Vizinhos negam que gremista seja racista e citam namorado negro

A jovem passou por uma avalanche de julgamento social nas redes sociais

Azambuja conta que jovem não é racista. Foto: Divulgação
Azambuja conta que jovem não é racista. Foto: Divulgação

Quase uma semana após o episódio de injúria racial contra o goleiro Aranha, do Santos, em partida contra o Grêmio em Porto Alegre, Patrícia Moreira da Silva, a jovem cuja da imagem propagada pela TV virou símbolo do racismo da torcida contra o atleta, ainda não voltou para casa. Quem mora próximo de sua casa e a conhece, seja negro ou branco, procura não a julgar apenas por aquele episódio. Justificam que ela não é racista dizendo que ela já teve namorados negros.

Silvia Soares, 25 anos, é negra e vive em frente a casa onde Patrícia mora sozinha. Seu pai já morreu e a mãe vive na região metropolitana de Porto Alegre. Indagada sobre o que foi propagado pela mídia em relação a sua vizinha, ela se mostra compreensiva. “Eu vi aquilo como uma coisa de gurizada, porque quem a conhece saber que ela não é racista. Quem julga não sabe quem ela é”, afirma.

Ainda de acordo com ela, apenas moradores do bairro Passos das Pedras que não conhecem Patrícia demonstraram hostilidade em relação à jovem, apesar de ela não ter sido vista desde que sua imagem ganhou destaque no País. A jovem passou por uma avalanche de julgamento social nas redes sociais.

“Ela nunca foi racista, inclusive, já teve um namorado que era negro”, disse Fernando Azambuja, que mora na casa que fica atrás de onde Patrícia vive há mais de 50 anos. “Quando via aquilo me deu um choque, não sei porque ela se meteu no meio daquela torcida…. para acabar com esses problemas no futebol, em qualquer lugar tem que terminar com essas torcidas organizadas”, disse o vizinho, que afirmou ainda que muitas outras pessoas fizeram a mesma coisa que Patrícia: “estão execrando ela”.

Dono de um comércio que fica a poucos metros da casa de Patrícia, Marcio Traslatti, que vive no bairro há 49 anos assim como outros vizinhos, acredita que a intenção da jovem não era de ofender o goleiro racialmente. “Quem a chama de racista, não sabe a pessoa maravilhosa que ela é”, afirmou. Para ele, as ofensas, eram direcionadas ao árbitro, por conta de seu desempenho na partida, e não ao atleta.

Nas redes sociais parentes de Patrícia compartilham imagens da jovem trabalhando no atendimento de crianças negras, além de matérias de amigos que apareceram na mídia defendendo a jovem. “Me diz se uma pessoa dessas é racista… ela está sendo crucificada, tem que responder pelo erro que cometeu, mas a coisa está sendo muito desproporcional”, afirma Luis Fernando, dono de uma locadora de vídeos do bairro.

Assim como todos os outros moradores do bairro, um exemplo de que Patrícia não é racista é seu relacionamento com um rapaz negro. “Nas imagens aparece ela abraçada com o rapaz”, diz Luis Fernando, que completa. “Vamos dizer que 10% da torcida do Grêmio faça aquilo, e só ela vai pagar? Ela está sendo um bode expiatório”, analisa.

Enquanto a poeira não baixa, Patrícia segue refugiada longe de sua casa, para onde talvez ela nem volte mais. “Falei com um parente dela outro dia que me disse que ela está com a cabeça entre as pernas, ela ainda está tentando se recompor por conta do que aconteceu. No domingo ela deve dar uma entrevista para falar”, afirmou Traslatti, dizendo ainda que para as pessoas que a conhecem, a verdadeira personalidade de Patrícia será o parâmetro de julgamento.

Compartilhar: