Vômito, cervejada, Mano cobrando torcedor: o relato da invasão do CT corintiano

O calvário começara na manhã de sábado com a invasão do QG alvinegro por torcedores revoltados com a goleada de 5 a 1 sofrida para o Santos

Jogadores foram agredidos e funcionários roubados. Foto:Divulgação
Jogadores foram agredidos e funcionários roubados. Foto:Divulgação

Eram 15h30 do domingo, e os integrantes da delegação do Corinthians pareciam ter acabado de sair da prisão que se tornou o Centro de Treinamento Joaquim Grava cerca de 24 horas atrás. “Eles vieram quietos demais no ônibus pra cá”, murmuraram enquanto os atletas deixavam o túnel do vestiário para receber os xingamentos do seu e do público adversário no Moisés Lucarelli.

O calvário começara na manhã de sábado com a invasão do QG alvinegro por torcedores revoltados com a goleada de 5 a 1 sofrida para o Santos na quarta-feira anterior e se estendeu até a viagem para Campinas, palco do duelo do final de semana com a Ponte Preta.

A contragosto – ninguém queria jogar, foi a informação oficial -, o elenco apresentou-se por volta das 11h para se arrumar e partir rumo ao Interior. O CT foi ‘liberado’ pelos estranhos ainda na tarde do sábado, mas nenhum dos atletas dormiu no local.

Provavelmente as cenas estivessem frescas de mais na cabeça. Cem estranhos correndo em suas direções com feições desumanas, encapuzados. “Eles estavam transtornados, devem ter bebido e usado drogas a noite inteira”, relatou um membro do staff do clube.

“Foi muito pior do que contra o Tolima”, acrescentou outro, se recordando de mais um de tantos episódios de violência no CT, aquele em seguida à eliminação na Copa Libertadores de 2011.

Os primeiros alvos foram os goleiros, de praxe, os primeiros a chegar ao gramado para iniciar os exercícios específicos da posição. A fuga dos homens de luva chamou a atenção do restante dos atletas que se encaminhavam para o campo, e todos voltaram para dentro dos alojamentos o mais rápido que conseguiram em busca de abrigo.

Neste instante, Guerrero chegou a ser interpelado por três homens e agredido. “É verdade, Guerrero foi esganado aqui, o jogador que marcou o gol mais importante da história do Corinthians. Não merecíamos isso, acho que foi um retrocesso prestado ao clube. A amnésia toma conta do ser humano”, disse o presidente do clube, Mário Gobbi.

O peruano autor do gol do título mundial de 2012 não era o principal alvo. “Era incrível a gana com que eles procuravam o Emerson e o Pato”, disse um profissional da comissão técnica. “Nos empurravam, tiravam o que viam pela frente procurando um jogador.”

Enquanto a caçada seguia, Danilo, Renato Augusto e Paulo André se espremiam em um cubículo, espiando o movimento pela porta de vidro. Sempre que a ameaça se aproximava, era preciso se abaixar para não correr o risco de ser visto.

Ninguém foi encontrado, e os torcedores permitiram-se relaxar. Alguns pularam na piscina, outros experimentaram do conteúdo de uma chopeira ali instalada. Segundo relatos, o chope estava quente. Um fã mais prudente pediu um café à moça da copa do CT.

A essa altura já tinha gente pagando o preço da noitada passada. Um dos invasores foi flagrado vomitando ininterruptamente em um cantinho escondido.

Desarmada, a polícia finalmente chegou ao local da ocorrência, mas nada fez. Infratores e braços da lei transitavam juntos pela estrutura de treinamento corintiana.

Então, Mano Menezes apareceu para acalmar os ânimos. O treinador achou por bem encarar a besta e acabar logo com tudo aquilo. Para sua surpresa, um dos líderes do movimento era um velho conhecido.

“Eu lembro de você. A gente se encontrou aqui em 2008, não foi? Íamos pegar o Goiás na Copa do Brasil, e você me disse que o Luxemburgo ia botar os jogadores para concentrar no Palmeiras, que eu deveria fazer o mesmo. Dei folga, e ganhamos de 4 do Goiás. O Palmeiras perdeu de 4 do Sport e foi eliminado. Fique tranquilo que eu sei o que estou fazendo. E o que vocês fizeram hoje aqui nos atrapalha muito.”

Fonte:ESPN

Compartilhar: