Vocês, não

Patriotas, nada como a coerência de um homem. Um homem coerente é a unidade prática e inseparável entre calça e…

Patriotas, nada como a coerência de um homem. Um homem coerente é a unidade prática e inseparável entre calça e cueca. Felipão combinou com o espelho e não falhou. A seleção brasileira é inteirinha o zagueiro casca-grossa do interior gaúcho que ostenta a glória de campeão alagoano de 1981 pelo CSA das Alagoas, jogando ao lado de Dentinho, centroavante com padrão de viatura policial e passagem banguela pelo ABC em 1979.

Brasileiros, Felipão pode ter todos os defeitos, mas é um convicto absoluto e não abre mão nem dos seus conceitos nem dos seus defeitos, concorde-se ou não com ele. Se em 2002 deixou de levar Romário e voltou pentacampeão do mundo porque tinha Rivaldo em esplendor e Ronaldo compensando 1998, agora montou o time que poderia ser e é adequado às suas filosofias.

Patriotas, Felipão é um Dunga envelhecido e fiel. A ele mesmo. Convocou com base em critérios que considera fundamentais para o futebol vitorioso mesmo que seja rúgbi: altura, musculatura, velocidade e força. É um time europeu na forma e no conteúdo nascido pelo Brasil varonil e viril.

Ora, Felipão não deve ser crucificado de forma nenhuma, cumprido o prazo de 48 horas do flagrante delito. Nenhum esquecido fundamental. Nenhuma ausência de luto funeral. Nenhum mártir da injustiça ou da perseguição. Não, ninguém especial ficou de fora porque não há ninguém, absolutamente ninguém. No ar, a banda Neymar, Oscar, Hernanes, Bernard e os Brutamontes.

Senhores, Felipão merece respeito pela postura firme. O questionamento sem paixão é o zagueiro Henrique, seu titular no Palmeiras em idos passados de rebaixamentos para a Série B e de título sem charme de Copa do Brasil.

O goleiro Júlio César nem se discute, deveria estar ao lado de Neto fazendo comentários hilários pela TV. Mas, temos um substituto assim, muito melhor? Não. Pedir Fábio do Cruzeiro ou Cavalieri é atestar o terceiro lugar de Victor, posição mais que correta.

Lamenta-se por Miranda, melhor, sem dúvida, do que o felipista legítimo Henrique, homem de trancos e divididas, carrinhos e empurrões. Mas um país que já foi berço de meio-campistas e artilheiros esquecidos jamais poderá chorar por um zagueiro.

Henrique será mais um, talvez nem jogue, quem sabe seja o Grafite, o centroavante de ficção lúgubre levado por Dunga para passear na África do Sul. Melhor Henrique entre os 23 do que um Felipe Melo, um lutador de UFC que decidiu, a caminho do octógono, entrar num campo de futebol para distribuir pontapés e agradar trogloditas de prancheta.

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Pela primeira vez na história das Copas do Mundo, festeja-se por excluídos ameaçadores. Pelos que poderiam aparecer na lista dos convocados. Felipão acertou ao não exumar ex-jogadores renitentes e mascarados, enganadores em atividade terminal.

Chamar Robinho, Kaká ou Ronaldinho Gaúcho representaria uma canelada na inteligência (ou no sofrimento) da massa respirando pelo balão de oxigênio da esperança.

Os três veteranos me fariam sair em passeata de um homem só e cansado pedindo por outro velhinho, este sim, um esquecido por Parreira e pelo próprio Felipão quando estava na puberdade: o canhoto Alex, do Coritiba, que jamais foi a um Mundial, pecado que resultou em derrotas como aquela do baile zidanês na Itália, oito anos atrás.

Robinho fez sua boca-de-urna até as últimas horas, sem pesquisa do Ibope, mas com um cabo eleitoral indiscreto, o afilhado Neymar, que terá a Copa do Mundo para decidir se é um craque de verdade ou a cópia do firuleiro das pedaladas inúteis revelado pelo Santos em 2002.

O sorridente Kaká, contratação desejada pelo presidente do São Paulo, por ter dentes perfeitos, ser bonito e saber falar português correto parece uma réplica de modelo de creme dental da Colgate.

Ele é uma mistura de outros dois tricolores adorados pela mulherada e decepcionantes na hora em que se separa menino de homem: Raí, o camisa 10 omisso de 1994, barrado por Mazinho, um terceiro volante e Leonardo, o bambino de 1998, girando em torno do próprio eixo da inutilidade.

Ronaldinho Gaúcho foi um craque. Até 2006. Depois, jogou duas ou três partidas espetaculares pelo Flamengo e hoje protagoniza farsas de circo pelo Atlético (MG), onde faz um malabarismo fajuto, perde a bola e ri na expressão das hienas.

Fez bem Felipão ao preferir o baixinho Bernard, com boa vontade, um similar do elétrico Juninho Paulista. Bernard é um driblador, uma opção nos contra-ataques e superior ao inconstante Lucas, um meia-atacante incapaz de fazer um golzinho por semestre. Felipão fez um time com a sua cara. Ele é feio, mas às vezes ganha.

Roda girando

O ABC segue emocionando seu torcedor. Um tipo de emoção agoniada. Empolgou no sábado e angustiou ontem. Por pouco, por capricho dos céus e as mãos do goleiro Gilvan, não foi eliminado em casa na Copa do Brasil. Também providencial o gol de Xuxa.

Esquema

O amarrado esquema de volantes em excesso prega armadilhas.

Mais um 10

A contusão de Arthur Maia mostrou que o América precisa de mais um camisa 10. É difícil alguém igual, mas é necessário outro de nível aproximado. A maratona é longa.

América reduz preço

O América fará promoção reduzindo o valor do ingresso num dos pontos da Arena das Dunas para o jogo contra o Atlético de Goiás no sábado. No setor Sul, o preço será de R$ 30,00 (inteira) e R$15,00 (meia). Haverá promoção do Dia das Mães: no setor Sul as mulheres pagarão R$ 10,00.

Conheceu

O jogo do Atlético ontem certamente fará o América tomar precauções, mesmo o time goiano ocupando o Z-4 da Série B.

Há 40 anos

No dia 8 de maio de 1974, o ABC, fora do Campeonato Nacional, vencia o 1o turno da Copa do Estado, fazendo 2×0 no Baraúnas, gols de Luís Rodrigo e Soares no Castelão (Machadão), com 3.431 torcedores. Alvinegro com time cheio de reservas e jogadores fazendo testes.

Escalações

ABC: Floriano; Roberto, Válter Cardoso, Hipólito e Gonzaguinho; Maranhão, Aélio e Luís Rodrigo (Ivo); Libânio, Nilo (Soares) e Jorge Calaça. Baraúnas: Sousa; Edvaldo, Xavante, Cândido e Tapioca; Eurico, João Cunha e Vadinho (Carlinhos); Ratinho (Nino), Ananias e Gaspar. Ratinho é o engenheiro e assessor parlamentar Luiz Celso, irmão do jornalista político Joaquim Pinheiro, do O Jornal de Hoje.

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