A verdade sobre o aeroporto – Alex Medeiros

Por Aécio Neves   Nasci no ambiente da política e vivi nele toda a minha vida. Sei que todo homem…

Por Aécio Neves

 

Nasci no ambiente da política e vivi nele toda a minha vida. Sei que todo homem público tem uma obrigação e um direito: a obrigação de responder a todo e qualquer questionamento, especialmente os que partem da imprensa. E o direito de se esforçar para que seus esclarecimentos possam ser conhecidos.

Nos últimos dias, fui questionado sobre a construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas Gerais. Como o Ministério Público Estadual atestou e a Folha registrou em editorial, não há qualquer irregularidade na obra. Mas surgiram questionamentos éticos, uma vez que minha família tem fazenda na cidade. Quero responder a essas questões.

A pista de pouso em Cláudio existe há 30 anos e vem sendo usada por moradores e empresários da região. Com as obras, o governo de Minas Gerais transformou uma pista precária em um aeródromo público. Para uso de todos.

As acusações de benefício à minha família foram esclarecidas uma a uma. Primeiro, se disse que o aeroporto teria sido construído na fazenda de um tio-avô meu. A área foi desapropriada antes da licitação das obras, como manda a lei. O governo federal reconheceu isso, ao transferir a jurisdição do aeroporto ao governo de Minas Gerais, o que só é possível quando a posse da terra é comprovada. Depois, levantaram-se dúvidas sobre o valor da indenização proposta pelo Estado. O governo ofereceu R$ 1 milhão. O antigo proprietário queria R$ 9 milhões e briga até hoje na Justiça contra o governo de Minas.

Finalmente, se disse que a desapropriação poderia ser um bom negócio para o antigo proprietário, porque lhe permitiria usar o dinheiro da indenização para arcar com os custos de uma ação civil pública a que responde. Não é verdade. O dinheiro da indenização está bloqueado pela Justiça e serve como garantia ao Estado de pagamento da dívida, caso o antigo proprietário seja condenado. Se não houvesse a desapropriação, a área iria a leilão. Se fosse um bom negócio para ele, não estaria lutando na Justiça contra o Estado.

Sempre tomei cuidado em não misturar assuntos de governo e questões pessoais. Durante meu governo, asfaltamos 5.000 quilômetros de estradas, ligando mais de 200 cidades. Apesar desse esforço, deixei sem asfalto uma estrada, no município de Montezuma, que liga a cidade ao Estado da Bahia e passa em frente à fazenda que meu pai possuía, há décadas, na região. Avaliei que isso poderia ser explorado. Foi a decisão correta. De fato, na semana passada, fui acusado de construir um aeroporto em Montezuma. A pista, municipal, existe desde a década de 1980 e recebeu em nosso governo obras de melhoria de R$ 300 mil, inseridas em um contexto de ações para a região. Pelo que me lembro, pousei lá uma vez.

No caso de Cláudio, cometi o erro de ver a obra com os olhos da comunidade local e não da forma como a sociedade a veria à distância.

Tenho sido perguntado se usei o aeroporto de Cláudio, como se essa fosse a questão central. Priorizei até aqui os esclarecimentos sobre o que me parecia fundamental: a acusação de ter cometido uma ilegalidade à frente do governo de Minas. Hoje, me parece que isso está esclarecido. Não tenho nada a esconder. Usei essa pista algumas vezes ao longo dos últimos 30 anos, especialmente na minha juventude, quando ela ainda era de terra.

Depois de concluída essa obra, demandada pela comunidade empresarial local, pousei lá umas poucas vezes, quando já não era mais governador do Estado. Viajei em aeronaves de familiares, no caso a da família do empresário Gilberto Faria, com quem minha mãe foi casada por 25 anos.

Refletindo sobre acertos e erros, reconheço que não ter buscado a informação sobre o estágio do processo de homologação do aeródromo foi um equívoco. Mas reitero que a obra foi não apenas legal, mas transparente, ética e extremamente importante para o desenvolvimento do município e da região. (AN, na Folha de S. Paulo)

Enquete Brasil

O candidato tucano Aécio Neves vai liderando, disparado, a preferência dos milhares de internautas que visitam o site “VoteHoje.Com.Br”, que oferece a mais bem elaborada enquete sobre os onze candidatos à Presidência da República. Aécio tem 75%.

Formato

Convém lembrar que enquete não é pesquisa e não tem precisão científica, posto que não há estratificação dos participantes. O acesso é livre para qualquer pessoa clicar no botão do candidato da sua preferência. Já votaram mais de 30 mil desde ontem.

Indiferença

Apesar da imprensa de política preferir não fazer referência, o número de eleitores do RN ainda avesso às eleições de outubro é gigantesco. Os percentuais de Henrique Alves e Robinson Faria são de um mísero universo dos que já se decidiram na campanha.

É pouco

Tanto no PSD quanto no PT o clima é de crença numa virada. A vantagem de 15% de Henrique sobre Robinson e de 11% de Wilma sobre Fátima foi considerada baixa em relação ao tamanho das duas coligações. A campanha segue ainda fria no estado.

Mais uma

Depois da pesquisa Consult, os próximos números sobre eleição no RN serão do instituto paulista GPP, que colocará seus entrevistadores no campo durante o fim de semana com previsão de publicação do resultado até quarta-feira, dia 6 de agosto.

Distrito Federal

O desastre administrativo do PT foi tamanho que o governador Agnelo Queiroz está tomando uma surra de um candidato com a ficha mais suja que negociatas na Petrobras. José Roberto Arruda tem 32% contra 17% e bem menos rejeitado que o petista.

Ação social

O Poder Judiciário do RN decidiu contemplar o projeto Mãos Dadas, da Casa Durval Paiva, que passará a receber doações dos recursos inerentes às prestações pecuniárias impostas pelas decisões judiciais. A casa dará assistência à ressocialização de presos.

Fisioterapia

Boa notícia para o público que depende da saúde pública no âmbito de Natal. A secretaria municipal acaba de disponibilizar os serviços de fisioterapia na Policlínica Norte e na Policlínica Oeste após conclusão de reforma e ampliação nas unidades.

Cultura

Logo que seja concluída uma licitação em andamento, o Solar Bela Vista voltará a abrir suas portas para eventos culturais, segundo informação da jornalista Dodora Guedes, presidente da casa, que passará por uma reforma física e renovação da rede elétrica.

Homenagem póstuma

O advogado Armando Holanda fará amanhã, durante sessão especial da Academia de Letras Jurídicas do RN, o necrológio do Procurador Miguel Josino, que ocupava a cadeira 19. O ato terá início às 10h, no auditório da Procuradoria Geraldo do Estado.

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