A voz tem dono – Vicente Serejo

Esta coluna tem sido incisiva ao apontar a falta de sintonia entre o que os candidatos dizem e o que…

Esta coluna tem sido incisiva ao apontar a falta de sintonia entre o que os candidatos dizem e o que fazem quando assumem seus mandatos, principalmente no executivo. O democrata de idéias modernas toma posse levado no halo de brilho da vitória conquistada nas urnas e logo sua prática verdadeira se revela nos primeiros atos e embates. Temos dois exemplos recentes com as eleições de Micarla de Sousa e Rosalba Ciarlini, ambas caídas no desamparo absoluto dos seus governados.

E por que caíram? Não eram as mesmas que nas ruas, nos palanques e principalmente nas telas da tevê, conquistaram maiorias também absolutas em eleições consagradas no primeiro turno? Por uma razão simples: as duas pessoas não são as mesmas. Na campanha, foram símbolos de bom senso, democracia e postura democrática. Nos gabinetes mostraram que não eram delas as idéias, só o rosto e a voz. Resultado: os eleitores se sentiram fraudados e julgaram com um travo negativo.

Alguns mais espevitados poderiam creditar a esta coluna um gosto forte e provinciano na sua afirmação sobre a fragilidade intelectual dos nossos políticos. Seria legítimo, se fosse apenas opinião pessoal. Lamento informar que esta é também a posição de Mino Carta. Seu artigo está publicado à página 22 da Carta Capital desta semana, com o título: ‘Dúvidas atrozes’. Irônico, abre o texto perguntando se Winston Churchill tinha marqueteiro e depois gargalha com seus botões.

Logo a seguir, Mino Carta pergunta se alguém imaginaria atribuir a um Duda Mendonça, naquela Inglaterra da Segunda Guerra Mundial, o sopro no ouvido do primeiro ministro inglês da frase famosa na qual, ao mostrar a gravidade dramática daquela hora, teria dito, rasgando o silêncio do mundo cheio de horror com o avanço vigoroso dos exércitos alemães – que só tinha a oferecer sangue, suor e lágrimas? Certamente que não. Sir Winston Churchill escrevia os próprios discursos.

Para Mino Carta, e ele se refere aos grandes centros como Rio e São Paulo, a importância do marqueteiro brasileiro cresce a cada eleição em razão do despreparo dos candidatos. Não opera só a manobra de simular qualidades que o candidato não tem. Vai além: é o salvador da mediocridade daquele que se apresenta ao eleitor que pode pagar uma fortuna para aparecer e parecer dotado de inteligência e modernidade de idéias. Mino, irônico, sugere: seria melhor eleger os marqueteiros.

Seria perfeito se aquela voz que leva idéias modernas e democráticas não tivesse um dono. Mas tem. Sem falar nos políticos que convivem com a promiscuidade quando patrocinam alianças com correligionários e adversários a cada luta. Buscam a vitória com sofreguidão e esquecem que o mundo de hoje guarda os arquivos de falas e imagens. E, neles, a memória perfeita do que disseram dos adversários de hoje quando, ontem, foram seus aliados. Num espetáculo que todos conhecem.

w GUERRA

Previsão de um prócer diante de tantas declarações de paz nesta fase da campanha política: os tiros virão dos pequenos partidos que se aliam e cumprem sempre esse papel de ser o paiol de munição’.

ELOGIO

Perfeita, em equilíbrio e bom senso, a decisão do juiz federal Magnus Delgado ao determinar o retorno da servidora aos quadros do IBGE demitida, mesmo grávida, por ter participado de greve.

FUTURO

Vai ser hoje, às 20h, na Academia de Medicina, na Rua Ângelo Varela, a palestra de Álvaro Alberto Barreto sobre ‘O Futuro, como planejar’. Álvaro conhece bem os segredos da vida empreendedora.

BICHOS

O Brasil acaba de criar o passaporte para animais com fotos e informações características como se fosse gente. Não deixa de ter uma certa lógica. O bicho-homem é muito difícil de ser caracterizado.

ATENÇÃO

De Vera Guimarães Martins, ombudsman da Folha sobre a liberdade das colunas do seu jornal: ‘O jornal não censura nem interfere no conteúdo das colunas, e é melhor para o leitor que seja assim’.

FLIP

A realidade venceu a ficção no encontro final dos escritores convidados da Festa Literária de Parati, no Rio. Não significa algum demérito para a literatura. É que a realidade, às vezes, supera a ficção.

ALVO

Não é à toa que o ‘Templo de Salomão’, em S. Paulo, foi planejado para ser duas vezes maior que a Basílica de N. S. Aparecida. Ninguém se engane: o bispo Edir Macedo quer liderar a fé no Brasil.

FRAUDE

Acreditar na isenção da presidente Dilma Rousseff diante da ópera-bufa na qual se transformou a CPI da Petrobrás, diante do indiscutível envolvimento do Palácio do Planalto, é bancar o caudatário.

TANGO

Quem telefona de Vancouver, no Canadá, onde curte uma licença sabática, é o poeta Diógenes da Cunha Lima impressionado com argentinos dando aulas de tango a canadenses nas ruas da cidade.

MESA

Para quem ainda não sabe: o guia da editora Abril que está nas bancas – Guia VIP de Comida’, com receitas fáceis e sedutoras, tem a assinatura de Rodrigo Levino. Seridoense que brilha em S. Paulo.

AVISO – I

Começa a chegar às livrarias o novo livro do filósofo Luiz Felipe Pondé: ‘A Era do Ressentimento’. Para ele, o homem de hoje é magoado. Espera receber do mundo tudo quanto acha que tem direito.

POR … – II

Falar em Pondé, na Folha de ontem, ele sempre implacável diante das fragilidades humanas: ‘Sabe-se, há milênios, que a virtude de uma mulher depende do número de taças de vinho que bebe’.

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