Vítimas de vazamentos de ‘sexting’ e ‘nude selfies’ dobram no Brasil

Índice de pessoas que tiveram a intimidade exposta na web cresce 110% de 2012 para 2013, de acordo com dados da Ong SaferNet Brasil

Campanha da Ong SaferNet Brasil alerta para perigos do compartilhamento de fotos íntimas na web. Foto: Divulgação
Campanha da Ong SaferNet Brasil alerta para perigos do compartilhamento de fotos íntimas na web. Foto: Divulgação

O número de vítimas que tiveram a intimidade exposta indevidamente na web — através do vazamento de selfies de nudez ou vídeos de conteúdo erótico, práticas conhecidas como sexting — mais que dobrou nos últimos dois anos. Dados divulgados nesta terça-feira pela Ong SaferNet Brasil mostram que, em 2013, 101 casos de exposição foram atendidos pelo Helpline Brasil, um serviço gratuito de orientação psicológica oferecido pela Ong SaferNet Brasil às crianças, adolescentes, jovens, pais e educadores sobre situações de risco e perigo na internet. Em 2012, 48 casos tinham sido registrados. O número indica um crescimento de 110% em relação ao ano anterior. Os pedidos de ajuda tiveram origem em 166 municípios brasileiros.

E as estatísticas indicam que a tendência é esse número continuar aumentando. Somente nos primeiros dois meses de 2014, 21 casos concretos de sexting foram atendidos pelo chat ou pelo e-mail da Ong. A critério de comparação, no ano passado, neste mesmo período, foram apenas três casos.

Para a psicóloga Juliana Cunha, coordenadora do canal de ajuda da SaferNet Brasil, o grande aumento no número de vítimas atendidas pela Ong se deve tanto ao maior número de casos quanto a uma maior procura por ajuda por parte das pessoas afetadas.

“Alguns casos que ocorreram no segundo semestre do ano passado, inclusive com desfechos trágicos, tornaram esse problema mais visível. A mídia deu maior espaço para o assunto, então as pessoas se tornaram mais alertas e entenderam que é possível pedir ajuda. Por outro lado, a intensidade do uso e redes sociais pelos jovens também aumenta cada vez mais, tornando mais fácil o compartilhamento de fotos e vídeos íntimos de outros usuários”, explica Juliana.

Dos 1.861 atendimentos, através de e-mail e chat, realizados entre 2012 e 2013 pela equipe de psicólogos da SaferNet Brasil, 77% foram para adolescentes e jovens: 35,71% das vítimas têm entre 13 e 15 anos, enquanto outros 32,14% estão na faixa-etária de 18 a 25 anos. A grande maioria das vítimas é do sexo feminino. Elas representaram 77% das queixas atendidas pela SaferNet Brasil entre 2012 e fevereiro de 2014.

As crifras se baseiam nos atendimentos realizados pelo Helpline Brasil às vítimas de vazamento de “nude selfies” ou quaisquer materiais íntimos. A entidade, criada em 2005, monitora crimes e violações dos direitos humanos na internet, com atenção especial à pornografia infantil, e encaminha os casos mais graves à Polícia Federal (PF) e o Ministério Público (MP).

Uma outra pesquisa realizada com 2.834 jovens brasileiros pela SaferNet em parceria com a GVT, no ano passado, revelou que 24% diz já ter namorado ao menos uma vez pela internet e, dentre estes, 44% já o fez mais de duas vezes. Já 20% dos entrevistados afirmaram que já receberam conteúdos de sexting e selfie com nudez e 6% reenviaram estas imagens a outras pessoas. Além disso, 68% dos participantes afirmaram ter ao menos um amigo que só conhecem pelas redes sociais, o que aumenta ainda mais as chance de o conteúdo erótico ou de nudez chegar a pessoas mal intencionadas.

‘Mantenha a sua intimidade off-line’

Para tentar conter o número de vítimas de exposição indevida na web, a Ong lança nesta segunda-feira uma campanha batizada de “Selfie”, que alerta para o fato de que “a internet não guarda segredos” e propõe: “Mantenha a sua intimidade off-line”. Em fotos veiculadas nas redes sociais, veículos impressos e até em outdoors da cidade de São Paulo, a ação estimula que os jovens pensem duas (três, quatro, cinco…) vezes antes de publicarem e repassarem fotos nuas ou mensagens de texto eróticas. Em poucas horas a campanha atingiu mais de 10.000 likes e 800 compartilhamentos no Facebook.

Fonte: O Globo

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