comentário discriminatório”, contou, segundo declarações publicadas pelo jornal El Nacional. Patricia relatou ainda que sua produtora só pôde ir ao banheiro acompanhada por uma agente, que pediu que ela entregasse o telefone celular e revisou as chamadas e as mensagens registradas no aparelho.

Repressão – Além de limitar a atuação da imprensa no país, o governo está reprimindo as manifestações. No estado de Táchira, a internet foi cortada pelo segundo dia consecutivo. E há planos de suspender o envio de combustível para as cidades onde os manifestantes ainda estão concentrados nas ruas, informação divulgada pelo ministro de Petróleo e Mineração e presidente da PDVSA, a petrolífera estatal venezuelana, Rafael Ramírez.

Sem fazer menção direta aos estados de Táchira, Carabobo, Mérida e Bolívar, além da capital Caracas, onde os protestos são mais frequentes, o ministro afirmou que o governo “se verá obrigado a suspender a distribuição de combustível nas zonas que sofrem com o assédio fascista”, segundo o jornal El Universal.

 

Fonte: Veja

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