Wilma, a jornada

Não deve ter sido fácil, para quem construiu sua trajetória quebrando tabus e paradigmas, essa jornada dos últimos dois anos…

Não deve ter sido fácil, para quem construiu sua trajetória quebrando tabus e paradigmas, essa jornada dos últimos dois anos de Wilma de Faria. Desde quando mergulhou nas agruras de um noticiário sombrio, envolvendo um irmão e um filho, culminando com uma dura derrota ao tentar ser senadora, depois de governar duas vezes. Por fim, para sobreviver no instante mais difícil desse longo tempo de provação, aceitou ser vice de Carlos Eduardo Alves, aquele a quem ela mesma elegeu prefeito de Natal.

O turbilhão de infortúnios na sua vida pública, nesses últimos anos, desde o final do seu segundo governo que já não brilhou como ela esperava, parece que acabou por arrefecer no seu próprio ânimo a velha chama que acendia sua luz e erguia a sua voz nas ruas e nas praças. Reduzida a vice e submetida a limites dos quais há mais de vinte anos não sentia o gosto amargo, e com Natal sob o controle absoluto do prefeito com mais de 70% de aprovação restou, na concha das suas mãos, tentar o último grande vôo.

É bom lembrar: um vôo que imaginou fácil quando fez parte do acordão em torno da candidatura de Fátima Bezerra, ao lado de Henrique Alves e Garibaldi Filho. Derrotada, coube a Wilma constatar, pelos jornais, que estava desfeita aquela aliança que a rigor nunca existira de verdade, quando o senador Garibaldi Filho avisou que não a apoiaria pra nada. Ele já estava fixado na eleição de Rosalba Ciarlini ao governo, não por heroísmo, mas para levar seu pai ao Senado, então suplente da hoje governadora.

Sem mandato, precisou vetar os nomes jovens do seu PSB, entre eles a vereadora Júlia Arruda, e indicou a si mesma a vice, gesto que soube embalar em papel de presente como se fosse humildade. Tanto que essa falta de ânimo se revelou de novo agora, dois anos depois, quando liderava as pesquisas em todos os cenários montados nas sondagens, mas contraditoriamente preferiu ser senadora no chapão do PMDB temendo que o lugar fosse ocupado por Fátima Bezerra saindo vitoriosa nas urnas deste ano.

Foi esse temor, para ficar só ai, a razão da rendição da ex-governadora às propostas do acordão, sob a ameaça velada de que sendo candidata ao governo enfrentaria Garibaldi. Na verdade, um tabu que ela não precisava temer, tanto que o derrotou nos dois turnos de uma disputa na qual ‘o governador de férias’ não demonstrou como vencê-la, indo ao segundo turno com ajuda matemática dos poucos votos do PSOL. Foi o medo da chapa Henrique e Fátima que a fez recuar, desvestindo os trajes de guerreira.

Ela sabe: sua luta será marcada pela contradição. A ficha limpa será usada por Fátima. Silenciará sobre o Governo Rosalba que a massacrou; abandonará o candidato do seu partido, Eduardo Campos, negando-lhe palanque para não ser contra Dilma. E trocará a postura progressista que muitos diziam ser artificial por um lugar no acordão dos poderosos, aquele que um dia denunciou nas ruas. Tudo para ser senadora sem risco e ao lado de quem nunca a defendeu. Por isso, alguns acusam a política de ser cruel.

DÚVIDAS – I

Esta coluna chega ao limite do seu fechamento da edição de hoje, sexta-feira, sem poder informar a seus leitores quais são os nomes para senador e vice-governador de Henrique Alves, candidato a governador.

ESTILO – II

Dúvidas nascidas do estilo do PSB que fugiu da imprensa depois de três horas de conversa com Eduardo Campos, em Recife, e da declarada contestação do PDT ao nome do deputado João Maia para ser vice.

TOM

Foi elegante, mas formal, o apelo do governador Eduardo Campos para que a ex-governadora Wilma de Faria mantenha a candidatura ao governo. No chapão deixará Campos órfão, sem palanque de verdade.

ÁFRICA

Vem aí, nos amplos salões da Capitania das Artes, uma grande exposição de arte africana para quebrar

um pouco esta monotonia do movimento artístico da cidade no seu calendário de exposições de porte.

MPB

Pronto, com o requinte de duas capas, e esperando apenas uma data, o novo livro de Lenilson Carvalho: ‘Mosaico da MPB’. Ele que é craque na cirurgia buco-maxilo-facial, na cozinha e bom ouvinte de MPB.

DE

Parabéns à Prefeitura de Natal pela decisão de retirar a decoração das ruas para a Copa do Mundo. Não pelo tamanho, pequenas ou não. Pelo ridículo daquelas bolachas coloridas e de um profundo mau gosto.

LUTA

O professor Rony Mathias, de Arez, escreve de lá para informar que sua categoria, dos educadores, está em greve no município. Exigem o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração. O que, aliás, é um direito.

BIG

Hoje, às 20h, em Mossoró – Teatro Dix-Huit Rosado, e amanhã em Natal, no mesmo horário, no Teatro Alberto Maranhão – a apresentação da Big Banda do Sesi. Quem informa e ainda garante é Tácito Costa.

SORTEIO

O II Congresso Nacional de Direito Previdenciário sorteia amanhã, sábado, uma inscrição-cortesia. Para concorrer, e siga perfil evento no Instagram – @congressodireitoprevidenciario- e marque cinco amigos.

MURAL – I

A Prefeitura de Parnamirim demoliu o belo mural de Flávio Freitas na escola da cidade com a história da aviação no RN, do balão de Augusto Severo às travessias aéreas do Atlântico e na II Guerra Mundial.

ORDEM – II

Teria sido uma determinação federal em razão do acesso ao teatro construído ao lado da escola como se o mural não tivesse a sua importância e magnitude a ser tombado e preservado pelo próprio Patrimônio.

PIOR – III

A Prefeitura, ao invés de encontrar a solução para preservar ou refazer o maior mural de arte do Estado, achou mais fácil demolir. Assim como esta coluna elogiou a idéia à época, hoje protesta contra o crime.

DEVER – IV

A Prefeitura de Parnamirim poderia ter assumido uma posição mais digna em defesa da obra de arte que representa, em parte, a própria história da aviação militar e civil, desde o tempo histórico da Latécoère.

ALIÁS – V

O mais estranho é que a demolição, ocorrida há semanas, não tenha sido notícia nos cadernos culturais da cidade. É incrível que no Século XXI um mural, patrimônio artístico, seja visto como simples muro.

MESA – I

Jardelino Lucena dedica todas as horas desses dias e semanas mais recentes ao texto final do seu livro sobre a alimentação no Rio Grande do Norte. Com subtítulo que é uma perfeição: ‘Nem só de jerimum’.

VALOR – II

Jardel divide o acervo da nossa gastronomia em litoral e sertão. O mar banhando Natal e região Agreste e o sertão representado pelo Seridó. Com receitas tradicionais e resgatadas dos velhos livros de família.

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