Visão de profissional – Walter Gomes

Ricardo Alcântara é especialista em marketing, sobretudo o político. Comandou campanhas de sucesso no país. Não fica somente aí o…

Ricardo Alcântara é especialista em marketing, sobretudo o político. Comandou campanhas de sucesso no país. Não fica somente aí o que se tem de dizer sobre ele. Sublinhe-se a sua técnica na análise dos atores que fazem parte do fascinante espetáculo da disputa de mandato popular. Seguem algumas observações dele a respeito da candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva.

Propostas – São desconcertantes para o convencionalismo dos programas partidários do Brasil, todos eles comprometidos com uma concepção declinante de desenvolvimento.

Diferença – Tem compreensão visionária de ambientalista antenada com crenças de ordem religiosa que se batem com aspectos da agenda contemporânea.

Contradição – O que nela inspira confiança – ela é meio outsider em relação ao execrado modelo de politico profissional – também pode suscitar insegurança naqueles que mais têm a perder: o cidadão de baixa renda.

Lembra que se segue ao pendor excêntrico da ex-ministra de Meio Ambiente a eclosão de uma candidatura cujos compromissos, “seja por lealdade pessoal ou imposições conjunturais”, desafiam a desenvoltura do seu discurso original.

nnn

Ricardo sublinha: “Em relação a seus adversários diretos, o concerto da candidatura dela é movediço.”

– Por quê?

“Até pelas circunstâncias de quem, de início, apenas buscou abrigo de um palanque e, de repente, se transformou em protagonista.”

Mais:

“A recente pesquisa Datafolha colocou em evidência que o seu potencial está nas ruas. Ali, surge com 21% das indicações sem alterar os percentuais de seus adversários. Havia uma ‘orfandade’ de 1/5 do eleitorado que ela agora acolhe. O curso da campanha dirá se entre eleitores de Dilma e Aécio há parcela em latente desconforto, apta, portanto, a recusar a dicotomia surrada entre petistas e tucanos.”

Final:

“Em Marina o que seduz não está muito distante do que afasta. Ao contrário, atraem e afastam os mesmos aspectos de sua expressão.”

 

Tempo de espera

Quando menos se esperava, veio a convocação.

Foi o que disse ao birô da coluna, manhã de hoje, um grão-duque do tucanato brasileiro em trânsito do Nordeste para a capital paulista.

Referia-se à intimação da Polícia Federal a José Serra (foto).

Ele será inquirido a respeito do cartel de trens em São Paulo, que teria agido no governo Mário Covas (PSDB) e continuado na época em que o também social-democrata Serra comandou o estado.

Primeiro lugar no grupo que concorre à vaga única de senador, José Serra vai depor dia 7 de outubro, 48 horas depois da eleição nacional.

“Lula se esquiva de abominar, de forma rigorosa, a prática de corrupção como no caso do mensalão. Distrai a opinião pública jogando culpa nos outros. Para se defender, ele ataca. Jamais se explica, sempre acusa. Acostumado a atirar pedras, Lula é incapaz de autocrítica.

 

Leitura dinâmica

– Uma agenda importante, porque pode ser esclarecedora. Confirmado para o dia 26 o debate da rede Band – rádio e televisão – com os principais candidatos ao Palácio do Planalto.

– Quarta-feira (27), a Confederação Nacional do Transporte divulga resultado de pesquisa contratada ao DMA, instituto mineiro. Serão avaliados postulantes à Presidência da República.

– Fernando Henrique Cardoso repete o recado à cúpula da coligação de apoio à campanha de Aécio Neves. O ex-presidente pede “ação com serenidade.” Reconhece “as dificuldades do momento”, mas, salienta, “temos potencial para ir à final com Dilma ou Marina”.

– O governo Rousseff abre o baú de ‘gentilezas’ à classe média. A mês e meio do pleito (majoritário e proporcional), incentiva o consumo – facilidades para compra de carros e de residência própria – e, ao mesmo tempo, tenta elevar o minúsculo PIB (Produto Interno Bruto) prevista para o exercício fiscal.

– Para refletir: “A primeira glória é a reparação dos erros” (Machado de Assis, escritor brasileiro).

Compartilhar:
    Publicidade