Wilma critica principal área de atuação política de Fátima: a Educação

Candidata ao Senado pelo PSB afirma que petista não executou nada do que diz ter feito pela educação

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Alex Viana

Repórter de Política

A atuação da deputada federal Fátima Bezerra (PT) em prol da educação do Rio Grande do Norte acaba de ser posta à prova pela vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB). Professora como Fátima, Wilma disse que a parlamentar do PT “não é nenhuma ministra da educação” para se arvorar como dona de todos os resultados do setor no Estado. Wilma afirmou que, como prefeita, deputada federal constituinte e governadora, sempre defendeu a área, citou exemplos, e disparou: “Se for comparar com minha adversária, o que ela fez, ela (Fátima) não executou nada do que está dizendo. Porque não é ministra da educação, da saúde, da agricultura”, declarou a socialista, durante entrevista ao “Jornal Verdade” (REDE TV RN) nesta terça.

Com a declaração, a professora Wilma de Faria atinge de morte um dos pilares de sustentação da campanha de Fátima ao Senado. A petista se vangloria de ter para si o mérito por trazer vários Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRN) para o Rio Grande do Norte. Wilma contesta, destacando o trabalho feito por ela em favor, por exemplo, da Universidade Estadual do RN e da Universidade Federal Rural do Semi Árido (UFERSA). “Quando minha adversária fala da área da educação, a atuação que nós tivemos na UERN, na UFERSA, para transformar na Casa da Agronomia; na UFERSA, levando para Angicos, Caraúbas, e com relação à UFERSA, que nós trabalhamos isso, doando inclusive terrenos, fazendo gestão junto ao presidente Lula, junto ao ministro da educação, fizemos tudo isso também”, disse.

Ao pontuar sua atuação da educação, Wilma de Faria intenta abalar um dos principais alicerces da campanha de Fátima Bezerra, que tentará se mostrar ao eleitorado norte-rio-grandense como a deputada que mais fez pela educação do Rio Grande do Norte. Wilma, entretanto, mostrará igualmente sua atuação na área educacional. Mas não ficará só nisso. Irá também aproveitar a oportunidade para dizer que não só fez mais que Fátima na educação, como fez em muitos outros setores. “Vamos mostrar as obras estaduais que nós promovemos em parceira com os municípios, que hoje não têm um convênio com Estado e os prefeitos em situação difícil porque não têm apoio do governo”.

A pessebista apostará todas as fichas no seu legado enquanto governadora do Rio Grande. Ela atribui sua boa colocação segundo as pesquisas justamente ao seu trabalho à frente do governo. “Em todo o estado sou bem recebida porque fizemos muito. Não só obras estruturas como adutoras, pontes, estradas, casas populares, mas, também, o trabalho social, que é importante para o homem do campo, que acabou nesse governo. O trabalho social também foi marcante, através do programa de restaurante populares, das centrais do trabalho, das centrais do cidadão, tudo que está se acabando nesse governo. Fizemos um trabalho e a população reconheceu, com a juventude, na área da saúde, na segurança”, assinalou.

No confronto direto com a petista, Wilma irá apresentar-se como uma política com ampla experiência pública e administrativa. Enquanto Fátima foi, apenas, deputada federal, Wilma mostrará que foi prefeita três vezes da capital do estado, realizando boas administrações, deputada federal constituinte reconhecida por órgão respeitado de atuação sindical, e governadora do Rio Grande do Norte por duas ocasiões.

“Estou feliz porque vejo as pessoas felizes pelo que fizemos como deputada federal, quando fui bem avaliada por órgão sindical. Defendemos as mulheres, as crianças, a reforma agrária, tudo que me comprometi, eu cumpri”, disse, deixando nas entrelinhas que, até como deputada federal, fez mais que Fátima. “Fui bem avaliada como prefeita de Natal, deputada federal e como governadora”, declarou.

“Dizem que Senado é tranquilo, mas só vou se for para trabalhar”

Ainda em sua entrevista à REDE TV RN, Wilma rebateu outro discurso da deputada federal Fátima Bezerra: o de que a ex-governadora vai para o Senado para se aposentar da política. “Vou trabalhar. Dizem que é uma atividade mais tranquila. Mas eu quero estar onde tem trabalho, onde possa fazer alguma coisa para mudar a situação de dificuldade da população”, declarou, destacando, entre as bandeiras a serem defendidas no Senado, a reforma tributária, maiores investimentos em segurança pública e saúde.

“Vamos trabalhar nessa direção, porque nada que o governo faz no Executivo deixa de passar pelo Legislativo. Precisamos chamar o legislativo e exigir de deputados e senadores para realizarem o que se comprometeram com a população”, disse Wilma, mais uma vez, criticando a atuação da deputada Fátima como deputada.

Apesar das críticas, a socialista, entretanto, estirou a bandeira branca da paz. Ela pede uma campanha sem agressões. Alvo de escândalos administrativos, Wilma carrega contra ela fantasmas chamados Foliaduto, operação Hygia, Outro Negro e outros. Mas, não teme o embate. “Estamos iniciando esse processo de comunicação direta com o povo numa campanha democrática e propositiva. A gente não quer agressões. A gente quer mostrar os erros do governo. Queremos que a população se ligue e veja o legislativo e cobre do legislativo também. Estamos apresentando as nossas propostas”.

Por fim, a ex-governadora falou sobre a aliança com Henrique Alves, candidato dela e de mais de 18 partidos e grupos políticos a governador do Rio Grande do Norte. “Estamos mostrando também através da nossa composição política aquilo que está sendo a união de vários partidos para encontrar uma saída para essa situação caótica que o Estado está vivendo nesse governo”, afirmou, se referindo à gestão Rosalba Ciarlini (DEM), que chega ao final desaprovada e sem respaldo político nem do próprio partido, que decidiu apoiar Wilma. Inclusive se disponibilizando até a subir em coqueiro para pedir voto para ele – segundo as palavras do presidente nacional do DEM, senador e apoiador de Henrique e Wilma, José Agripino Maia.

Advogado: “É incontroverso que Wilma não assumiu a Prefeitura”

Wilma de Faria não assumiu a Prefeitura de Natal, tampouco tem débitos a pagar para a Justiça Eleitoral. A informação, que contrapõe o que foi dito pelo PT (na edição desta segunda-feira d’O Jornal de Hoje) e pela Procuradoria Regional Eleitoral (leia mais sobre isso na página 5 desta edição), foi apresentada pela manhã, pelo advogado da candidata do PSB ao Senado, Rodrigo Alves Andrade.

“Informo que aguardamos as notificações sobre pedidos de impugnação para que possamos apresentar defesa nos autos judiciais”, afirmou o advogado, acrescentando que, de qualquer forma, “é incontroverso que Wilma de Faria não assumiu a prefeitura de Natal, no período alegado”. Esse “período” seria abril de 2014, quando o prefeito Carlos Eduardo viajou para a Espanha e deixou a capital sem chefe do Executivo, o que fez com que alguns especialistas em Direito apontassem que Wilma de Faria estava no cargo, quando a Justiça Eleitoral já vedava tal assunção para aqueles que, como ela, seriam candidatos em 2014.

“Mais até do que isso, no caso específico, há decisão judicial do Poder Judiciário do Rio Grande do Norte determinando que o Julio Protasio assumisse imediatamente o cargo de prefeito, diante da ausência do prefeito, vice-prefeita e presidente da Câmara dos Vereadores”, explicou Rodrigo Alves.

“Afora isso, é assente a orientação da Justiça Eleitoral de que o afastamento de fato é suficiente para fins de desincompatibilização, o que igualmente afasta que a impugnação possa vir a prosperar. Portanto, para fins do que interessa para a Justiça Eleitoral, consideramos nítido que não há como configurar situação de inelegibilidade”, acrescentou o advogado da ex-governadora e atual candidata ao Senado.

Com relação ao pedido feito pela PRE, o advogado explica que Wilma “está quite com a Justiça Eleitoral, conforme certidão disponibilizada pela própria justiça eleitoral. Não há qualquer obrigação que não esteja sendo adimplida, inclusive por meio de parcelamento perante Fazenda Nacional/Secretaria da Receita Federal. Aparentemente, provavelmente por razões de sistema, houve propositura de ações de impugnação de registro, sob o argumento de ausência de quitação eleitoral, em face de diversos candidatos, quando os mesmos estavam adimplindo com suas obrigações e com certidão de quitação eleitoral”.

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