Wilma afirma que ainda não decidiu se apoiará candidato do PMDB ao Governo

Ex-governadora deixa em suspense qual será seu projeto para este ano e dúvida dificulta decisão do PMDB

Wilma de Faria é considerada pelo PMDB como fundamental para a aliança na condição de candidata ao Senado. Foto: Divulgação
Wilma de Faria é considerada pelo PMDB como fundamental para a aliança na condição de candidata ao Senado. Foto: Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política

 

A presidente estadual do PSB, vice-prefeita de Natal Wilma de Faria, disse hoje que ainda não decidiu se apoiará um nome do PMDB para o governo do Estado. Dedicando as primeiras semanas de fevereiro a visitar as bases no interior do RN, onde tem mantido conversas com lideranças de vários partidos, a ex-governadora do Rio Grande do Norte não confirma a aliança com o partido dos líderes Henrique Eduardo Alves e Garibaldi Alves Filho. Entretanto, embora sem mencionar com quem, a socialista, que deverá coordenar o palanque de Eduardo Campos (PSB) no território potiguar, ensaia o discurso de “união” em favor do estado.

Indagada sobre a provável aliança com o PMDB, Wilma foi taxativa ao negar qualquer declaração, afirmando que ainda não há decisão. “Não vou dar declaração sobre isso, até porque, se tivesse alguma decisão, eu já teria declarado”, afirmou Wilma. “Todo mundo se preocupa em saber quem vai ser o candidato; ninguém quer saber em unir esforços para tirar o RN do atraso”, acrescentou.

Na semana passada, Wilma de Faria foi alçada pelo ex-senador Fernando Bezerra, citado como um dos prováveis candidatos do PMDB a governador do Estado, à condição de forte candidata a governadora. Bezerra chegou a afirmar que ele não tinha “estatura política” para disputar o governo do Estado contra a ex-governadora, o que levou os analistas políticos a colocarem o PMDB como “refém” de Wilma no atual cenário sucessório. Bezerra disse, com todas as letras, que só será candidato ao governo, se tiver Wilma como candidata ao Senado, numa aliança do PMDB com o PSB.

Sobre as declarações de Bezerra, Wilma preferiu silenciar. “Foi a população que me colocou em posição de destaque para tirar o RN da crise. Convém conclamar a todos a pensar nesse trabalho, para retirar o RN dessa situação”, disse a ex-governadora, que tem afirmado que poderá ser candidata ao governo ou ao Senado.

PMDB

No último sábado, o PMDB, através do seu presidente, Henrique Eduardo, reuniu prefeitos, vice-prefeitos e vereadores do partido, para uma “consulta às bases”. Na oportunidade, Henrique ouviu os peemedebistas sobre que candidato ao Senado apoiar, pondo como opções Wilma de Faria e a deputada federal Fátima Bezerra (PT). Além disso, escutou os liderados sobre quem deveria ser o candidato do PMDB a governador.

Na primeira consulta, segundo informações que circularam neste final de semana, os peemedebistas teriam manifestado, quase à unanimidade, a preferência pelo nome de Wilma de Faria para o Senado. Sobre essa preferência, a socialista confirmou que os peemedebistas “querem a gente”, que, na visão dela, “é uma coisa nova”. “É bom porque, de qualquer forma, é uma preocupação também (sic). O candidato ao governo, eles querem do partido deles, e querem a gente (PSB ao Senado) que é uma coisa nova. Significa que eles confiam no meu trabalho também no legislativo”, disse Wilma, que administrou o governo do RN por duas ocasiões, preferindo o Senado, em vez de voltar a disputar o comando estadual. Em 2010, ela disputou o Senado, perdendo para os líderes Garibaldi e José Agripino Maia (DEM). Este ano, nem Garibaldi, nem Agripino, disputarão o cargo.

No tocante ao nome do PMDB, Wilma prefere não se envolver, por considerar questão interna do partido. “Não vou debater; esse debate é deles”, diz, ao ser instada a opinar sobre o candidato ao governo peemedebista. As negociações entre o PMDB e o PSB no RN estão acontecendo desde o ano passado e se intensificaram neste ano. A própria Wilma tem mantido conversas com os líderes do PMDB, especialmente Henrique Alves, Garibaldi Filho e o próprio Fernando Bezerra. Entretanto, a possibilidade de ela vir a optar por uma disputa ao governo não é descartada por ela, tendo em vista que o seu partido, o PSB, terá candidato a presidente da República, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

INTERIOR

Sobre as dificuldades de aliança entre PMDB e PSB no interior do estado, onde, em alguns municípios, como Mossoró, as legendas são adversárias, Wilma disse que o tema “é assunto para depois, se for confirmada” a aliança entre pessebistas e peemedebistas. “Só depois. Hoje mesmo fiz reunião em Umarizal e em dez municípios do Alto Oeste, e muitas vezes tinham partidos que tinham feito oposição a gente, mas estavam ali querendo ver como vamos nos postar e ver a união de esforços para sair dessa situação difícil. Nós vamos às feiras, aos mercados, aos atos religiosos, e sempre tem pessoas comentando sobre as dificuldades do Estado. Temos que unir, precisa haver a união no sentido de debater e discutir os problemas do Estado”.

 

Henrique e Garibaldi continuam conversas com prefeitos

O presidente da Câmara dos Deputados e do PMDB-RN, Henrique Eduardo Alves, acompanhado do ministro da Previdência Social, Garibaldi Filho e de deputados estaduais, voltou a se reunir, nesta segunda-feira, em Natal, com prefeitos e lideranças municipais do PMDB de várias regiões do Rio Grande do Norte. Os dirigentes do PMDB no estado estão realizando uma série de encontros para ouvirem, individualmente, a opinião dos prefeitos, vereadores e demais lideranças do partido nos municípios sobre as eleições deste ano. Os encontros são realizados na sede do diretório regional do PMDB, em Natal.

O deputado Henrique Eduardo Alves disse que até o início de abril o PMDB deverá definir e anunciar o nome do partido para disputar a eleição para governador. As lideranças municipais estão opinando entre quatro nomes para a cabeça da chapa majoritária: Henrique Alves, Garibaldi Filho, Fernando Bezerra e Walter Alves. Além de manifestarem a preferência por nomes para governador, prefeitos, vereadores e demais lideranças ouvidas, sugerem outros nomes e partidos que possam compor a chapa majoritária e alianças para as eleições proporcionais.

Nesta segunda-feira foram ouvidos 24 prefeitos. Roberto Germano, de Caicó; Fafá, de São Miguel do Gostoso; Isaias Cabral, de Acarí; Thales Fernandes, de Major Sales; Aníbal Pereira, de São João do Sabugi; Josifran Lins, de São Vicente, Erivaldo Nena, de Cruzeta; Júnior Rocha, de Goianinha; Maria Aparecida, de Ruy Barbosa; Pepeu Lisboa, de Passa e Fica; Fábio Bezerra, de Serra do Mel; Nicodemos Júnior, de Rafael Fernandes; José Maurício, de Grossos; Adriano Gomes, de Santana do Seridó; Oriana Rodrigues, de Paraná; Fernanda Costa, de Santa Cruz; Edval Bezerra, de Senador Georgino Avelino; Jackson Dantas, de São José do Seridó; Kerginaldo Pinto, de Macau; Francisco das Chagas, de Pilões; Hélio, de Guamaré; Neto Mafra, de Barcelona, George Queiroz, de Jucurutu; Luana Bruno, de Areia Branca e Eurimar, vice-prefeito de Assu.

Na semana passada o presidente do PMDB já havia se reunido com 21 prefeitos de um total de 53. Os demais líderes municipais do partido deverão se encontrar com os dirigentes estaduais do PMDB no pdróximo fim de semana. Também estiveram com Henrique Alves e Garibaldi Filho, os deputados estaduais do PMDB Hermano Moraes, Ezequiel Ferreira, Nelter Queiroz e Gustavo Fernandes; Tomba Farias (PSB) e o presidente do PSDB, Rogério Marinho, além do ex-deputado federal Antônio Câmara.

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