Wilma emparedada?

Tudo indica, a julgar pelas três pesquisas mais recentes – as duas quantitativas da Consult e a qualitativa da Olsen,…

Tudo indica, a julgar pelas três pesquisas mais recentes – as duas quantitativas da Consult e a qualitativa da Olsen, esta contratada pelo PMDB e considerado um instituto da maior credibilidade – que não é tão cômodo afastar a ex-governadora Wilma de Faria do cenário majoritário nas eleições de 2014. Em todas as projeções testadas, ela e Garibaldi Filho lideram o confronto em patamar tão acima dos outros que nenhum demonstra capacidade de combate numa disputa para o Governo do Estado.

Este fato, por si só, não é definitivo, mas demonstra que os dois ficando de fora do confronto é que torna possível ao PMDB a escolha de um segundo nome, com o cuidado de não vetar a presença de Wilma. Tanto é verdade que o próprio Garibaldi não deseja ser candidato a governador uma terceira vez, mas sabe que não escapará se Wilma for candidata. Portanto, é bom conter o ímpeto sectário dos que levam a luta carregada dos desejos pessoais e não pelos conselhos serenos da velha ponderação.

Nesse sentido – é bom ressaltar – foi cautelosa a entrevista do deputado Henrique Alves à tevê Ponta Negra quando tratou de não desenvolver qualquer raciocínio que, a priori, representasse um veto a este ou aquele nome. Pelo contrário. Condenou a intolerância, propôs a escolha de candidatos e dos aliados sem afastar ninguém. Ele sabe que os tons locais, mesmo diante de incompatibilidades geradas por posições nacionais, sempre são mais determinantes na composição de forças para a disputa final.

É que a política, entre toques de ciência e de arte, é assim. Não significa dizer que amanhã, em razão de impossibilidades insuperáveis, não se possa ter o mais indesejado dos confrontos. Mas até que se esgotem, à exaustão, todas as chances de entendimento, os políticos tentarão uma saída negociada. E só então sairão às ruas com suas legiões. E ai, mesmo que a união tenha ficado próxima, o combate não terá limites nem medirá consequências na busca da vitória e da imprescindível tomada de poder.

Isto tudo é para dizer que a retórica do deputado Henrique Alves cumpre esse talhe de tentar o entendimento unindo ao candidato do seu partido todas as forças possíveis, como o PT da deputada Fátima Bezerra e o PSB da ex-governadora Wilma de Faria na busca de acomodá-las em nome de uma luta que precisa ser vitoriosa. Principalmente que leve a classe política a se purgar do desgaste que, de forma voluntária ou não, marca a fisionomia do eleitor, depois de Micarla, Cláudia Regina e Rosalba.

Resta saber se o deputado Henrique Alves tem o que oferecer a Fátima e a Wilma que não seja apoio para a deputação federal, dois desafios que elas venceriam sem ajuda do PMDB. É preciso que ele tenha algo mais consistente para convencer a uma ou outra e tê-las na aliança. Do contrário, pode vê-las unidas ou não, pouco importa, mas levando às ruas um sentimento de resistência acima do grau de dureza de que é feita a retórica do seu partido. Sob pena de vê-lo desfazer-se ao primeiro impacto.

 

TESTE
A presença da presidente Dilma Rousseff na inauguração da Arena das Dunas é o grande teste de popularidade para ela e a governadora Rosalba Ciarlini. Pode ser a glória. E também uma grande vaia.

PERGUNTA – I
E se do outro lado do biombo o deputado Henrique Alves ainda mantiver acesa a chama de ser o nome do PMDB para disputar o governo com a presença da ex-governadora Wilma de Faria para o Senado?

HÁ – II
Quem hoje admita a candidatura Henrique Alves dentro e fora da família. E aponta com um sinal claro seu discurso político. É de quem luta. Ganha e anuncia obras como um governador. Seria impressão?

UMA – III
Coisa é certa: o PMDB, como maior partido, não pode continuar sem candidato até março deste ano e confiando somente na máquina financeira de Brasília. Na chamada conta gorda do Fundo Partidário.

RETRATO
Pelo andar da carruagem o Governo Rosalba Ciarlini não fará reforma política. Primeiro pela pobreza franciscana dos seus quadros políticos; e, depois, não se reforma nomeando profissionais de governo.

FRACASSO – I
Ninguém pode por em duvida no padrão de sinceridade do boletim de notícias da Secretaria de Saúde quando informa que fracassou no remanejamento de ortopedistas para atenderem no Walfredo Gurgel.

INCRÍVEL – II
É acreditar que a uma decisão tomada, com portaria publicada no Diário Oficial, os oito médicos não se apresentem ao hospital como servidores públicos. A saúde do Rio Grande do Norte é um escândalo.

PRESENÇA
Em Natal, num final de semana com a família e amigos, o jornalista Antônio Melo que integra o staff de Antônio Lavareda, cientista político especialista em comportamento eleitoral e campanha política.

ASSU
Será em Assu, este ano, o Encontro Regional da Associação Nacional de Professores de História. A idéia é reunir historiadores, professores e, principalmente, alunos de História. Em 2012 foi em Caicó.

ESTILO
O governo não corta do seu orçamento nem o marketing da promoção pessoal, mas quer que os outros poderes aceitem o bloqueio de seus valores. Ora, quem negocia de cima pra baixo não negocia. Impõe.

LA-e-CÁ – I
Os estudos cascudianos das raízes africanas na cultura brasileira são hoje cada dia são mais citados. É o caso do livro ‘La e Cá’ sobre ‘trocas culturais entre o Brasil e países africanos de língua portuguesa’.

UM – II
Livro dos pesquisadores Renato Imbroisi e Maria Emília Kubrusly, edição do Senac, com duas longas citações de Câmara Cascudo sobre a tradição do pirão (Fúnji, na África) e da Lenda da Sapucaia-Roca.

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