Xerife no Rivotril

A Polícia do Rio Grande do Norte prossegue a sua caçada cinematográfica ao inimigo público número 1 da capital, o…

A Polícia do Rio Grande do Norte prossegue a sua caçada cinematográfica ao inimigo público número 1 da capital, o bandido Rivotril, supostamente temido e destemido chefe do crime no bairro de Mãe Luiza e se esgueirando a outras comunidades. O helicóptero rasga as tardes tirolesas e petropolitanas caçando delinquente com alcunha de tranquilizante.

É costume da costela de Natal. Na década de 1970, a mídia transformou em monstro um ladrão de galinha: Brinquedo Cão, especializado em tráfico até morrer.

Sequências e evoluções da caçada aérea ao Rivotril, atiçam crianças em prédios do Plano Palumbo, área nobre e de dezenas de esnobes. O helicóptero e sua tripulação atenta, armada de fuzil, treinada e aguçada em busca de um bando de um homem só.

Nada contra a PM, sustentada na dedicação do coronel Araújo. No paralelo, rolam assaltos, latrocínios, turistas levam tiros de pivetes e parar à noite em sinal de trânsito é parodiar Roberto Carlos: “e se um motoqueiro armado e capacetudo aparecer, na sua cola, entregue tudo, saia vivo, e vá embora”.

Repórter policial sempre foi a melhor cátedra prática de redação. Minha visão do ser humano é extrato de três editorias: de polícia, de futebol e na política quando desfocada do legítimo. Nas três áreas, a ingenuidade é barrada apresentando carteira de estudante. Ou passaporte de Pizzolato.

Quem me fez repórter policial chama-se Paulo Tarcísio Cavalcanti, hoje trabalhando em Brasília (DF). Humilde além da conta, um múltiplo de redação. Jogaria de lateral e zagueiro tipo Carlos Alberto Torres, nos dois lados e no meio-campo, Mazinho do Vasco, Palmeiras e um dos voluntários do andor de Romário na Copa de 1994. Numa redação, Paulo Tarcísio é estilista magro, Sócrates dos matagais e mistérios de São Gonçalo do Amarante.

Queria estilo de cobertura fora do padrão de cópia de boletim, de sensacionalismo sangrento e de versão oficial. Fizemos direitinho. Carlinhos Peixoto nos chefiava. Eu e Ana Silva, craque na reportagem fotográfica, flagramos uma sessão da tarde de tortura na Delegacia das Quintas. Foto esplêndida fez Aninha. Uma tira em uma coluna, de cima até embaixo da página. Foto vetada na capa, editor explicando as vinculações políticas do jornal com o poder da hora.

A foto saiu nas internas, no drible. Deu confusão. Seria normal não tivéssemos – eu e Aninha – recebido ameaças. O autor já está morto e agradeço a coragem pessoal do então presidente da OAB, Carlos Roberto de Miranda Gomes, ao nos defender e ameaçar levar o caso fora do Estado.

No fim, de resultado, a bela foto do dedo-duro espancando o bandido. Cabra ruim, por sinal. Estuprador recorrente. Mas a gente viu e registrou. O dever está acima das convicções pessoais. Tortura, jamais. No combate, é a lei quem deve vencer, sempre. Entre polícia e bandido, nem bato a passarinha, fico com a primeira.

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Foi uma senhora experiência na editoria. De Polícia. Convencional. Deu-me estofo para enfrentar a bandidagem sorridente e camuflada. Meu maior orgulho foi o período entre 1989 e 1990, quando conheci o submundo estereotipado e menos articulado que o atual.

Participei de grandes coberturas. O assalto ao Banco do Brasil da Avenida Rio Branco, tido como Intransponível, o roubo ao Banco do Nordeste de Assu, o sequestro do gerente por uma quadrilha morta por atiradores de elite de Brasília.

Até hoje há quem divulgue e creia no suicídio dos bandidos, ditos integrantes de seita satânica. Um dos participantes revelou detalhes da operacão de resgate do gerente, em livro, 20 anos depois. Só escapou o líder, sujeito magrinho e cruel, chamado Erivan Chuvas Siqueira.

Acompanhei julgamentos históricos, perseguições eletrizantes, chacinas, crimes passionais, mortes que chocaram a cidade pela boa condição social da vítima. Sindicato do Crime, pistolagem gélida, roubo de joalheria, primeira incursão da facção criminosa Falange Vermelha em Natal, descoberta de assassinos famosos, fugas de presídio contidas por rajadas de metralhadora. Adrenalina.

Tome voo atrás de Rivotril. Dizem que o indigitado é uma espécie de Tarzan Tosco, conhece a selva igual a um leão, embrenha-se na floresta e desaparece. Não chega às unhas de Paulo Queixada ou Naldinho do Mereto em perversidade. Longe da pontaria de Antônio Letreiro, notório sicário de aluguel.

Uma dose de Maurílio Pinto de Medeiros e o Rivotril perderia o efeito. Taciturno e setentão, estética da necessária forma, sagaz, pelos atalhos, Maurílio já estaria tratando do próximo.

Um estalar de dedo de Maurílio e Rivotril baixaria a crista, como todos os valentões e profissionais do crime que conheci. O Xerife é de carne, osso e vocação, faz falta. Resolvia, prendia e sustentava a cidade na convicção de que ser humano é gente, escória, não.

 

Estreia

Reclamei comigo mesmo e vou controlar a acidez com o Campeonato Estadual que começa hoje na esperança de alguém jogando futebol bonito. O América é um time pronto. O Potiguar defende o bicampeonato com Celso Teixeira e o ABC tenta se arrumar.

 

Sem novas atrações

O América enfrenta o Santa Cruz sem o volante Val, contratado ao Flamengo e somente nas próximas rodadas o artilheiro Lúcio Curió jogará pelo ABC. Que enfrenta o Corintians em Caicó.

 

Frevo

O frevo toma conta do centro amanhã às 13 horas. Com o 9 de Frevereiro, organizado por João Mendes da Rocha (Rochinha), moicano do Café Nice, bucaneiro histórico. Nota 10 em música. A folia é no Largo Ruy Pereira, ao lado do IFRN.

Fabiano brilha

E o potiguar Fabiano, ex-ABC, América e Alecrim, segue brilhando no Campeonato Paranaense. Fez dois gols e é o melhor de sua posição, zagueiro. O seu Maringá lidera, invicto, com média de público superior a 8 mil pessoas em casa. Fabiano só não servia para os olhos gulosos daqui, direcionados à mercadoria de segunda-mão de empresários.

 

Direito

A apresentadora do SBT, Rachel Sheherazade tem direito de ser contra marginais. Rachel defendeu seu ponto de vista. Só mimoseia assaltante, estuprador e assassino quem jamais foi vítima. Estou com ela e não abro.

 

Invictus no Timão

Morgan Freeman. Ideal técnico para o Corinthians, que perdeu todas no Paulistão. Freeman, Invictus como Mandela.

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