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Verdade

Data: 18 março 2013 - Hora: 18:04 - Por: Rubens Lemos Filho

Sectarismo, extremismo, sanha ideológica. Um tripé que me enoja. Seja de esquerda ou direita. Na democracia, todo mundo tem direito de opinar dentro do limite do respeito e até o território invisível do outro. Invadir a área alheia é de quem aprecia tiranos.
O jornalista Juca Kfouri é dos mais brilhantes e respeitados do Brasil. Nem sempre concordo com seus pontos de vista. Mas que o cara escreve pra caramba é inegável e sempre esteve ao lado de boas causas.

Tudo bem. Juca Kfouri até pode nutrir birra pessoal pelo presidente da CBF,José Maria Marin. Mas tem razão quando exige e faz campanha em seu blog para que o cartola de caricatura seja ouvido pela Comissão da Verdade do Congresso Nacional que apura as atrocidades cometidas pela Ditadura.

Marin nunca foi torturador. Mas defendia sicário. Fez pronunciamento sustentando a lorota do suicídio do jornalista Vladimir Herzog, assassinado numa montagem de barbárie confessada pelos seus próprios verdugos.

Marin admirava o delegado Sérgio Paranhos Fleury. Abomino regimes totalitários, seja em Cuba ou como foi no Brasil de 1964 até 1985, com a tragédia da esperança chamada Tancredo Neves.

Fleury, com seus olhos de ódio congelados e brilhantes, arrancou todas as unhas do meu pai no DOI-CODI em Recife. Saiu de São Paulo especialmente para barbarizar Rubens Lemos.

Deu-lhe choques elétricos nos testículos, se divertiu aplicando afogamento por conta gotas no “Chileno”, como chamava Rubão, quebrou-lhe o que restava de dentes, gargalhou enquanto o preso político estava pendurado no famigerado “pau de arara”. Lhe agrediu com cano de ferro quebrando-lhe costelas. Saiu sem uma informação. Papai nunca delatou ninguém. Tinha pavor de dedo-duro. Herdei o sentimento.

Portanto, tenho lá meus motivos para não simpatizar com José Maria Marin nem tampouco lamentar a morte sinistra de Fleury em afogamento duvidoso numa noite escura de 1979 numa ilha em São Paulo. Até hoje suspeitam de queima de arquivo.

O país, como escreveu Juca Kfouri, é presidido por uma torturada e acho um pouco difícil a presidente Dilma Roussef encontrar razões de fígado para dialogar com José Maria Marin sem lembrar do que passou.

A postura de Juca Kfouri e de mais 40 mil pessoas assinantes do manifesto pedindo a convocação ao Congresso e a sua saída do comando do futebol brasileiro, é mais coerente, por exemplo, do que a do deputado federal Romário de Souza Faria(PSB).

Romário foi entrevistado tempos atrás pelo jornalista Kennedy Alencar, outro craque da mídia, na Rede TV, e tangenciou como num drible de corpo sobre um zagueiro ao ser questionado sobre a ditadura. Disse que não iria falar sobre um assunto que não conhecia.  Não nasci em 22 de abril de 1500 e sei que o Brasil foi descoberto nesta data.

Hoje, fica chato também assistir Romário, que já esteve muito bem obrigado com José Maria Marin, criticar seu afeto pelo regime de exceção e lamentar o sofrimento daqueles que lutaram pelo “socialismo”.

A posição de Juca Kfouri é por convicção. A de Romário é coerente. Com seu eterno senso de oportunismo. Foi um  gol contra do ótimo deputado e maior atacante que este país já produziu.

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Ao cair da tarde de domingo a imprensa esportiva do país caiu em estado de pânico. O volante Paulinho, do Corinthians, machucado, está fora da seleção brasileira para os amistosos contra a Itália, quinta-feira e depois contra a Rússia.

Paulinho, hoje, é uma ausência sentida como se fosse um Didi de 1958 e 1962, Gerson de 1970 ou Rivaldo de 2002. Em 1994 só tínhamos cabeças-de-área no meio-campo e Zinho rodando sobre a bola. Romário ganhou a Copa sozinho.

Paulinho está fora e os sites lamentam como se o novo Papa Francisco também tivesse renunciado. Mau jogador Paulinho não é. Da safra atual, é um dos mais toleráveis. É esforçado, vigoroso e costuma fazer uns golzinhos de vez em quando.

Nos anos 1970, por exemplo, teria dificuldade de tomar o lugar de Baltasar ou de Draílton no ABC. De Nicácio, do timaço de 1983, Paulinho não amarrava a chuteira esquerda, a inútil, porque Nicácio, refinadíssimo, batia na bola com o pé direito.

Paulinho não joga, Felipão lamenta ausência de Paulinho e não convoca substituto foram algumas manchetes vesperais. Convocar é difícil pois não há ninguém confiável. É possível que, por vias tortas, o único cérebro privilegiado patropi tenha uma chance de assumir a organização do escrete: Hernanes, o profeta da Lazio. Que joga por 500 Paulinhos.

 

Extremamente fácil
A explicação para(mais uma) vitória do América sobre o ABC. Quando um time escolhe atacar, com jogadores hábeis, e outro se retrai com medo, o resultado de 1×0 é até injusto. O técnico Roberto Fernandes gosta de ganhar. E vence todas. O técnico Paulo Porto prefere não perder. E já perdeu a primeira. Jogando feio.

Diferenças
O América venceu com Netinho, Cascata e Fabinho, excelentes e criativos. O ABC perdeu com três cabeças de área e apenas Júnior Xuxa solitário para municiar um ataque ineficiente. Assim fica fácil para o América manter a escrita.

Campinense
Uma alegria a conquista do Campinense. A Paraíba é irmã do Rio Grande do Norte. Temos grandes afinidades. O Campinense, campeão nordestino de 2013, com dois meias ofensivos, Bismarck, aqui de Natal e Zé Paulo, com passagem pelo Santa Cruz dos Inharés.

Retorno
O título do Campinense recoloca a Paraíba na vitrine. A Paraíba que já teve grandes times e vinha mal nos últimos anos, agora pode crescer e chegar no lugar que lhe é de direito, a Série B, por exemplo. O Botafogo de João Pessoa também vai muito bem.

Machadinho
Meu querido amigo João Batista Machado, Machadinho, mestre de todos os assessores de imprensa do Rio Grande do Norte. Por favor, nem você nem Aluísio Lacerda queiram me convencer outra vez que o Vasco da Gama tem time de futebol. O Vasco de hoje é o pior de todos os tempos. Padrão Série D.

Edmo
Com simplicidade e um estilo didático, Edmo Sinedino, da Rádio 96 FM, é o melhor comentarista de futebol de Natal. No clássico, Edmo deu banho tático sem cacoetes ou clichês.

Lopes
O gol tomado por Lopes não deve coloca-lo na berlinda.

 

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