Vereadores criticam decisão do TJ sobre licitação dos transportes

Segundo Fernando Lucena, foi um desrespeito do Tribunal e do MP

Fernando Lucena reclamou da decisão do Tribunal de Justiça: “TJ e MP desrespeitaram à Câmara com essa decisão”. Foto: Divulgação
Fernando Lucena reclamou da decisão do Tribunal de Justiça: “TJ e MP desrespeitaram à Câmara com essa decisão”. Foto: Divulgação

O Pleno do Tribunal de Justiça concedeu a medida cautelar postulada na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN), pelo procurador geral de Justiça, Rinaldo Reis, para suspender a eficácia do art. 21, XIII, da Lei Orgânica do Município de Natal, ratificando a liminar já deferida pelo desembargador relator Amaury Moura Sobrinho, e descartando a necessidade do edital de licitação dos transportes ser aprovada pela Câmara Municipal de Natal (CMN).

A decisão, no entanto, não deixou os vereadores satisfeitos. “É uma falta de respeito do Tribunal de Justiça e do Ministério Público à Câmara Municipal de Natal”, afirmou o vereador Fernando Lucena, do PT. Diante da reclamação, por sinal, o líder do prefeito na Casa, o vereador Júlio Protásio, afirmou que a Prefeitura iria sim enviar o projeto da Lei dos Transportes para a Câmara. “Houve um erro de interpretação. Não será necessária a chancela, mas o projeto será enviado”, explicou Júlio Protásio.

O artigo 21 da LOM dispõe sobre a exigência de aprovação pelo Poder Legislativo, de ato de concessão ou permissão de serviço público, inclusive de transporte coletivo e de cemitério particular. Tal fato, no entender do procurador-geral de justiça, exorbita as atribuições de competência exclusiva do chefe do Poder Executivo, o que caracteriza violação à harmonia e independência entre os poderes garantidos pelas Constituições Estadual e Federal.

Rinaldo Reis sustentou, no caso, a existência do perigo da demora, haja vista que tem se tornado cada vez mais difícil a deflagração do certame licitatório do sistema urbano de transporte público do Município, privando o cidadão da prestação de um serviço público de qualidade, sendo obstáculo, inclusive, para o devido cumprimento de sentença condenatória proferida em face do Município nesse sentido.

Tal sentença determina que o Município de Natal promova a devida licitação quando se verificar o termo do prazo de prorrogação das permissões de transporte coletivos concedidas a fim de regularizar, em definitivo, os contratos de transporte coletivo municipal.

A Câmara Municipal do Natal rechaçou a inconstitucionalidade alegada, com base na sua função de fiscalizar e controlar qualquer ato do Poder Executivo, inerente ao sistema de freios e contrapesos, ressaltando, ainda, a ausência dos requisitos para concessão da liminar postulada. Pediu pela improcedência da ação.

O relator, desembargador Amaury Moura, esclareceu que o pedido cautelar foi analisado e deferido anteriormente, tendo em vista a iminência de envio do projeto de licitação das concessões de transporte público pelo prefeito de Natal à Câmara Municipal, o que demonstra a sua urgência.

Ou seja, ele observou que já foi elaborado o projeto de Lei nº 95/2013 e encaminhado à Câmara de Vereadores do Município de Natal, submetendo ao crivo do Legislativo Municipal o ato de concessão do transporte coletivo urbano.

“Assim sendo, por ser inerente à função administrativa, exercida pelo Poder Executivo, em sua função típica, não se pode conceder que o ato de concessão venha a ser revisto pelo Poder Legislativo, que o aprove através de lei, porquanto caberia apenas ao Poder Judiciário a sua análise quanto à legalidade lato sensu”, decidiu o desembargador Amaury Moura.

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