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Walter Alves: “Fui convidado mas não vou participar da reunião com Rosalba”

Data: 16 março 2013 - Hora: 19:00 - Por: Alex Viana

A reunião deste sábado do conselho político vai acontecer em clima de chateação, desconfiança e suscetibilidade ferida. O encontro entre os aliados da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) vai finalizar o processo de escolha de nomes para o secretariado estadual, especialmente o dos secretários de Agricultura e Recursos Hídricos, que serão indicados pelo PMDB e pelo PR. O conclave Rosa, todavia, falhará num dos seus principais objetivos: fortalecer a aliança entre o governo e o PMDB. Ao que parece, após o encontro a aliança estará mais frágil do que se possa imaginar.

O ministro da Previdência, Garibaldi Filho (PMDB), não esconde sua insatisfação com o governo Rosalba. Primeiro pelo amadorismo do governo; segundo, pelo desprestígio a que foi submetido desde o princípio. Por fim, por todo o desgaste que vem tendo na sua imagem em função da inabilidade política do governo.

Na sua avaliação, o professor Luiz Eduardo Carneiro Costa deveria entregar o cargo de secretário de Trabalho, Habitação e Assistência Social (SETHAS), única e exclusiva indicação do ministro para o primeiro escalão do governo do Estado. Segundo consta, era para isso ter acontecido, não fosse a intervenção do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB), que defende que, para destinar recursos federais ao Rio Grande do Norte, precisa do governo do Estado.

É nesse contexto que acontece a reunião desta tarde, em que deverão sentar-se à mesa a governadora Rosalba, o secretário chefe do Gabinete Civil, Carlos Augusto Rosado, o presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Motta (PMN), Henrique, Garibaldi e, talvez, o deputado federal João Maia, presidente estadual do PR. A novidade, todavia, é quanto a participação dos deputados estaduais do PMDB, uma exigência da governadora Rosalba Ciarlini, que teria por objetivo enquadrar a bancada do partido na Assembleia Legislativa. Todos os parlamentares do PMDB foram convidados: Walter Alves, Hermano Morais, Gustavo Fernandes e Nélter Queiroz.

DISSIDÊNCIA

“Fui convidado, mas não vou participar da reunião com Rosalba”, antecipou no início desta tarde o deputado estadual Walter Alves, líder da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa. Segundo o parlamentar, ele não vai poder ir. E, apesar da insistência da reportagem, ele não deu mais detalhes. Walter acrescentou que é contrário a que o Programa do Leite, atualmente na Emater, volte a ser administrado pela SETHAS. “Não acho necessário, sou contra”, afirmou.

Apesar de não revelar, a ausência de Walter no encontro confirma a insatisfação dele em relação ao governo. Nos últimos meses, o parlamentar tem adotado postura adversa a do governo em seus pronunciamentos na Assembleia Legislativa, com ênfase às cobranças por melhoria na segurança pública e em outras áreas, que na sua visão estão deixando a desejar na administração Rosalba. Além disso, Walter considera que o governo tratou os deputados com desdém. Ele discorda da postura do governo em relação a diversas matérias.

SECRETÁRIOS

A reunião do conselho político deverá selar o nome do presidente da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores (ANORC), Júnior Teixeira, como próximo secretário de Agricultura. O deputado estadual Kelps Lima (PR) poderá ser o indicado para o cargo de secretário de Recursos Hídricos, abrindo a vaga na Assembleia para a suplente Antonio Petronilo (PMDB) – por isso que, pertencendo ao PR, sua indicação agrada ao PMDB. Os outros cargos cotados – Emater, DETRAN, Caern – ainda não contam com nomes. A vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) também pode ser definida hoje.

 

Carlos Augusto poderá tratar PMDB como tratou o vice

No que diz respeito à aliança com o PMDB, a repactuação da aliança com o governo poderá ter efeito contrário ao que se negocia. Em primeiro lugar, porque os aliados terão cargos, mas não se sabe se terão poderes. Quando assumiu o governo junto com Rosalba em 2011, o vice-governador Robinson Faria (PSD), hoje adversário, teve Recursos Hídricos, Caern, Idema e IGARN. No entanto, seus poderes foram esvaziados pelo governo, numa atuação de bastidor do então apenas marido da governadora Rosalba, Carlos Augusto Rosado.

As informações dão conta de que, da mesma forma que Garibaldi desconfia de Carlos Augusto, a recíproca é verdadeira, ultimamente em função de problemas na FUNDAC e outros que se acumulam desde o início da gestão. A mesma antipatia e desagrado também estariam sendo nutridos por Carlos Augusto em relação a Henrique Alves. O chefe de Gabinete estaria irado com o fato de o PMDB estar colocando a “faca no pescoço” do governo, cobrando grandes espaços do governo Rosalba, ameaçando romper, caso o governo não ceda o que o PMDB quer. De fato, Henrique promete ajudar o governo Rosalba, mas apenas se o governo abrir espaços para que os peemedebistas façam indicações.

Entre políticos próximos ao núcleo central do governo do Estado, comenta-se que o PMDB indicará os cargos, mas o partido deverá ser tratado como o governo tratou o vice-governador Robinson Faria, ou seja, terá esvaziado os poderes e será isolado na gestão. Seria uma questão de estilo de governar de Carlos Augusto Rosado.

Para completar o quadro de desconfiança, o DEM tem consciência de que o PMDB estará em palanque oposto nas eleições de 2014. O partido de Henrique e Garibaldi formará palanque para Dilma Rousseff (PT) no Rio Grande do Norte, enquanto que Rosalba e Agripino deverão formar o palanque demo-tucano em torno do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Incompetência

Quando a crítica deixa de ser feita pela oposição e passa a ser exercida pelos aliados, é porque não há como duvidar da realidade. Nesta sexta, o próprio deputado Kelps Lima, ainda do PR, um partido aliado, disse que o Estado passa por uma crise profunda na prestação de serviço por má gestão em todos os setores. “O Estado tem crise profunda na prestação de serviço por má gestão em todos os setores”, afirmou o parlamentar, durante entrevista nesta manhã ao Jornal da Cidade, da FM 94.

O deputado defendeu que o governo Rosalba Ciarlini “puxe o freio, dê o famoso cavalo de pau e ajuste a máquina com foco na gestão”, declarou, numa referência à falência administrativa do governo em diversos setores. Além de Kelps, diversos aliados teceram críticas à forma de administrar do governo do DEM. O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, classificou o estilo de governar do DEM de “centralizador, isolado e antidemocrático”. O deputado estadual Nélter Queiroz (PMDB) disse que Rosalba deveria ter mais criatividade para solucionar os problemas do estado, e que ela deveria mudar o modelo de gestão estadual.

Membro da bancada do governo e integrante de um partido que compõe a base política da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), o deputado estadual George Soares (PR) é mais um a reconhecer a má administração do estado, especialmente na área de saúde, e a admitir sua insatisfação pessoal com a gestão estadual. “O PR não está satisfeito com o governo Rosalba”, afirmou Soares em entrevista ao JH no dia 26 de dezembro de 2012. No começo desta semana, ele disse até agora nenhuma alteração na gestão Rosalba Ciarlini ocorreu, mesmo decorridos meio mês da reunião em entre as lideranças governistas em Brasília. Para ele, tudo não passou ainda de “boas intenções”.

O ex-secretário de Planejamento e Finanças do governo Garibaldi Filho, também ex-presidente da Federação das indústrias, Bira Rocha, que é filiado ao DEM, embora seja peemedebista de carteirinha, disse na manhã deste sábado que toda essa movimentação do conselho político não vai dar em nada. Bira foi cotado para ser convidado a assumir a pasta de recursos hídricos ou planejamento, mas ele não confirma. Ele também acredita que dificilmente o governo fará mudanças no rumo desordenado do governo.

“Estou achando que não vai dar em nada. O governo entrou na reta final e não conseguiu aprumar. É muito difícil agora; fazer mudanças não é fácil”, diz Bira Rocha. Segundo ele, o governo não conseguiu se encontrar administrativamente e financeiramente. “Até agora não teve equilíbrio, não é impossível, mas é difícil”, salientou. “Gestão não é boa, e, por cima disso, não tem dinheiro. Lógico que falta tudo (inclusive criatividade). Na casa que falta pão, todo mundo grita e ninguém tem a razão”, disse.

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