Wilma de Faria disputará o Senado: “Acho Henrique a melhor opção para mudar o RN”

Em Caicó, ex-governadora anuncia candidatura ao Senado e apoio à chapa Henrique Alves/João Maia

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Alex Viana

Repórter de Política

A ex-governadora Wilma de Faria (PSB) resolveu se posicionar publicamente sobre a participação oficial dela nas eleições. Em entrevista à imprensa caicoense, a vice-prefeita afirmou que sua postura será de união em favor do estado. A presidente estadual do PSB disse que o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), é o que tem o melhor perfil para liderar as transformações que o estado precisa. Ela também afirmou que disputará o Senado da República.

As palavras de Wilma vêm a público após doze dias de silêncio total acerca da efetiva participação dela no palanque do PMDB. Desde a sexta-feira 28, quando o PMDB lançou a pré-candidatura do presidente da Câmara a governador, que Wilma vinha evitando a imprensa e, com isso, alimentando as especulações em torno da real participação dela na chapa peemedebista. Procurada diariamente pela equipe de reportagem de O Jornal de Hoje, por exemplo, Wilma se esquivou de dar entrevista ou declaração, preferindo deixar no ar a instabilidade quanto à aliança do PSB com o PMDB no RN. Mesmo ciente de que isso gerava insatisfação junto ao comando da aliança.

Ontem, a ex-governadora resolveu falar. E escolheu a cidade de Caicó, na região Seridó, para dar declarações. “Minha posição é de união. Espero que meus aliados entendam que o meu desejo é fortalecer o Rio Grande do Norte e tirá-lo da condição em que se encontra. Precisamos consertar o Estado. E Henrique, pela sua experiência durante todos esses anos em Brasília, é quem tem maiores chances do que qualquer outro nome de mudar o perfil do RN com sua força na esfera federal”, declarou Wilma de Faria ao blogueiro Robson Pires.

Apesar de confirmar a posição dela, pela união, Wilma manteve no ar a incerteza quanto à aliança com o PMDB, ao afirmar que espera que os aliados dela “entendam” a posição dela de se aliar ao PMDB. Os aliados em questão seriam o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, pré-candidato a presidente da República, e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PSB), provável vice na chapa de Eduardo Campos. Recentemente, Marina endossou nota da Rede Sustentabilidade no RN, a qual atacou o presidente da Câmara, e condenou a aliança do PSB com o PMDB no estado, destacando que Henrique Alves “representa a continuidade dos problemas que assolam o estado do Rio Grande do Norte, secularmente governado por essa oligarquia”. Eduardo Campos, por sua vez, disse que Wilma teria que convencer a executiva nacional do PSB acerca da aliança com Henrique, nacionalizando a eleição potiguar.

SÓ O COMEÇO

As complicações para a aliança entre Henrique e Wilma parecem estar apenas começando. Está nas mãos de Henrique, como presidente da Câmara, decidir sobre a CPI da Petrobras. A bancada governista quer que Henrique insira no objeto da Comissão Parlamentar de Inquérito denúncias de irregularidades no Complexo Portuário de Suape, em Pernambuco. A inserção deste item na pauta da CPI atinge frontalmente Eduardo Campos, que, como governador, era responsável pela administração do complexo.

Por sua vez, Eduardo Campos desejaria que Henrique instaure a CPI da Petrobras, mas apenas com foco nos contratos da empresa petrolífera, uma vez que tal medida atingiria a gestão da presidente Dilma Rousseff, dificultando a reeleição da governante brasileira. Também seria do interesse do PSB agregar à pauta da CPI uma investigação sobre os contratos do metrô de São Paulo, vez que o tema é indigesto para o PSDB do também presidenciável Aécio Neves. Ou seja, a CPI da Petrobras pode ser decisiva no processo de escolha do próximo presidente.

É por isso que Wilma afirma que espera a compreensão de seus aliados para a aliança dela com o RN. Passa pelo RN alguns dos maiores interesses do momento sobre a República. E Henrique, ao depender de Wilma de Faria para ser candidato a governador, termina ficando refém de Eduardo Campos e do PSB, que é presidente do partido em nível nacional e tem poder de veto da aliança em nível local.

Apesar disso, Wilma leva como pode a situação. Ainda em Caicó, em entrevista a Rádio Rural, ela chegou a confirmar a chapa, com Henrique candidato ao governo, ela disputando o Senado, e o deputado federal João Maia (PR) como vice. Segundo a ex-governadora, “o estado vive o maior caos administrativo dos últimos 50 anos. É preciso que o Rio Grande do Norte cresça, se desenvolva e saia desse marasmo”.

Embora ninguém preveja o futuro, sob pressão do comando da aliança no Estado, Wilma preferiu declarar que não será candidata a governadora, como vinha sendo posto no campo das probabilidades. “Não sou candidata ao governo, mas vou disputar o Senado uma solução para o Rio Grande do Norte, com a discussão do novo pacto federativo, e para trazer recursos de assistência à população, mudando o perfil econômico e social”, destacou Wilma. “Estamos unidos nesse esforço para que o RN se desenvolva e saia desse marasmo. É importante pensar nessa união, uma coisa que nunca tinha acontecido”, destacou Wilma.

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