Wilma de Faria não confirma Senado e pode deixar Henrique Alves sem chapa

Wilma viaja a Recife sem confirmar se será candidata ao Governo ou Senado e cria incerteza no PMDB

foto VLADEMIR ALEXANDRE - (84) 9973-7355

Alex Viana

Repórter de Política

A candidatura da vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria, ao Senado Federal, ainda não estava confirmada até o fechamento desta edição, no início da tarde desta quinta-feira. A presidente do PSB no Rio Grande do Norte tinha um encontro marcado com o presidente nacional do PSB, governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato a presidente da República. Informações de bastidores davam conta no final da manhã de hoje que não haveria mais o lançamento da candidatura de Wilma ao Senado nesta sexta-feira, ao lado do PMDB, o que não chegou a ser confirmado pela reportagem.

Wilma articula com o PMDB aliança política em torno da candidatura do deputado federal Henrique Eduardo Alves a governador, tendo a vice-prefeita como candidata ao Senado. O problema é que a chapa, do interesse de Wilma, não atende à estratégia nacional do PSB, que é o fortalecimento do palanque de Eduardo Campos nos estados. A aliança de Wilma com o PMDB, neste sentido, enfraqueceria o palanque do presidenciável do PSB no Rio Grande do Norte, uma vez que terá “três cabeças”, como definiu o presidente do PT em Natal, Juliano Siqueira, com apoiadores dos pré-candidatos a presidente da República, Aécio Neves, Dilma Rousseff e do próprio Eduardo Campos.

Para ser candidata ao Senado, Wilma conta com o apoio do diretório estadual do PSB, especialmente da ala liderada pela deputada federal Sandra Rosado, que deseja a aliança com o PMDB com vistas à eleição suplementar em Mossoró, marcada para o início de maio. Seguiram para Recife, capital de Pernambuco, nesta manhã, Wilma, os deputados estaduais Tomba Farias, Márcia Maia e Larissa Rosado, candidata a prefeita de Mossoró, e a deputada federal Sandra Rosado. “Minha expectativa é que Wilma seja senadora do Estado do RN numa composição com o PMDB”, afirma a deputada Larissa Rosado.

Larissa argumenta que Eduardo Campos, como presidente da República, caso eleito, precisará de uma bancada de senadores. Ela sustenta que a conjuntura estadual favorece a eleição de Wilma como senadora e assegura que o palanque potiguar de Eduardo Campos não será prejudicado. “Entendo que Eduardo Campos, como presidente da República, também precisa de Wilma no Senado. Não é que vamos comunicar essa decisão a ele. Nós vamos conversar com o partido, colocar para ele a conjuntura do Estado, como os outros partidos também estão posicionados, e contamos com compreensão de Eduardo Campos”, disse a deputada, ainda de Brasília, esta manhã, momentos antes de embarcar para Recife, para participar da reunião que selará o futuro do PSB no RN, inclusive a aliança ou não com o PMDB. “O palanque de Eduardo Campos no Rio Grande do Norte está preservado. Nós vamos fazer campanha para ele. Sabemos da capacidade dele para governar o Brasil, capacidade já demonstrada como governador de Pernambuco”.

As próprias palavras de Larissa Rosado mostram a instabilidade no que diz respeito à posição do PSB no Rio Grande do Norte em função da candidatura de Eduardo Campos. Há quem aposte que não vai mais haver o lançamento da candidatura de Wilma para o Senado ao lado do PMDB nesta sexta-feira, como amplamente divulgado pelo PMDB. Hoje pela manhã, o pré-candidato Henrique Alves manteve mais uma conversa com Wilma. Após o encontro, o presidente da Câmara divulgou nas redes sociais o cancelamento do lançamento da sua candidatura, que seria às 10h, no hotel Praia Mar, e agendando um novo horário, no caso, às 15 horas. “A pedido de lideranças do interior, encontro do PMDB/PSB será amanhã às 15 horas Hotel Praiamar. Agradeço desde já aos que puderem comparecer”, justificou Henrique no Twitter. “Muitos companheiros de outros partidos manifestam carinhosamente o desejo de comparecer amanhã, no Praiamar, à reunião do PMDB”, completou ele, excluindo o PSB como parceiro do PMDB, dando mais combustível para as especulações que estão gerando instabilidade na formação da sua chapa.

“Instabilidade”, “medo” e “desconfiança” ameaçam chapa. Vice não será anunciado

Na última segunda-feira, o deputado federal João Maia, presidente do PR e tido como nome certo na chapa, foi excluído da vice pela mulher de Henrique, a jornalista Laurita Arruda, em postagem no blog que assina. O fato caiu como bomba de efeito desastroso nas articulações, que já andavam sob o signo da “desconfiança e do medo”, conforme as palavras do deputado estadual Fernando Mineiro (PT), em entrevista ao Jornal de Hoje nesta quarta-feira.

Parceiro político de Henrique nos últimos anos, tipo “unha e cutícula”, João chegou a confirmar sua candidatura a vice-governador ao lado de Henrique e Wilma, com o nome da irmã, Zenaide Maia, como substituta dele na Câmara dos Deputados. No entanto, Henrique havia articulado com o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, e o pai deste, o deputado estadual Agnelo Alves, a possibilidade de o PDT indicar o vice. Agnelo pediu tempo até o dia 5 de abril para tentar convencer o prefeito de Parnamirim, Maurício Marques (PDT), renunciar a prefeitura e aceitar ser o vice de Henrique. Se conseguir, João Maia terá de buscar outro projeto para as eleições deste ano, talvez a reeleição à Câmara ou tentar articular outra aliança.

De todo modo, a parceria de João Maia com Henrique terá que ser revista. Caso não consiga convencer Maurício Marques a deixar a prefeitura, Carlos e Agnelo já deixaram claro que vão querer as bases de João Maia para a candidatura do secretário chefe do Gabinete Civil da Prefeitura, Sávio Hacrakdt, para deputado federal. Neste caso, a candidatura de Zenaide Maia terá de ser retirada, em favor de Sávio.

Nesse contexto de incertezas, inseguranças e instabilidade, tudo é possível acontecer com vistas às eleições deste ano. Principalmente quando envolve uma aliança tão ampla e com tantos interesses poderosos envolvidos. Em tela, não apenas a sucessão de 2014, mas, sobretudo, sobrevivências políticas em 2018, futuro de herdeiros políticos, dentre outros. Assim, não se duvida de mudanças de última hora, que venham, tanto favorecer, quanto desfavorecer, palanques que já estariam formados. A mudança de projeto de Wilma de Faria, por exemplo, teria impacto tanto na candidatura de Henrique quanto do vice-governador Robinson Faria.

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