Vigilantes paralisam atividades e bancos ficam fechados durante toda esta 2a feira

Profissionais reivindicam pagamento do adicional de 30% referente à periculosidade da função exercida. Foto: Wellington Rocha
Quem procurou as três maiores agências bancárias localizadas na avenida Rio Branco, no centro de Natal, nesta segunda-feira (14), encontrou as portas fechadas. O motivo foi a paralisação dos vigilantes que prestam serviço de segurança nas agências bancárias, que decidiram reivindicar o pagamento do adicional de 30% no salário, referente à periculosidade da função exercida.
A situação não agradou nada aos usuários, que se m aviso prévio, foram barrados, mas que apesar de entenderem as reivindicações, se viram prejudicados com a paralisação, como aconteceu com a estudante Nelma Fernandes. “Eu entendo que eles lutem pelos seus direitos, mas prejudicar a todos é complicado. Deveria ter pelo menos uma porcentagem de funcionários para nos atender aqui. Tomara que essa situação seja resolvida logo”, disse Nelma.
O adicional reivindicado pelos vigilantes foi sancionado na lei federal 12.720, de 8 de dezembro de 2012, pela presidente Dilma Rousseff. No entanto, as empresas ainda não estão de acordo com a legislação e com isso, esses profissionais decidiram pressionar os empregadores a cumprir com as obrigações.
De acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal dos Vigilantes do Rio Grande do Norte (Sindsegur), Francisco Benedito, os empresários insistem em não pagar o adicional, que foi um direito concedido à categoria. “A partir de hoje faremos diversas mobilizações e paralisações e vamos fechar empresas mais vezes, como fizemos hoje nas agências bancárias, pois sem os vigilantes, os bancários não trabalham. Afinal, é uma área de risco e todo mundo sabe disso. Estamos dando o pontapé inicial, mas isso pode acontecer em todo o país se não resolverem a nossa situação. Infelizmente o resultado pode ser uma greve”, afirmou Francisco Benedito.
Dados de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Vigilantes e Prestadores de Serviços (CNTV-PS) em conjunto com a Confederação Nacional dos Bancários (CNB) apontam que em 2012, no Brasil foram registradas 57 mortes dentro do ambiente bancário e, desse total, 32 eram clientes. Os estados que mais tiveram esse tipo de violência foram São Paulo e Bahia. No Rio Grande do Norte, um cliente foi morto.
O presidente da CNTV-PS, José Boaventura, participou da mobilização dos vigilantes em Natal, e segundo ele, será feito o que for necessário para que se cumpra a lei. “Por enquanto, as paralisações são pontuais e de protesto, mas estamos preparando uma greve nacional por tempo ilimitado com todos os vigilantes, de diversos segmentos. Vamos fazer cumprir a lei lutando e com o apoio dos bancários seremos ainda mais fortes, pois estamos juntos no dia a dia e sabemos o quanto a ambiente bancário é arriscado. Os empregadores têm que admitir e reconhecer essa realidade”, disse José Boaventura.
Sem o trabalho dos vigilantes, bancários e clientes ficam mais vulneráveis aos assaltos dentro dos bancos, e por isso, os funcionários também se uniram aos vigilantes, apoiando as reivindicações da categoria. Além do apoio, referente à segurança de ambos, os bancários também protestam contra o assédio moral e pressão ao qual são submetidos.
De acordo com a presidente do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte, Marta Turra, as duas categorias lutam por condições mais justas de trabalho e, segundo ela, a luta seguirá até o fim. “Hoje é um dia de luta para os vigilantes e estamos aqui solidários a eles, pois compreendemos perfeitamente e convivemos com a mesma situação. Mas também estamos incentivando uma luta que temos há bastante tempo, com campanhas denúncias públicas sobre o assédio moral que os bancários sofrem diariamente. O Banco do Brasil é o principal deles, pressiona os funcionários e sobrecarrega-os, pois não contrata mais pessoas e isso reflete num atendimento de baixa qualidade e na insatisfação do servidor. Estamos exigindo que o banco pare de assediar, e respeite os funcionários. Tem gente que adoece com isso e os problemas não são mais físicos, como antigamente com as lesões por esforços repetitivos, hoje as doenças são psicológicas, devido a tamanha pressão. Não vamos permitir que continue assim, lutaremos até derrubar definitivamente o assédio moral que sofremos”, afirmou Marta Turra.
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