Wilma descarta aliança com PMDB e diz que vai ser candidata em 2014
Vice-prefeita de Natal, a ex-governadora Wilma de Faria espera que o prefeito Carlos Eduardo delegue missão para que ela contribua no sentido de tirar Natal das dificuldades enfrentadas no momento numa união de esforços que segundo a vice-prefeita deve ser de todos para superar parte dos obstáculos nos 200 primeiros dias de governo. Nesta entrevista, Wilma de Faria externa o desejo de ser candidata nas eleições do próximo ano sem no entanto, definir o cargo que concorrerá ao pleito de 2014. Mas tem uma certeza, não será ao lado do PMDB. “Estou bem avaliada, mas quem vai definir meu futuro político é o povo e meu partido”, disse a vice-prefeita.
Wilma faz críticas contundentes à atual administração estadual e enumera erros cometidos pela prefeita Micarla de Sousa, que segundo ela, levaram Natal a atual situação de dificuldades que se encontra a capital do Estado. “A governadora não realizou nada para justificar o seu slogan ‘Fazendo Acontecer’. Diz também, que Rosalba atribui o fracasso do seu governo aos problemas recebidos de administrações anteriores. “Ela culpa os governos passados porque não tem o que dizer”, ressume a vice-prefeita de Natal. Segue a entrevista.
O JORNAL DE HOJE – A atuação de um vice é limitada pelas circunstâncias do próprio cargo. Que tipo de contribuição a senhora pretende oferecer ao prefeito Carlos Eduardo para tirar Natal da situação de dificuldade em que se encontra?
WILMA DE FARIA – Contribuirei através de uma delegação de missões. Por exemplo: tratar da regularização fundiária. Outro exemplo: oferecer ao prefeito alguns projetos no setor social. Cito o Tributo à Criança que poderá diminuir as desigualdades sociais. Além de sugerir para ampliar esse programa poderemos contribuir com outras idéias.
JH – A senhora foi prefeita em três oportunidades, portanto conhece a estrutura organizacional da Prefeitura de Natal e seus problemas. No seu entendimento, quais foram os erros cometidos prefeita Micarla de Sousa que provocaram esse caos que se verifica atualmente na administração municipal?
WF – Foram muitos em vários áreas e dimensões. Posso citar a falta de planejamento, a falta de bons técnicos, o descaso com a administração pública. Na verdade, encontramos a prefeitura sem os serviços funcionando. A prefeita não investiu em nenhuma obra nova. Construiu as AMES, mas encontramos sem funcionar. Na minha época recebi a prefeitura numa situação muito difícil em 1997. Com salários atrasados e lixo nas ruas, mas imediatamente limpamos as ruas, melhoramos a arrecadação e reorganizamos as finanças fazendo justiça social. Tratamos de fazer com que o município tivesse capacidade de investimentos e tudo foi resolvido aqui mesmo, já que tivemos poucas emendas à disposição.
JH – Quais devem ser as primeiras providências para tentar reverter a situação em médio prazo?
WF – O prefeito Carlos Eduardo já estar adotando começando pela retirada do lixo das ruas. É fazer nova licitação e dar continuidade ao trabalho. Iniciar o recapeamento asfáltico, melhorando assim, o sistema viário da cidade. Planejar novas ações e operacionalizá-las.
JH – Diante da situação exposta qual o tempo necessário para o prefeito, pelo menos minimizar os problemas?
WF – O prefeito pediu 200 dias para resolver o problema da saúde, limpeza pública e sistema viário, além da educação onde os 25 por cento não foram investidos.
JH – O governo Rosalba Ciarlini caminha para chegar à mesma situação da Prefeitura de Natal?
WF – A governadora ainda não realizou nada para justificar o seu slogan “Fazer Acontecer”. O turismo retraiu, o emprego caiu e empresas estão praticamente fechadas. O agricultor e o criador também enfrentam problemas e a Emater está esvaziada. A Escola de Governo que deixamos com recursos assegurados não foi consolidada. No meu entendimento, Rosalba não planejou nem se preparou para realizar um programa de governo.
JH – Mas, ela culpa governos anteriores pelos problemas enfrentados atualmente…
WF – Ela culpa os governos anteriores porque não tem o que dizer. No nosso governo foram criados o IDIARN – Instituto de Desenvolvimento do Agro Negócio e Defesa Animal e Vegetal, a FUNPERN – Fundação de Pesquisa do Rio Grande do Norte e a SEARA – Secretaria de Reforma Agrária. No atual governo a saúde tem recebido apoio do Governo Federal e da própria sociedade, mas continua piorando. Ela acabou também com o programa Cidadão Nota 10, que inclusive ajudava o Hospital Infantil Varela Santiago. O governo está desaprovado pela população, mas ainda existe tempo para se recuperar, desde que haja compromisso e vontade política.
JH – O Estado entra no ano pré-eleitoral e as forças políticas já se movimentam visando as eleições. Qual é o projeto do PSB para 2014?
WF – Vai ser formatado esse ano com a participação de todos que fazem o partido no Rio Grande do Norte. A tendência é que tenhamos candidaturas a cargos eletivos. O objetivo é fortalecermos o PSB para disputar a eleição com chances reais de vitória para ampliarmos a presença do partido, principalmente nas Casas legislativas.
JH – O seu nome está à disposição do partido para disputar mandato de deputada federal ou governadora?
WF – Sempre fui bem avaliada por cumprir metas e objetivos. Estou recebendo o reconhecimento da população e tenho apoio para continuar na vida pública. A tendência é que eu seja candidata a um cargo eletivo, mas a população é quem vai decidir junto com o partido.
JH – A senhora entende que cometeu um erro político quando foi candidata à senadora em 2010?
WF – Não entendo ter cometido erro político. Acho que agi bem e estabeleci o contraditório enfrentando duas candidaturas fortes. Se eu não fosse candidata não haveria disputa contra os outros dois candidatos. A minha candidatura fortaleceu a democracia. Temos que decidir sempre colocando o idealismo acima de tudo.
JH – Quais são as possíveis alianças que o PSB pretende fazer para as eleições de 2014?
WF – Com partidos que estão na oposição ao Governo do Estado, entre eles, PDT, PC do B, PPS, PHS, PSD, PT, PRB.
JH – Existe possibilidade de entendimento com o PMDB?
WF – Não. O PMDB hoje está no governo e junto com o DEM elegeram Rosalba Ciarlini.
JH – Como a senhora vê os nomes postos para o Governo do Estado, Robinson Faria e para o Senado, Fátima Bezerra?
FB – Robinson e Fátima são bons quadros, mas a decisão será no futuro.
JH – Qual é o projeto político do presidente nacional do seu partido, governador de Pernambuco, Eduardo Campos?
WF – Ele declarou há poucos dias que está apoiando a presidenta Dilma Rousseff, mas como bom político está analisando sobre o seu futuro.


