Wilma garante que é só oposição a Rosalba, mas conta com seu apoio para o Senado

Ex-governadora afirma que não há preconceito em receber apoio dos adversários na eleição deste ano

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Alex Viana

Repórter de Política

A presidente do PSB no Rio Grande do Norte, Wilma de Faria, aceita o apoio do DEM do senador José Agripino Maia e da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) a sua candidatura ao Senado – desde que o partido adversário não lance candidaturas, nem ao governo, nem ao Senado, mas apenas se coligue na disputa proporcional, de deputados federais e estaduais. “Não temos preconceito. No entanto, nós precisamos saber como vai ficar tudo isso”, afirmou a pré-candidata do PSB ao Senado, durante entrevista à FM 94 nesta terça.

Wilma deixou claro que foi e é oposição ao governo Rosalba Ciarlini, mas admitiu a possibilidade de o DEM não lançar a candidatura de Rosalba – nem candidatura ao Senado – o que abriria a possibilidade de o partido, presidido estadual e nacionalmente por Agripino, apoiar a pessebista para o Senado Federal. Agripino, em entrevista à imprensa, já admitiu não ter dificuldade de apoiar Wilma para a Alta Câmara.

Além do possível apoio do DEM (o Diretório do DEM vai decidir no próximo dia 2), Wilma deverá contar com os apoios de partidos como PSDB e PPS a sua candidatura ao Senado. Tudo acertado dentro do acordo com o PMDB, do pré-candidato ao governo, Henrique Alves, articulador da aliança. Apesar disso, a ex-governadora prefere a cautela antes de confirmar a aliança contendo DEM, PSDB, PPS e companhia. “Ainda não está formada essa aliança que as pessoas estão falando. Nós estamos ainda conversando. Ainda tem algumas coisas para se concretizarem”, advertiu.

Segundo a ex-governadora, “de fato precisa que haja as últimas conversas e, como nós temos até o dia 30 de junho para as convenções, então até 30 de junho nós vamos ter a certeza de como ficará essa aliança”, disse. “Nós ainda não temos uma definição, mas já temos muitos partidos que estão vindo para somar”, disse a ex-governadora.

No DEM, a expectativa está voltada para a reunião do diretório no próximo dia 2. Na oportunidade, os integrantes da executiva estadual da legenda irão definir qual será a prioridade do partido: se a reeleição da governadora ou a aliança com Henrique e Wilma. Com a sinalização de Wilma, na entrevista de hoje, fica evidente que o apoio do DEM a sua candidatura ao Senado será muito bem vindo.

CONSOLIDADA

Em sua entrevista, Wilma afirmou que já tomou a decisão e que a candidatura dela, ao Senado, está consolidada. “A gente já tomou essa decisão. Eu entendo que o Rio Grande do Norte está vivendo um momento de caos e nós precisamos mudar essa história. Nós precisamos tirar o Rio Grande do Norte da mídia negativa. A gente precisa tirar o Rio Grande do Norte dessa situação de calamidade em relação à saúde, à segurança, à assistência em relação ao homem do campo, que é uma coisa importantíssima. Nesse sentido, minha candidatura ao Senado e a aliança com esses partidos está consolidada”.

Wilma aproveitou boa parte da entrevista para criticar o governo Rosalba Ciarlini. Ela afirmou que as críticas da atual governadora direcionadas a ela se devem ao fato de que “as pessoas não são capazes de cumprir a sua missão quando estão no governo”, e ficam, “o tempo todo, dizendo que a culpa é do passado”.

Para Wilma de Faria, entretanto, “o povo é sábio e começa a fazer a sua avaliação, suas comparações, compararam o passado com o presente, e comparando o passado com o presente”, as pessoas “disseram que me queriam de volta para o governo”. Segundo a vice-prefeita, “ainda acontece, até hoje: há sempre alguém que diz ‘Wilma, eu gostaria que você voltasse, porque você realizou, porque na sua época as coisas funcionavam e hoje infelizmente o estado está parado'”.

Segundo a ex-governadora, o ‘volta, Wilma’ acontece, também, em parte, porque ela sempre esteve na oposição. “Você sabe que eu não votei em Rosalba. Não aceitava. Achava que ela não era o ideal para o Estado. Isso foi demonstrado de fato, depois que ela assumiu. Infelizmente ela ficou durante um ano só criticando o governo que passou. Depois ela disse que no segundo ano já ia ter uma grande administração e os anos foram passando e a gente começando a ver que cada vez que os anos passavam pior ficava o governo”.

“Aliança não é acordão”

Longe de aceitar a pecha de acordão, para Wilma, a aliança em torno das candidaturas majoritárias dela e do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, a governadora, bem como da chapa proporcional, é democrática. “Essa aliança é democrática, que quer fazer uma transformação na situação de caos que o Rio Grande do Norte vive hoje e com isso a gente busca fazer com que esse estado mude. Que o povo comece a sentir que o governo funciona”.

Ela defendeu a candidatura de Henrique a governador, afirmando que “é necessário alguém como o presidente da Câmara” conduzindo os destinos do Rio Grande do Norte. “Henrique hoje tem tido um sucesso muito grande à frente da Câmara, cumprindo os compromissos, até, muitas vezes, colocando em pauta determinadas matérias importantes para a população”. Segundo ela, Henrique “vai continuar fazendo e tem capacidade de trazer os recursos, de fazer pressão, para que tenhamos mais condições estruturais para tirar o Rio Grande do Norte desse caos administrativo em que nós estamos vivendo”.

Wilma afirmou que a população está aprovando a chapa Henrique/Wilma. “Eu não tenho sentido rejeição a Henrique. Ele passou muito tempo sendo candidato a deputado federal, agora está em uma eleição majoritária. A gente sente que há, pelo menos o que eu ouço falar, vejo nas pesquisas de opinião e tudo mais, uma aprovação, porque ele está sendo bem aceito”, afirmou. “A pesquisa maior é aquela que a gente vê. Eu que ando muito, que converso com as pessoas de todas as classes sociais, sinto que há apoio ao seu nome, assim como também com relação ao meu nome. Eu sinto esse apoio da população”.

Wilma disse que sua presença na aliança com o PMDB também foi muito bem aceita pelos peemedebistas. Instada a falar como entendia lideranças interioranas do PMDB não votarem nela para o Senado, ela respondeu que não procede. “Eu acho que o PMDB me aceitou muito bem. Eu sinto que, de um modo geral, meu nome está sendo bem aceito”, afirmou.

“Robinson e Fátima não podem falar da aliança porque queriam estar nela”

A ex-governadora criticou as declarações de Robinson Faria e Fátima Bezerra, afirmando que há acordão de interesses na aliança entre Henrique e Wilma. Segundo a vice-prefeita, tanto o candidato a governador pelo PSD como a candidata ao Senado “não podem falar sobre essa aliança, porque eles queriam estar nessa aliança”. Wilma disse que o atual vice-governador a abandonou politicamente no passado para apoiar a candidatura de Rosalba ao governo. “Ele nos deixou, passou oito anos conosco e foi apoiar Rosalba? Apoiou Rosalba, ficou um ano no governo com ela e só saiu porque foi expulso. Não foi ele quem quis sair, ele foi expulso”, disse Wilma.

Continuou Wilma: “A própria Fátima se colocou como aliada do PMDB. Foi ela e o partido dela que anunciou que estaria nessa aliança, que era uma orientação nacional e que eles estavam concordando com essa aliança e queriam essa aliança. Lutaram por essa aliança. O problema é que não deu certo. O próprio PMDB não quis essa aliança (com o PT). Então, acho que você falar sobre acordão… E se o acordão fosse com eles, como é que seria?”.

Ainda sobre a provável adversária Fátima Bezerra, Wilma afirmou que o eleitor irá analisar os currículos antes de escolher sua representante no Senado. “Vai ser uma disputa em que a população vai fazer a sua escolha, vai analisar todo o seu currículo em relação àquilo que você foi capaz de fazer, foi capaz de realizar. Eu, graças a Deus, tenho muita tranquilidade, porque quando fui deputada federal fui aprovada. Fiz aquilo que eu me comprometi na defesa dos interesses dos trabalhadores, dos servidores, das mulheres. Fui aprovada com nota máxima pela avaliação do DIAP, que avalia os parlamentares”.

IMPEACHMENT

Wilma voltou a defender o impeachment da governadora Rosalba Ciarlini. Ela criticou os que analisam o impeachment com viés político. Para a ex-governadora “qualquer momento é momento de se fazer um corte em relação aos erros cometidos”. “Eu já respondi isso, que sou favorável ao impeachment, que o órgão que está propondo é um órgão que merece credibilidade. Acho que todos os órgãos que fizeram isso foram baseados em três processos de improbidade administrativa da governadora Rosalba Ciarlini. Então, é necessário que agora a Assembleia Legislativa se defina”, afirmou Wilma.

Na crítica ao uso político do impeachment, Wilma disse que a decisão deve ser do povo e da Assembleia Legislativa. “Na verdade eu acho que tem muita gente querendo o impeachment por outros motivos. Acho que o impeachment, acontecendo agora ou depois, é uma decisão do povo e uma decisão da Assembleia. Às vezes eu ouço as pessoas dizerem ‘olhe, vocês colocaram a governadora no governo e ela já está concluindo o mandato agora em dezembro’, mas isso não é desculpa. Qualquer momento é momento de se fazer um corte em relação aos erros cometidos, isso só as instituição podem falar. A gente tem que preservar as instituições para que as instituições falem”, afirmou.

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