Whey Protein: Entenda os prós e os contras do uso do suplemento

A substância de fato tem seus benefícios, mas o uso indiscriminado pode causar o efeito inverso – trazendo o ganho de peso – ou comprometer as funções renais

Uso sem orientação médica pode sobrecarregar os rins e até mesmo trazer quilos a mais. Foto:Divulgação
Uso sem orientação médica pode sobrecarregar os rins e até mesmo trazer quilos a mais. Foto:Divulgação

Manter ou aumentar a massa magra, melhorar o desempenho físico e reduzir a gordura corporal são alguns dos atrativos relacionados ao uso do Whey Protein, usado especialmente por quem frequenta a academia e vive em busca da boa forma.

A substância de fato tem seus benefícios, mas o uso indiscriminado pode causar o efeito inverso – trazendo o ganho de peso – ou comprometer as funções renais. Além disso, a procedência do produto pode enganar.

No último dia 19, a Anvisa proibiu a distribuição e a comercialização de dois lotes da marca 100% Whey Protein Top Fuel. O caso não é isolado e já ocorreu outras vezes, como no último mês de janeiro, quando 25 marcas foram avaliadas pelo órgão, após denúncias de irregularidades, e 20 lotes foram retirados do mercado.

E como nem sempre ler o rótulo é algo simples para o consumidor, o melhor caminho é a orientação de um profissional antes de incluir um produto deste tipo na rotina. Assim como tudo que é relacionado à alimentação exige equilíbrio, a substância, quando bem utilizada, pode trazer benefícios de acordo com as profissionais ouvidos.

Segundo a nutricionista funcional Luciana Harfenist, o Whey Protein não é como os famosos shakes. “Ele é aprovado, pesquisado e existem pesquisas com resultados positivos”. No entanto, ela ressalta que trata-se de um suplemento, por isso, só é prescrito quando há necessidade. “Sem orientação médica, a pessoa vai acabar tomando errado. Já vi pacientes chegando com pote no consultório que tinha farinha de trigo na composição”, afirma, ressaltando que um nutricionista tem conhecimento técnico para analisar certificações para garantir a segurança do paciente.

Sandra da Silva Maria, nutricionista da Clínica Gastro Obeso Center, reforça a importância da orientação. “Não se deve adquirir nenhum suplemento com orientação de amigo ou até mesmo educador físico”, pontua.

Apesar das recomendações, o Whey Protein é considerado um alimento, e por isso não exige prescrição médica – ou seja, qualquer pessoa pode comprar, segundo explica Geórgia Bachi, autora do livro Whey Protein – Os Benefícios do Soro do Leite para a sua Saúde, da Matrix Editora. “No entanto, assim como os demais alimentos, é interessante uma nutricionista calcular as quantidades necessárias para cada pessoa”, observa.

Segundo a especialista, o Whey Protein nada mais é do que o nome em inglês dado a proteína do soro do leite. “A maioria das pessoas provavelmente está fazendo uso do Whey Protein desde a sua infância, pois é aproximadamente 20% da proteína encontrada no leite de vaca. Porém, em quantidades significativas para a saúde, essa proteína só é encontrada nos suplementos alimentares desenvolvidos em laboratórios, pois a purificação realizada pelas indústrias tem como intenção obter a proteína potencialmente pura, formando um produto de superior e efetiva qualidade”, defende.

Por ser um suplemento, ele traz uma dose a mais de proteína para o corpo e, com isso, quando usado sem critério, pode acabar sobrecarregando os rins, que têm que trabalhar mais do que o normal.

Outro efeito colateral é o excesso de sódio, dependendo da marca, e até mesmo o ganho de peso. “Uma nutricionista pode  realmente  avaliar a necessidade dessa suplementação, saberá o horário ideal para administração e o tipo de proteína que é mais eficaz ao tipo de treinamento ou necessidade, assim como as quantidades ideais para cada organismo”, explica Sandra.

Benefícios 

Sozinho, o Whey Protein não faz milagre. Mas o equilíbrio entre alimentação saudável e regrada, atividade física e suplementação nas doses e horários certos podem sim trazer bons resultados, de acordo com as especialistas.

Sandra afirma que a substância tem a função estrutural e repõe fibras musculares, enquanto Luciana cita que o seu uso vai além do ganho ou manutenção da massa magra. “Ele tem outras funcionalidades interessantes na prática clínica. Ajuda a regular a glicemia, na recuperação de paciente oncológico, quadros de desnutrição e em casos de pré e pós-cirúrgico, além de auxiliar a parte imunológica. Para mulheres na menopausa, que acabam perdendo massa muscular, também é indicado”, lista.

A nutricionista também afirma que este tipo de suplemento é aliado na luta contra a obesidade, já que traz a sensação de saciedade.

Alimento ou suplemento?

Para aqueles que têm o hábito de substituir uma alimentação por suplementos, vale o alerta. “Os alimentos sempre serão mais importantes que a suplementação. O suplemento deverá ser visto como um complemento, para períodos em que teremos dificuldade de nos alimentar corretamente”, afirma Geórgia.

Ela reforça que o objetivo da substância é nutrir de forma dinâmica e eficaz. “Será interessante utilizarmos em períodos em que nosso corpo precisa repor rapidamente os nutrientes, como por exemplo, no pós-treino ou como opção de desjejum quando acordamos. Se a alimentação já contiver uma boa fonte proteica, como: frango, ovo, gado, soja, peixe, etc,  não será necessário adicioná-lo nesse mesmo horário. Poderá, também, entrar como opção de lanche no meio da manhã ou da tarde, horários em que não temos hábito de consumir proteína”, afirma.

Tudo vai depender da necessidade da pessoa, explica Sandra. “Se for uma pessoa que está com um treino de hipertrofia, além da alimentação é necessário a suplementação do Whey, pois para essa finalidade necessitamos de aminoácidos importantes para auxiliar na recuperação da fibra muscular após o treino”, indica.

Luciana reforça, explicando que dependendo do desempenho físico da pessoa não é possível suprir o organismo com a quantidade de proteína exigida só por meio da alimentação. “Por exemplo, um homem de 1,80m que começar a treinar pesado, vai precisar de uma média de 4 mil calorias. É difícil ingerir isso em comida”, explica.

No entanto, ela também é enfática com relação às substituições. “Nunca use o Whey no lugar de refeição, sou totalmente contra. Precisamos comer, mastigar, morder. Mas ele pode entrar em casos extremos. Exemplo: você vai viajar e não vai ter tempo de comer, então no lugar de um pão de queijo é melhor tomar o Whey. Mas o ideal é se alimentar bem o dia inteiro.”

Recomendações gerais 

Rótulos de alimentos nem sempre são facilmente digeridos, por isso, vale prestar atenção em algumas dicas para evitar dúvidas na hora da compra. Em primeiro lugar, é preciso verificar se o produto possui o registro nacional da Anvisa, que, segundo Geórgia, indica a garantia da qualidade do produto.

Ela também lista outros pontos a serem observados. “É importante que um produto denominado Whey Protein contenha no rótulo ao menos 20 gramas de proteína para cada 30g de produto. O problema desse último lote aprendido foi justamente não colocarem o valor correto no rótulo. Infelizmente corremos esse risco de prática desleal com qualquer produto”, reforça.

Segundo Luciana, muitas pessoas ficam cegas com as embalagens que trazem músculos enormes, e acabam errando a mão na compra e na dosagem. “As pessoas às vezes gastam uma fortuna porque existe todo um comércio por trás, com a indústria do fitness e os perfis do Instagram indicando suplementos. Muitas vezes o paciente chega ao consultório com produtos americanos, que têm substâncias proibidas no Brasil. Acabam não tendo um resultado. Não basta tomar Whey, tem que fazer a coisa certa o tempo todo. O grande segredo é alimentação balanceada e individualizada.”

Ela recomenda os produtos que não tragam corantes e nem glúten, reforçando que quanto menos aditivos, melhor. A quantidade de carboidrato também deve girar entre 48mg e 53mg a cada porção de 30 g, segundo a especialista.

Luciana reforça, ainda, a importância da disciplina nos exercícios físicos para quem que ver resultados. “O Whey não vai fazer milagre se você não malhar. É preciso ter sinergia entre alimentação e trabalho físico.”

Fonte:Terra

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