“Vi meu irmãozinho morrer na minha frente. Enlouqueci” – uma leitura emocionante

História de "Onde a Lua não Está" é contada por Matthew, já com 19 anos, totalmente perturbado pela perda do irmão Simon

Não há palavras que possam confortar o coração de alguém que viu próprio irmão, portador de Síndrome de Down, morrer ali, bem na sua frente.

O que resta depois disso é o nada, a sensação de morte que não vai embora jamais.

Perdas irreparáveis e a luta de cada um para superar traumas são os pontos principais de Onde a Lua Não Está, romance de estreia de Nathan Filer.

A história é contada por Matthew, já com 19 anos, totalmente perturbado pela perda do irmão Simon, ainda na infância.

Numa viagem de férias em família, dois irmãos saem numa aventura infantil no meio da noite, mas apenas um deles volta a salvo para casa. Eles só queriam brincar, mas algo irreparável atravessou a vida deles.

Permanentemente assombrado pela morte do irmão, portador da Síndrome de Down, Matthew nunca desistiu de tentar entender o que aconteceu na fatídica noite.

Infelizmente, Matthew acredita que pode falar com seu irmão morto. Nessa passagem, o autor consegue mostrar alguém indefeso diante da sua dor, um fardo que ele não pode compartilhar com seus próprios pais, muito queridos, mas altamente afetados pelo ocorrido.

Logo nas primeiras cenas de Onde a Lua não Está, Matthew presencia o funeral de uma boneca. A brincadeira macabra parece o prenúncio da quebra de sua trajetória, da infância feliz para uma existência conturbada, onde nada mais parece fazer sentido, apesar de todos os esforços do rapaz em tentar entender o que aconteceu com o irmão.

Para o caçula (Matthew), culpa, tristeza e sensação de impotência se transformam em um trauma difícil de superar e despertam uma doença mental. O garoto que corria pelas trilhas do acampamento nunca mais será o mesmo. Ele convive permanentemente com a voz e a presença do irmão.

Filer consegue mostrar de forma divertida as inúmeras passagens de Matthew várias instituições psiquiátricas. Ele é diagnosticado com esquizofrenia. O fato de o autor (enfermeiro) ter trabalhado com uma enfermeira da área psiquiátrica antes de escrever o livro ajudou e muito nas descrições minuciosas que faz.

Comovente, romance de estreia de Filer inspirou um curta-metragem dirigido por Udo Prinsen. www.carambolasfilms.com/films.

A tradução é assinada por Ryta Vinagre.

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Fonte: R7

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