Zoonoses está sem carrocinha para recolher animais em Natal

Veículo quebrado aguarda manutenção no Centro de Zoonoses

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Com suas atividades limitadas pela estrutura física precária e falta constante de materiais, o Centro de Controle de Zoonoses de Natal (CCZ), na zona Norte, atende uma média mensal de cem casos de cachorros e gatos suspeitos de estarem contaminados por leishmaniose visceral e raiva. O órgão, que está atualmente sem carrocinha para recolhimento de animais com suspeita das doenças na cidade, realiza ainda o controle das áreas endêmicas da Capital e a vacinação de cães e gatos.

Segundo o chefe do CCZ, Alessandre de Medeiros, os animais suspeitos de contaminação passam por exame de sangue e ficam em observação por um período de dez dias, quando os agentes de saúde fazem controle de possíveis sintomas de uma das duas doenças. Caso o resultado seja positivo, o animal é encaminhado para eutanásia, mas, se for negativo, retorna para sua casa ou é posto para adoção.

No entanto, ele revelou que atualmente o órgão enfrenta um grave problema relacionado às eutanásias: a quantidade insuficiente de anestésicos usados para esse fim. “Por causa disso, fomos obrigados a suspender o recolhimento domiciliar de animais, que é feito somente quando a situação é realmente de urgência, ou seja, quando o bichinho ataca alguém. Mas só podemos eutanasiá-lo se o resultado do exame for positivo”, explicou.

Outra dificuldade enfrentada pelo órgão é a falta de veículos específicos para o recolhimento dos animais de rua, já que uma delas foi apreendida por irregularidades documentais e a segunda está encostada no pátio do CCZ, quebrada. Uma funcionária do local, que não se identificou, confirmou o fato e disse que, por isso, o serviço também foi suspenso temporariamente.

“Estamos na expectativa de adquirir duas novas carrocinhas. O processo licitatório para a compra dos veículos já foi iniciado e estamos aguardando apenas os trâmites da licitação. Enquanto isso, os operadores devem passar por um treinamento de humanização para a abordagem e recolhimento dos cães e gatos alvos das ações. Essas situações são bastante estressantes tanto para o animal como para o servidor, por isso, estes serão treinados para passar o máximo de tranquilidade em uma captura”, afirmou Alessandre.

Pessoas atacadas por animais contaminados devem ser monitoradas

Na manhã desta quinta-feira (22), apenas um cachorro e uma gata com quatro filhotes, ambos com suspeita de raiva, estavam recolhidos no CCZ. Eles chegaram ao órgão levados por pessoas que foram atacadas por eles. “Essa é uma das três formas de entradas de animais no centro. As demais são feitas após os donos dos bichos solicitarem a visita de um agente nosso ou os animais recolhidos em áreas endêmicas, com a zona Norte e Oeste de Natal”, explicou o chefe do órgão.

A recomendação do CCZ é que todos os animais que tenham atacado uma pessoa devem ser levados para o órgão municipal, para que seja feita a coleta do sangue do cão ou do gato, para identificação de uma das duas doenças. Mas, a observação se estende também para a vítima do ataque, principalmente se houver suspeita de raiva. Isso porque, conforme Alessandre, o último caso de raiva humana ocorreu há cerca de três décadas.

“Raiva em animais do município é raro também, por causa das campanhas de vacinação que são realizadas todos os anos, já raiva em humanos não é registrada há quase 30 anos em Natal. Por isso, apenas um caso já é o suficiente para que seja declarada epidemia. E, quando uma pessoa é atacada por um animal suspeito, ela deve passar por tratamento no Hospital Giselda Trigueiro, que faz o acompanhamento dela, junto com o CCZ. O mesmo procedimento é adotado para pessoas atacadas por animais suspeitos de leishmaniose, doença transmitida por mosquito”, explicou Alessandre de Medeiros.

 

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