Wilma explica que não assume porque já tem outros compromissos

Wilma de Faria afirmou que mandado de segurança tem “nítido viés eleitoreiro”

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A vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria, do PSB, mudou o discurso. Depois de dizer que o prefeito Carlos Eduardo Alves, do PDT, seria substituído, apenas, se passasse mais de 30 dias fora, agora, Wilma apareceu para dizer que não vai assumir (nem assumiu) a Prefeitura de Natal porque tem outros compromissos agendados, justamente, para o mesmo período de viagem do prefeito.

A informação foi divulgada por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa da vice-prefeita. Wilma, que depois que o prefeito viajou, deu entrevistas e não afirmou, em nenhum momento, que tinha compromissos agendados para esse período, explicou agora que tem, mas não os detalhou. Afirmou, apenas, que só poderá voltar a Natal no dia 28, um dia depois de Carlos Eduardo retornar para a capital e reassumir a Prefeitura.

“É importante também informar a Natal, em nome do respeito que tenho por todos os seus cidadãos, que, mesmo antes de tomar conhecimento, pela imprensa, da viagem do prefeito ao exterior, já havia agendado compromissos que, inclusive, me deixarão ausente da cidade até o próximo dia 28/04/2014, o que, por si só, inviabiliza as práticas de quaisquer atos administrativos pertinentes ao cargo de Prefeito de Natal até a citada data”, explicou Wilma por meio da nota.

Além de não dizer quais são esses compromissos que ela agendou, mas não comunicou a qualquer órgão de imprensa, Wilma também não disse em qual cidade está. Comenta-se que ela estaria em Recife e teria até sido até visitada, lá, pelo agora aliado Henrique Eduardo Alves, do PMDB, candidato ao Governo do Estado.

Não era para menos. Se Wilma tivesse assumido o cargo, ela poderia ficar inelegível e ter que ser obrigada a abrir mão da tentativa de disputar o Senado Federal, na chapa de Henrique. Por isso, inclusive, na nota enviada a imprensa, Wilma criticou o mandado de segurança impetrado por vereadores (um deles, do PT de Fernando Lucena, que apoia Fátima Bezerra para o Senado) cobrando na Justiça a definição de quem é o prefeito no momento.

“Em face de noticiário local, que informou da ausência do Prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, pelo período de 12 dias, fato que gerou controvérsias e até um mandado de segurança de nítido viés eleitoreiro, aqui venho informar à população da cidade que não recebi qualquer comunicado oficial oriundo da Prefeitura Municipal do Natal ou da Câmara Municipal do Natal acerca do citado afastamento”, criticou Wilma.

Com nítido viés eleitoreiro ou não, o fato é que, quando Carlos Eduardo afirmou que viajaria para a Espanha e passaria 12 dias fora de Natal, Wilma e o presidente da Câmara, Albert Dickson, do PROS, repetiram o mesmo discurso: o chefe do Executivo só é substituído caso passe mais de 30 dias fora. Ou seja: mesmo enfrentando três greves de servidores municipais, a capital do Estado passaria esse período sem prefeito, acéfala, como classificaram os vereadores.

O discurso de Wilma (Albert não se pronunciou em nenhum momento) começou a mudar quando os vereadores ingressaram com o mandado de segurança cobrando na justiça a definição de quem era o prefeito nesse período de viagem de Carlos Eduardo. Para os parlamentares, Wilma estaria automaticamente no poder e, caso não pudesse assumir, teria que renunciar a vice-prefeitura. Se assumisse, ficaria inelegível.

A tese ganhou força com a entrevista do advogado Erick Pereira, mestre em Direito Eleitoral e doutor em Direito Constitucional. Segundo ele, Wilma estaria de direito no cargo desde a viagem do prefeito, mas só estaria de fato (o que a tornaria inelegível) se assinasse algum ato público. Por outro lado, ela também não poderia se negar a assinar qualquer documento, porque estaria fraudando a lei.

Pronto: foi só Erick Pereira falar, que a situação mudou. Wilma desapareceu de Natal, assim como Albert Dickson, que seria o segundo na linha sucessória e também pretende ser candidato a deputado estadual. A estratégia a impediria, até, de ser notificada no mandado de segurança que tramita na Justiça – o que, também, atrasaria o julgamento dele. Só na quinta-feira, as vésperas do final da viagem, Wilma comunicou a impossibilidade. Uma espécie de satisfação tardia: Natal já está há oito dias sem prefeito.

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