Wilma de Faria assume oposição e crítica ex-aliada Dilma Rousseff

Wilma e Dilma: aliadas desde antes da petista virar presidente, são agora adversárias

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A relação próxima entra a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), e a ex-governadora do RN, Wilma de Faria (PSB), já é conhecida. Desde que era ministra-chefe da Casa Civil, Dilma elogiou Wilma. Tanto que já até causou alguns momentos de constrangimento político no Rio Grande do Norte. Porém, foi só o partido da ex-governadora ir para a oposição ao Governo Federal que, agora, Wilma virou crítica da administração da aliada. Tanto que, no evento SOS Municípios, realizado na Assembleia Legislativa nesta sexta-feira, foram várias as críticas a gestão federal petista.

“Reconheço a dificuldade dos municípios e declaro total apoio. Os gestores estão desamparados, sem a atenção do Estado e nem da União. Durante esta campanha para presidência vamos fazer um debate com os candidatos, saber quem pretende se comprometer com esse tema. A verdade tem que ser dita e ninguém tem que ter medo: nunca aconteceu na história do Brasil uma situação tão difícil, como nesses últimos três anos. Estamos vivendo em alerta máximo, já que o caos financeiro está comprometendo a prestação de serviços públicos essenciais”, criticou Wilma.

E não foi só isso. Wilma, que é do partido do pré-candidato a presidência da República, Eduardo Campos, ainda frisou que “não adianta o governo federal ficar construindo escolas e unidades de saúde, se os municípios têm que arcar com todo o resto e não têm recursos para contratar os profissionais. Temos que acabar com isso dos prefeitos terem que viver com o pires na mão, pedindo apoio do governo do estado e da união”. Mais uma crítica direta a Dilma, que é petista igual a deputada federal Fátima Bezerra, pré-candidata ao Senado Federal.

O SOS Municípios 2014 foi promovido pela Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) e cobra o aumento de recursos para as cidades. Para a ex-governadora, agora vice-prefeita de natal, é preciso a aprovação urgente das PECs que tramitam no Congresso Nacional (PEC 39/2013 no Senado e 341/2013 na Câmara) e que ampliariam o Fundo de Participação do Município (FPM) de 23,5% para 25,5%. Wilma também propôs algo que considera mais ousado: que os gestores cobrem, neste ano eleitoral, o compromisso dos candidatos à presidência com o pacto federativo que redistribuiria melhor os recursos e acabaria com a rotina humilhante do “pires na mão”.

“Sabemos que isso não solucionará em definitivo o déficit financeiro de várias prefeituras, mas já é um bom começo, visto que nos últimos anos os municípios só tiveram os encargos aumentados, sem a devida ampliação de repasses. Os prefeitos precisam cobrar da presidência da Câmara Federal, do Senado e da Presidência da República a aprovação urgente das matérias”, afirmou.

E lembrar que até bem pouco tempo atrás, PT e PSB eram partidos aliados no Rio Grande do Norte. Tanto que, em visita a Grande Natal em junho de 2013, Dilma foi responsável por um momento de constrangimento para o DEM ao elogiar, na frente da governadora Rosalba Ciarlini, a ex-governadora Wilma, adversária ferrenha da administração estadual. “Tenho que fazer justiça e lembrar que Wilma foi uma lutadora”, afirmou a presidente Dilma Rousseff, durante discurso nas obras do aeroporto de São Gonçalo do Amarante.

PMDB e DEM

Wilma e Dilma não foram os únicos ex-aliados a ficarem em situações opostas devido à eleição de 2014 e a demonstrarem isso no SOS Municípios. O deputado estadual do PMDB, Nélter Queiroz, e a governadora do DEM, Rosalba Ciarlini, pertencentes a dois antigos aliados, trocaram farpas durante o evento e bateram boca de forma ríspida.

Tudo porque Nélter Queiroz cobrou, de Rosalba, a liberação de emendas parlamentares no Orçamento Geral do Estado, que ajudariam os municípios potiguares. Rosalba, diante da cobrança pública, revidou e lembrou que a Assembleia Legislativa ainda não aprovou o empréstimo de R$ 850 milhões pedido pelo Governo.

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